terça-feira, 17 de julho de 2018

Como plantar gipsofila

Também chamada de braquinha, cravo-de-amor e véu-de-noiva, a flor de aspecto delicado dá um efeito especial a diferentes ocasiões

POR TEXTO JOÃO MATHIAS * CONSULTOR FÁBIO ALESSANDRO PADILHA VIANA*



Embora coadjuvante na maior parte dos arranjos florais, a gipsofila (Gypsophila paniculata), mais conhecida como mosquitinho, por ser pequena e numerosa, está presente na decoração de variados tipos de eventos. De noivados a casamentos, de festas populares a celebrações sofisticadas, de jantares requintados a encontros corporativos, enfeita diversos ambientes disposta em vasos, colunas, cadeiras, palcos e diversos objetos.
Também chamada de braquinha, cravo-de-amor e véu-de-noiva, a flor de aspecto delicado dá um efeito especial a diferentes ocasiões quando usada em combinação com outras plantas ou mesmo sozinha em pequenas ou grandes quantidades. Em ramalhetes compostos por rosas, cravos, flores do campo e até folhagens, tornou-se um complemento tradicional.
Por isso, não falta gipsofila em floriculturas ou em qualquer ponto de venda de flores, uma indicação de seu alto potencial de comercialização, que permite aos agricultores dedicados ao plantio obter lucros com a cultura. Apesar de ser planta herbácea perene, com ciclo de vida longo, é comum ser cultivada como anual, oferecendo ao produtor a oportunidade de obter renda com a atividade de janeiro a dezembro.
Sem demandar muitos cuidados, a gipsofila precisa apenas de estruturas de semissombreamento nas plantações (estufas); de hastes para dar apoio à planta, que, por ser leve, é sensível a correntes de ventos; de regas regulares; e, a cada ano, de uma reforma dos canteiros. Oriunda de regiões mediterrâneas e do Leste Europeu, onde predomina o clima temperado e frio, tem, no entanto, boa adaptação às temperaturas mais elevadas registradas em território brasileiro, aproveitando a luminosidade farta incidente no país.
Destinada, sobretudo, para a produção de flor de corte, graças ao seu apelo comercial, a gipsofila também conta como mercado promissor o plantio em maciços e bordaduras adotado em jardins de praças, parques, casas, chácaras e fazendas. Miúda e abundante, ela proporciona um charmoso visual campestre às paisagens.
A gipsofila é ramificada e de pequeno porte, variando entre 60 e 90 centímetros de altura. Possui flores dobradas brancas ou rosa, com inflorescência na versão panícula – os ramos decrescem da base para o ápice em uma formação piramidal. As folhas finas, opostas e pontiagudas, são de coloração verde-acinzentada. Já as raízes são grossas e o caule é macio, pois não conta com a presença de lignina, substância responsável pela rigidez e pela aparência lenhosa das plantas.

Como os cravos, a gipsofila faz parte da família de plantas chamadas Caryophyllaceae. Predominantemente composta por ervas, as espécies estão amplamente concentradas na Europa e na Ásia, além de regiões que apresentam clima ameno.

Mãos à obra

>>> INÍCIO Há três variedades de Gypsophila paniculata, sendo uma rosa (red sea), considerada pouco produtiva, e duas brancas (bristol fairly e perfecta), a cor mais comum por aqui e fácil de ser tingida em diversas colorações.

>>> PROPAGAÇÃO  A gipsofila multiplica-se por sementes, ideal para plantios em pequena escala; por cultura in vitro (grandes produções); ou por estacas de ponteiro com 2 a 4 centímetros de comprimento. As estacas devem ser tratadas por 5 a 30 segundos em solução de AIB (ácido indol-butírico), na concentração de 3.000 a 10.000 ppm (partes por milhão), e cultivadas sob tela de sombreamento a 40%. O enraizador é vendido na concentração desejada.
>>> AMBIENTE Exceto quanto às temperaturas muito quentes, a gipsofila apresenta tolerância a diferentes condições climáticas, mas tem melhor crescimento em locais onde predomina o frio. No entanto, registra bom desenvolvimento e florescimento em regiões de clima seco e fresco. A flor ainda deve ser cultivada em áreas com alta incidência de luminosidade, preferencialmente sob sol pleno.
>>> PLANTIO Nos canteiros, deve ser realizado no outono, para que a planta floresça durante os meses de inverno e primavera. São indicados solos porosos e leves, sem possibilidade de encharcamento. O mosquitinho também tem preferência pelos terrenos ricos em matéria orgânica e profundos, com 30 a 50 centímetros.
>>> ESPAÇAMENTO Para sementeira no solo, marque linhas distantes 10 centímetros umas das outras e coloque uma semente a cada 3 a 4 centímetros. Em bandejas e copinhos, usa-se uma semente por célula. Leva de oito a dez dias para germinar e, depois de 20 dias ou com 10 centímetros de altura, as mudas estão prontas para o transplante. A semeadura no plantio direto é feita em sulcos distanciados em 80 centímetros, deixando-se, após desbaste, um espaço de 50 centímetros entre as plantas de crescimento indeterminado e de 40 centímetros para as de crescimento determinado.
>>> CUIDADOS Aplique calcário para elevar o índice de saturação por bases a 80%, de acordo com a análise de solo. O pH ideal varia entre 6,5 e 7. Se disponível, 30 dias antes do plantio, adicione de 5 a 20 toneladas por hectare de esterco de curral curtido junto com o calcário. Quanto à adubação, use 30 quilos por hectare de N, 150 quilos por hectare de P2O5 e 30 quilos por hectare de K2O em cobertura. Parcelados em três vezes, aos 30, 60 e 90 dias após o plantio, acrescente 120 quilos por hectare de N e 120 quilos por hectare de K2O. Anualmente, faça análise de solo para conferir a necessidade de adubação. Sem encharcar, para não sufocar as raízes e matar a planta, irrigue a gipsofila de forma regular quando o solo estiver seco. As regas devem ser feitas no início ou no fim do dia.
>>> PRODUÇÃO Da gipsofila ocorre, em geral, entre os meses de maio e novembro, período que inclui o fim do inverno e avança pela primavera. Na colheita, corte as hastes próximo à base da planta com 60 a 70 centímetros de comprimento. Recomenda-se peso de 300 gramas, no mínimo, para a formação de maços das flores, que devem estar limpas e sem galhos, folhas murchas ou raízes. Duram de uma a duas semanas.

RAIO X

Solo: fértil, poroso, leve, rico em matéria orgânica e bem drenado
Clima: seco e fresco, com preferência por temperaturas baixas
Área mínima: podem ser plantadas em canteiros
Colheita: no inverno
Custo: R$ 2,50 é o preço médio da unidade


Texto retirado de:
 https://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-plantar/noticia/2017/12/como-plantar-gipsofila.html

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Como plantar: Ora-pro-nóbis


Usada como cerca viva, ornamentação e alimento, a hortaliça se desenvolve em vários tipos de solo e é pouco explorada comercialmente
                                                
                                
Texto João Mathias
Consultores Nuno R. Madeira e Georgeton S. R. Silveira*

 
Onde se planta, nasce. Quando cresce, serve de proteção e alimento. Repleta de flores, ainda deixa o ambiente mais bonito. Por meio da hortaliça ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), a natureza oferece múltiplos benefícios ao ser humano, o que seria motivo suficiente para a escolha de seu nome popular. Mas, conta-se que assim foi batizada pelo costume de ser colhida no quintal de uma igreja, para ser preparada para o almoço, quando o padre iniciava a reza final da missa da manhã.
'Rogai por nós' em português, ora-pro-nóbis é uma frase em latim nem sempre facilmente assimilada. Por isso, pode ser comum encontrar derivações dela, sendo por vezes chamada lobrobó ou orabrobó por agricultores de Minas Gerais, onde a planta é muito difundida na culinária local. Originária do continente americano, encontram-se variedades nativas dessa hortaliça perene, rústica e resistente à seca da Flórida, nos Estados Unidos, à região sudeste do Brasil. De fácil manejo e adaptação a diferentes climas e tipos de solo, produtiva e nutritiva, a ora-pro-nóbis é uma boa alternativa para produtores iniciantes no cultivo de hortaliças.
Ela pertence à família das cactáceas. Na idade adulta, sua estrutura em forma de arbusto torna-se uma excelente cerca viva, tanto para ser usada como quebra-vento quanto como barreira contra predadores. A existência de espinhos pontiagudos nos ramos inibe o avanço de invasores.
 
Rústica, a espécie pode ser cultivada em diversos tipos de solos
 
Perfumadas, pequenas, brancas com miolo alaranjado e ricas em pólen e néctar, as flores brotam na ora-pro-nóbis de janeiro a abril. De junho a julho, ocorre a produção de frutos em bagas amarelas e redondas. A generosa e bela floração é um ornamento ao ambiente, ideal para decoração natural de propriedades rurais, como chácaras, sítios e fazendas. A ora-pro-nóbis também pode ser plantada em quintais e jardins de residências. As folhas são a parte comestível da planta. Secas e moídas, elas são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas e refogados. Muita gente prefere consumir as folhas cruas em saladas, acompanhando o prato principal. Outros as usam como mistura para enriquecer farinha, massas e pães em geral. Galinha caipira com ora-pro-nóbis é prato tradicional da culinária mineira. É servido cotidianamente nas cidades históricas do estado, como Diamantina, Tiradentes, São João Del Rey e Sabará, onde anualmente há um festival da hortaliça.
In natura ou misturada na ração, animais também aproveitam os benefícios das folhas da ora-pro-nóbis. Elas estão entre as que possuem maior teor de proteína, com algumas variedades chegando a mais de 25% da matéria seca. Na medicina popular, elas são indicadas para aliviar processos inflamatórios e na recuperação da pele em casos de queimadura.
RAIO X
>>> SOLO: qualquer tipo
>>> CLIMA: tropical e subtropical
>>> ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada em jardins e quintais
>>> COLHEITA: a partir de 3 meses após o plantio
>>> CUSTO: órgãos de extensão rural do município podem fornecer estacas
MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO A variedade mais indicada para cultivo com fins comerciais é a que produz flores brancas. Elas podem ser fornecidas por órgãos de extensão rural ou em feiras de produtores.
>>> PLANTIO Sua rusticidade permite que seja cultivada em diversos tipos de solo, inclusive não exige que eles sejam férteis. A ora-pro-nóbis também se desenvolve em ambientes com incidência de sol ou meia--sombra. Inicie o plantio no começo do período das chuvas. A hortaliça é resistente à seca, mas o acesso à água nessa fase do cultivo estimula o crescimento dos ramos.
>>> PROPAGAÇÃO A ora-pro-nóbis é propagada por meio de estacas. Para conseguir melhor pegamento das mudas, use a região localizada entre as partes mais tenras e as mais lenhosas da haste. Corte cada estaca com 20 centímetros de comprimento e enterre um terço dele em substrato composto por uma parte de terra de subsolo e outra de esterco curtido. Após o enraizamento, transplante as mudas para o local definitivo.
>>> ESPAÇAMENTO Varia de acordo com a finalidade do cultivo. A ora-pro-nóbis pode ser usada como cerca viva, ornamentação e para consumo das folhas. Se a prioridade for o alimento, pode-se adensar o espaçamento, deixando de 1 a 1,30 metro entre fileiras e de 40 a 60 centímetros entre plantas. Mas as folhas podem ser consumidas em qualquer caso, mesmo se a destinação tiver fins ornamentais ou a construção de cerca viva.
>>> CUIDADOS Embora seja pouco exigente em adubações, mantenha bom nível de matéria orgânica no solo para um pleno desenvolvimento das plantas e boa produção de folhas. Faça manutenção a cada dois meses e execute podas dos ramos a cada 75 a 90 dias na estação chuvosa e a cada 90 a 100 dias na estação seca, quando a planta deve ser irrigada.
>>> PRODUÇÃO A partir de três meses após o plantio, pode ser iniciada a colheita das folhas da ora-pro--nóbis - após a poda dos galhos. As folhas devem apresentar de 7 a 10 centímetros de comprimento. Coloque luvas para a hora da coleta, a fim de evitar ferimentos pelos espinhos. Em geral, cada corte rende entre 2.500 e 5.000 quilos de folhas por hectare, variação que ocorre de acordo com a condução e a época de desenvolvimento da cultura.
*Nuno R. Madeira é pesquisador da Embrapa Hortaliças, BR-060, Km 09, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília, DF, tel. (61) 3385-9000, sac@cnph.embrapa.br; e Georgeton S. R. Silveira é extensionista da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), Rua Raja Gabaglia, 1626, Gutierrez, CEP 30441-194, Belo Horizonte, MG, tel. (31) 3349-8000, portal@emater.mg.gov.br
Onde adquirir mudas: órgãos de extensão rural do município ou feiras de produtores podem fornecer estacas
Mais informações:
o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a Emater-MG e a Embrapa Hortaliças estão lançando o Manual de hortaliças não convencionais; informações sobre a edição podem ser obtidas na Emater-MG, portal@emater.mg.gov.br ou pelo telefone (31) 3349-8000
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Como plantar: Gengibre

 
 
Espécie conhecida pelo homem há milênios, com raiz comestível de sabor picante, benéfica à saúde, pode ser plantada inclusive em vaso

Texto João Mathias
Consultora Eliane Gomes Fabri*

Em festa junina que se preze, quentão não pode faltar. Como sugere o nome, a bebida esquenta as tradicionais celebrações de santos populares que acontecem nos arraiais e em quermesses das cidades no mês de junho, com animadas danças de quadrilha e muita comida típica.
Feito com cachaça, açúcar e especiarias, o quentão se distingue pelo sabor picante do gengibre (Zingiber officinale Roscoe), seu principal ingrediente. Também conhecido como gingibre, gengivre, mangarataia e mangaratiá, sua parte comestível é o caule subterrâneo de uma planta com folhas verdes-escuras, que pode atingir mais de um metro de altura e é fácil de ser cultivada.
O gengibre é uma planta aromática que ainda tem uso na elaboração de licores, refrigerantes e em diversos pratos salgados e doces da cozinha oriental. Por meio de destilação em corrente a vapor, dele pode ser extraído e empregado no processo de produção de perfumes um óleo essencial, que contém propriedades terapêuticas, como cafeno, felandreno, zingibereno e zingerona. No Japão é comum aplicar o produto durante massagens de coluna e articulações.
PLANTAÇÃO de gengibre, erva de boa demanda por suas propriedades medicinais
 
O chá de gengibre ajuda no tratamento contra gripe, tosse, resfriado e até ressaca. Há locutores e cantores que afirmam mastigar pequenos pedaços de gengibre para cuidar bem da voz. A aplicação de banhos e compressas quentes é indicada para aliviar os sintomas provocados por doenças como gota, artrite, dores de cabeça e da coluna, inclusive diminui congestionamento nasal e cólicas menstruais. Longe de serem apenas crendice, os benefícios do gengibre à saúde humana são reconhecidos pela OMS - Organização Mundial da Saúde, especialmente quanto aos efeitos sobre o sistema digestivo. A OMS indica a hortaliça para evitar enjôos e náuseas.
Embora pouco difundido por aqui, o gengibre é utilizado pelo homem desde tempos imemoriais. De origem asiática, chegou à Europa no século XIV e, depois, já nos primeiros anos de colonização, ao Brasil. Bem adaptada às regiões de clima quente e úmido do país, ocorre na faixa litorânea que vai do Amazonas a Santa Catarina. As principais áreas de cultivo estão no Espírito Santo, sul de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
 
Raio X
SOLO: areno-argiloso, fértil e com boa drenagem
CLIMA: tropical e semitropical
ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada até em quintais de residências
COLHEITA: em média, 15 toneladas por hectare
CUSTO DA MUDA: varia de 60 centavos a um real
Mãos à obra
INÍCIO - a estação das chuvas é a indicada para iniciar o plantio de gengibre, em especial os meses de setembro a novembro. O gengibre prefere os climas tropical e subtropical, porém há variedades que se adaptam às temperaturas baixas de regiões mais frias. Entre as popularmente conhecidas estão a branca, azul e amarela. Dê preferência por mudas de qualidade e oriundas de lavouras que não sofreram ataque de doenças.
PLANTIO - o solo ideal é o argilo-arenoso, fértil, com pH entre 5,5 e 6,0 e boa drenagem. Embora a cultura necessite de muita água para se desenvolver, ela não suporta encharcamento. Troque de local a cada safra, para evitar queda nas próximas produções.
ADUBAÇÃO - recomenda-se para a adubação 240 quilos por hectare de P2O5, além de incorporar 30 quilos por hectare de N e 70 quilos por hectare de K20 nas amontoas - wcobertura de terra dos rizomas (ver item propagação). Caso seja necessário o uso de calcário para a correção do terreno, aplique o produto no mínimo três meses antes de começar o cultivo. O índice de saturação não pode estar abaixo de 50%.
ESPAÇAMENTO - deixe os sulcos de plantio com cerca de 15 centímetros de profundidade, oito centímetros a distância entre os rizomas e um metro entre as linhas.
PROPAGAÇÃO - o gengibre propaga-se por meio de gomos. São pedaços de rizoma com um a dois brotos. Em um mês, as mudas estão prontas para o transplante em local definitivo. Os rizomas devem ser cobertos com uma camada de dez centímetros de terra depois de plantados. Mas como crescem para cima, é preciso cobri-los periodicamente.
PRODUÇÃO - o tempo para colher o gengibre varia de sete a dez meses, o que ocorre entre junho e agosto. O amarelecimento das folhas avisa que o rizoma amadureceu. Ele pode ser extraído da terra manualmente. A produção por hectare pode atingir 15 toneladas do produto fresco e três toneladas do seco.
 
*Eliane Gomes Fabri é pesquisadora do Centro de Horticultura do IAC - Instituto Agronômico de Campinas, Plantas Medicinais Aromáticas, tel. (19) 3241-5188, ramal 354, efabri@iac.sp.gov.br
Onde comprar: O escritório do Incaper - Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, em Santa Leopoldina, ES, indica produtores, tel. (27) 3266-1177, santaleopoldina@incaper.es.gov.br
Mais informações: Iapar, Londrina, PR, Rod. Celso Garcia Cid, km 375, CEP 86047-902, Três Marcos, Caixa Postal 481, tel. (43) 3376-2000.
 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Como plantar azaleia

De intensas floradas e cores vibrantes, a espécie é de fácil plantio e alcança bons preços em um mercado que não para de crescer no país

POR JOÃO MATHIAS | CONSULTOR GIULIO CESARE STANCATO*
como_plantar_azaleia (Foto:  )
Em plena expansão, o mercado brasileiro de flores está oferecendo boas oportunidades para os produtores. Mesmo entre os pequenos agricultores e aqueles com pouca experiência na atividade, o cultivo dessas plantas ornamentais tem sido um negócio rentável e de sustento para várias famílias, inclusive em regiões áridas do país.
Opções de cultivares não faltam para quem deseja começar a atividade, mas profissionais que lidam diariamente com a beleza do produto ressaltam que sempre há as que mais se destacam entre os admiradores. De intensas floradas e cores vibrantes, as azaleias (Rhododendron simsii) são uma das flores mais apreciadas para enfeitar ambientes.
Da família Ericaceae, que reúne mais de 1.000 espécies, elas são classificadas em caducifólias e perenifólias – ou azaleias japonesas. Oriunda da China e dotada de folhagem verde-escura, a azaleia é uma planta perene, com portes que vão dos tipos arbustivos, capazes de formar cercas vivas, a cultivares de tamanhos menores, incluindo até a versão bonsai.
azaleia_flores_como_plantar (Foto:  )

Simples ou dobradas, a possibilidade de ser cultivadas em vasos, jardineiras e jardins favorece ainda mais a escolha pelas azaleias para uma pequena produção. Branco, rosa, vermelho e tons mesclados são as principais cores da flor, que tem plantio espalhado pelo mundo.
No Brasil, os volumes de produção e venda se destacam nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O custo do plantio estabelecido e praticado nessas regiões, dada a importância que possuem no plantio de azaleias no país, é base para a formação de preços da flor. No varejo de várias praças com produtores tradicionais, os exemplares em vasos têm valores que vão de R$ 8 a R$ 30.
Apesar de resistentes, as azaleias estão sujeitas a ataques de algumas pragas, que podem ser combatidas com inseticidas biodegradáveis e à base de água. Em geral, tornam-se vulneráveis ao avanço de pulgões, cochonilhas, tripes e moscas-minadoras por causa das condições inadequadas do processo de plantio. Entre elas estão regas irregulares, condições deficientes de luz e/ou de ventilação, baixa umidade relativa ou muitas plantas instaladas em uma área muito restrita.
RAIO X
>>> SOLO: 
ácido
>>> CLIMA: preferem temperatura amena
>>> ÁREA MÍNIMA: vasos e jardineiras
>>> FLORESCIMENTO: a partir de um ano de formação da muda
>>> CUSTO: R$ 15 é o preço da caixa com 15 mudas
MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO 
Há diversas opções de azaleias para começar o plantio da flor. Contudo, a mais popular entre os brasileiros é a espécie Rhododendron indicum (cv. simsii) Planck, que, após o melhoramento genético, exibe cultivares de cor roxa, rosa, branca, salmão, lilás, vermelho e mesclada.
>>> AMBIENTE Desenvolvem-se melhor em climas mais amenos, mas também florescem em climas mais quentes. Regas são necessárias ao longo da vida da planta, mas apenas a cada dois ou três dias, uma vez que as azaleias não são exigentes em água. Elas ainda crescem melhor em solos ou substratos bem drenados e que permitem a variação de umidade.
>>> PROPAGAÇÃO Realizada sexuadamente, por meio de sementes, tem como fim atender a programas de hibridação para obter novas cultivares. Quando assexuada, que é o método mais empregado pelos produtores, são retiradas com folhas estacas de aproximadamente 7 a 10 centímetros do ponteiro de ramos que não sejam muito lenhosos nem muito herbáceos. Em seguida, devem ser tratadas com reguladores de crescimento, que promovem e aceleram a formação de raízes. Mas recomenda-se que o estaqueamento seja realizado em uma casa de vegetação, sobretudo nos meses mais quentes. Em geral, são necessárias seis semanas para ocorrer o enraizamento adequado da estaca.
>>> PLANTIO Deve ser a pleno sol, porém, dependendo da espécie ou cultivar, também pode ser à meia-luz. O solo deve ser composto de terra de jardim e vegetal, sendo uma parte dele para uma de areia, além de 3% de matéria orgânica. Não há necessidade de realizar a calagem, pois as azaleias gostam de solos ácidos. Para a adubação, adote formulações de liberação lenta (10:10:10), que permitem ser realizadas quatro vezes ao ano.
>>> COVA Abra um espaço que tenha o dobro do tamanho do torrão da muda e forre o fundo com 5 a 7 centímetros de areia. Junto com a mistura de um composto com adubo animal, plante a muda de modo que as raízes fiquem protegidas de um contato direto com o material. Até que a muda inicie o desenvolvimento, regue em dias alternados.
>>> PODAS São necessárias para a formação de novos brotos e renovação da folhagem após o florescimento. O desbaste pode ser feito de acordo com o formato da planta e a altura desejada. Na primavera, realize a poda dos ramos secos ou muito compridos para maior aeração através das azaleias. Esse processo dificulta a colonização de pragas e, ao mesmo tempo, provoca a brotação das gemas. Elimine ainda as flores murchas para forçar a abertura dos demais botões florais.
>>> CUIDADOS Fungos, bactérias ou vírus podem causar doenças nas azaleias. A queda de folhas cinza-escuro, que antes estavam esbranquiçadas, é sinal de ataque de oídio, cujo controle é reforçado com redução da frequência de regas e o isolamento da planta atacada. No caso da presença da seca de ponteiros, podridão marrom escura que se inicia na ponta do ramo e pode atingir a haste principal da azaleia, faça podas da região doente e passe no corte uma pasta à base de oxicloreto de cobre. Excesso de umidade no solo ou no ambiente estimula o aparecimento do fungo que deixa nas folhas manchas com aparência de ferrugem.
>>> FLORESCIMENTO Por meio de técnicas de controle do fotoperíodo e da temperatura apropriada, a azaleia pode florescer dentro de ambientes em qualquer estação do ano.


*GIULIO CESARE STANCATO é pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Av. Theodureto de Almeida Camargo, 1500, CEP 13075-630, Campinas (SP), tel. (19) 3241-9091, gstancato@hotmail.com 
ONDE COMPRAR: em Holambra (SP), a ProntaFlora e a Cooperativa Veiling Holambra comercializam azaleias produzidas pela empresa De Wit Plantas (www.dewitplantas.com.br ); no Mercado de Flores da Ceasa Campinas há vendedores da planta ornamental (www.ceasacampinas.com.br/novo/Inst_Flores.asp ); e na Ceagesp São Paulo (www.ceagesp.gov.br/varejo/  e www.feiraflores.com.br ), onde também há vendas no atacado às segundas e quintas-feiras, tels. (11) 4655-3409 ou (11) 9735-1485 e (11) 7320-0976 ou (11) 7320-0976
MAIS INFORMAÇÕES: Aproccamp (Associação dos Produtores e Comerciantes do Mercado de Flores de Campinas), tel. (19) 3746-1608. Outras unidades da Ceagesp que realizam a Feira de Flores estão instaladas em Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto e Sorocaba
http://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-plantar/noticia/2013/12/como-plantar-azaleia.html

Como plantar jaca

Sem grandes problemas com ataque de pragas e doenças, a fruteira se adapta bem ao clima quente e pode gerar diversos subprodutos

POR JOÃO MATHIAS

agricultura_jaca_fruta (Foto: Candido Neto/Ed. Globo)
A jaca é uma fruta que não passa despercebida. Tem cheiro característico, que de longe pode ser sentido, além de tamanho e peso que a destacam entre as maiores do mundo, oferecendo volume que rende produção de suco, polpa congelada, sorvete, licor, doce em calda, compota e geleia.
As sementes, que servem de aperitivo quando assadas ou cozidas e de farinha para o preparo de biscoitos se moídas em grande quantidade, completam a lista de derivados da fruta mais conhecidos entre os brasileiros e que podem gerar lucro ao produtor.
Novidade para muitos, a jaca ainda pode ser cozida como um vegetal para alimentação. Na Índia, de onde a fruta é originária, a polpa é fermentada para ser aproveitada como matéria-prima para a fabricação de aguardente. In natura, no entanto, é a forma mais comum de ser consumida em todos os lugares onde é cultivada.
Doce e saborosa, a jaca é dotada de muita fibra, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas do complexo B, sendo sua polpa comestível um alimento saudável para todos. Está madura e pronta para ser consumida assim que a casca torna-se amarelo-acastanhada. Com medidas que variam de 22 a 90 centímetros de comprimento e 13 a 50 centímetros de diâmetro, a fruta apresenta peso entre 3 e 60 quilos.
Com desenvolvimento vigoroso em países de clima tropical, a jaqueira (A. heterophyllus) foi trazida para cá pelos portugueses no século XVIII e teve boa adaptação, sobretudo nas regiões de temperaturas mais quentes na maior parte do ano. Atualmente, tem plantio concentrado nos limites da Amazônia e pelo litoral que se estende do Pará até o sul do país.
Cada jaqueira pode produzir anualmente de 50 a 100 frutos, os quais também têm uso na medicina popular. No tratamento de tosses, o bago é recomendado, enquanto a semente é indicada para reequilibrar desarranjos intestinais. Há quem adote a resina expelida da árvore como cicatrizante. A jaqueira, de copa irregular e altura entre 15 e 25 metros, cujos frutos nascem nos galhos e troncos mais grossos, é até apreciada como planta ornamental.
Mãs à obra
>>> INÍCIO 
Se a escolha for pelo plantio de sementes, elas devem ser de frutos oriundos de jaqueiras precoces, sadias e vigorosas. Contudo, podem ser encontradas em viveiristas e em lojas de produtos agropecuários mudas de pé-franco, que são produzidas a partir de sementes. O preço, dependendo do tamanho, pode oscilar de R$ 5 a R$ 15. Indica-se ter mais de uma variedade no pomar para obter uma boa produção.
>>> ambiente A jaqueira prefere locais onde prevalece o calor, principalmente regiões quentes e úmidas. Tem bom desenvolvimento e produção de qualidade, inclusive em locais de clima subtropical e semiárido, se adotado o uso de irrigação. Concentre o cultivo da planta em dias com bastante sol, temperatura média de 25 C e chuvas bem distribuídas.
>>> PLANTIO Indica-se realizar o plantio da jaqueira na época em que se inicia a estação das águas. Os solos devem ser férteis, bem profundos e drenados. Dê preferência para o tipo areno-argiloso com pH entre 6 e 6,5, sem que haja possibilidade de encharcamentos. Quando plantada em locais de temperaturas mais elevadas, a semente chega a germinar espontaneamente.
>>> TRANSPLANTIO A semeadura deve ser diretamente em pequenos sacos pretos individuais, com medidas de 20 x 30 centímetros. Antes, preencha cada unidade com uma mistura de terra areno-argilosa. Também podem ser utilizadas três partes de terra de mata e uma de esterco de curral bem curtido. Desbaste as mudas quando atingirem 5 centímetros de altura, procedimento que vai deixá-las mais vigorosas. O transplantio para o local definitivo deve ser feito apenas quando as mudas alcançarem de 15 a 20 centímetros de altura, ou mais.
>>> covas A abertura precisa ser feita com dois meses de antecedência do plantio, nas medidas 50 x 50 x 50 centímetros ou 60 x 60 x 60 centímetros. Como as mudas necessitam de sombreamento parcial no início do plantio, folhas de palmeiras podem ajudar na cobertura de 50% da área de cultivo. A incidência de luz no terreno vai ganhando mais espaço com o crescimento das plantas.
>>> cuidados Apesar de rústica, a jaqueira pode ser atacada por predadores como abelha-cachorro, arlequim-da-mata, besouro-do-fruto e cochonilhas. As doenças que mais incidem na planta são a antracnose e a podridão parda.
>>> PRODUÇÃO Pelo perfume acentuado das jacas, é possível identificar que chegou o momento da colheita. Estão prontos para colher após 180 a 200 dias do florescimento. No entanto, assegure o amadurecimento pressionando a casca com os dedos. Ela deve estar firme e com as saliências bem destacadas e amarelas.
Raio X
Solo: 
profundo, fértil e bem drenado
Clima: tropical e úmido
Área mínima: são indicadas de 2 a 3 plantas para pomares domésticos e de 50 a 100 unidades para plantios comerciais
Colheita: a partir do florescimento, ocorre em 180 a 200 dias
Custo: varia de R$ 5 a R$ 15, dependendo do tamanho
*Luiz Carlos Donadio é engenheiro agrônomo e consultor do portal TodaFruta (www.todafruta.com.br), Via de Acesso Prof. Paulo Donatto Castelane, s/no, Jaboticabal (SP), CEP 14884-900, tel. (16) 3209-2692
Onde comprar: em viveiristas que podem ser indicados pela Associação Brasileira de Frutas Raras (ABFR), www.abfrutasraras.com

Mais informações: Donadio, L. C.; Nachtigal, J. C; e Sacraento, C. K. do. Frutas exóticas. Funep. Jaboticabal. 1998. 279 p. Donadio, L. C. Dicionário das frutas. Jaboticabal. 2007. 300p. Donadio, L. C. e Posella, R. P. Valor nutricional de frutas. 2011
http://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-plantar/noticia/2014/07/como-plantar-jaca.html

Empresa brasileira cria tampas de garrafas que viram peças de montar


Por Carol Bento | 


Poder reutilizar embalagens nem sempre é possível, normalmente tudo que consumimos é jogado no lixo ou reciclado. Foi pensando nisso que surgiu as Clever Caps, tampinhas com duas vidas que funcionam para fechar garrafas e como pecinhas de montar.
Um projeto que reúne inovação, criatividade e sustentabilidade.  A ideia foi do CEO da Clever Pack, Claudio Patrick Vollers, que criou uma solução sustentável com novo conceito para as tampas, o do reúso, que diminui o impacto ambiental comparado com o ciclo da reciclagem.
As Clever Caps foram desenvolvidas para funcionar na maioria das roscas de garrafas do mercado. Além de cumprir a função como tampa de garrafa, elas também se encaixam uma às outras e podem ser reutilizadas para criar combinações como brinquedos, peças de decoração e ainda são compatíveis com as peças de Lego, possibilitando outras formas de utilização.
As primeiras embalagens estão sendo utilizadas desde abril deste ano nas garrafas de água Petrópolis Paulista.
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Com tetos solares, bairro alemão já produz quatro vezes mais energia do que consome

Por Marcos Luppi | 

Alguém ainda tem dúvida de que esse é o caminho?
Limpa, segura e abundante, a energia solar está, sem dúvida,entre os mais sustentáveis e melhores meios para obter energia elétrica. E por falar em sustentabilidade, quantas soluções sustentáveis são possíveis em um único bairro, cidade ou comunidade? Uma grande prova disso é o vilarejo alemão conhecido como Schlierberg, que nos mostra que os alemães realmente entendem e levam a sério o tema.
Share on facebookShare on twitteLimpa, segura e abundante, a energia solar está, sem dúvida, entre os mais sustentáveis e melhores meios para obter energia elétrica. E por falar em sustentabilidade, quantas soluções sustentáveis são possíveis em um único bairro, cidade ou comunidade? Uma grande prova disso é o vilarejo alemão conhecido como Schlierberg, que nos mostra que os alemães realmente entendem e levam a sério o tema.
As 59 residências que compõem o bairro de aproximadamente 11.000 m² (há ainda um edifício comercial, chamado de Sun Ship – Navio Solar) são feitas de madeira. Praticam o reuso de água de chuva, usam materiais ecológicos, isolamento térmico a vácuo e um ambiente livre de carros, pois todos ficam em um estacionamento no Sun Ship, também fazem parte do escopo e dão um show de respeito às pessoas e à natureza.
Mas não para por aí, a característica que mais chama a atenção em Schlierberg é sua eficiência. Extremamente bem projetada, a vila “usa e abusa” de telhados feitos com placas fotovoltaicas, que como resultado geram cerca 4 vezes mais energia elétrica do que o necessário para consumo próprio. Tamanha eficiência proporciona a não emissão de aproximadamente 500 toneladas de CO2 na atmosfera, segundo dados do próprio arquiteto responsável pelo projeto, Rolf Disch.
Confira abaixo algumas imagens do local, que além de eficiente é muito bonito.
Solarsiedlung_Dachaufsicht
Solarsiedlung_Sonnenschiff_Penthaus
Plusenergiehaus_Westseite
Innenaufnahme_3  
http://razoesparaacreditar.com/cultivar/com-tetos-solares-bairro-alemao-ja-produz-quatro-vezes-mais-energia-do-que-consome/

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