quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Como plantar: Ora-pro-nóbis


Usada como cerca viva, ornamentação e alimento, a hortaliça se desenvolve em vários tipos de solo e é pouco explorada comercialmente
                                                
                                
Texto João Mathias
Consultores Nuno R. Madeira e Georgeton S. R. Silveira*

 
Onde se planta, nasce. Quando cresce, serve de proteção e alimento. Repleta de flores, ainda deixa o ambiente mais bonito. Por meio da hortaliça ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), a natureza oferece múltiplos benefícios ao ser humano, o que seria motivo suficiente para a escolha de seu nome popular. Mas, conta-se que assim foi batizada pelo costume de ser colhida no quintal de uma igreja, para ser preparada para o almoço, quando o padre iniciava a reza final da missa da manhã.
'Rogai por nós' em português, ora-pro-nóbis é uma frase em latim nem sempre facilmente assimilada. Por isso, pode ser comum encontrar derivações dela, sendo por vezes chamada lobrobó ou orabrobó por agricultores de Minas Gerais, onde a planta é muito difundida na culinária local. Originária do continente americano, encontram-se variedades nativas dessa hortaliça perene, rústica e resistente à seca da Flórida, nos Estados Unidos, à região sudeste do Brasil. De fácil manejo e adaptação a diferentes climas e tipos de solo, produtiva e nutritiva, a ora-pro-nóbis é uma boa alternativa para produtores iniciantes no cultivo de hortaliças.
Ela pertence à família das cactáceas. Na idade adulta, sua estrutura em forma de arbusto torna-se uma excelente cerca viva, tanto para ser usada como quebra-vento quanto como barreira contra predadores. A existência de espinhos pontiagudos nos ramos inibe o avanço de invasores.
 
Rústica, a espécie pode ser cultivada em diversos tipos de solos
 
Perfumadas, pequenas, brancas com miolo alaranjado e ricas em pólen e néctar, as flores brotam na ora-pro-nóbis de janeiro a abril. De junho a julho, ocorre a produção de frutos em bagas amarelas e redondas. A generosa e bela floração é um ornamento ao ambiente, ideal para decoração natural de propriedades rurais, como chácaras, sítios e fazendas. A ora-pro-nóbis também pode ser plantada em quintais e jardins de residências. As folhas são a parte comestível da planta. Secas e moídas, elas são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas e refogados. Muita gente prefere consumir as folhas cruas em saladas, acompanhando o prato principal. Outros as usam como mistura para enriquecer farinha, massas e pães em geral. Galinha caipira com ora-pro-nóbis é prato tradicional da culinária mineira. É servido cotidianamente nas cidades históricas do estado, como Diamantina, Tiradentes, São João Del Rey e Sabará, onde anualmente há um festival da hortaliça.
In natura ou misturada na ração, animais também aproveitam os benefícios das folhas da ora-pro-nóbis. Elas estão entre as que possuem maior teor de proteína, com algumas variedades chegando a mais de 25% da matéria seca. Na medicina popular, elas são indicadas para aliviar processos inflamatórios e na recuperação da pele em casos de queimadura.
RAIO X
>>> SOLO: qualquer tipo
>>> CLIMA: tropical e subtropical
>>> ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada em jardins e quintais
>>> COLHEITA: a partir de 3 meses após o plantio
>>> CUSTO: órgãos de extensão rural do município podem fornecer estacas
MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO A variedade mais indicada para cultivo com fins comerciais é a que produz flores brancas. Elas podem ser fornecidas por órgãos de extensão rural ou em feiras de produtores.
>>> PLANTIO Sua rusticidade permite que seja cultivada em diversos tipos de solo, inclusive não exige que eles sejam férteis. A ora-pro-nóbis também se desenvolve em ambientes com incidência de sol ou meia--sombra. Inicie o plantio no começo do período das chuvas. A hortaliça é resistente à seca, mas o acesso à água nessa fase do cultivo estimula o crescimento dos ramos.
>>> PROPAGAÇÃO A ora-pro-nóbis é propagada por meio de estacas. Para conseguir melhor pegamento das mudas, use a região localizada entre as partes mais tenras e as mais lenhosas da haste. Corte cada estaca com 20 centímetros de comprimento e enterre um terço dele em substrato composto por uma parte de terra de subsolo e outra de esterco curtido. Após o enraizamento, transplante as mudas para o local definitivo.
>>> ESPAÇAMENTO Varia de acordo com a finalidade do cultivo. A ora-pro-nóbis pode ser usada como cerca viva, ornamentação e para consumo das folhas. Se a prioridade for o alimento, pode-se adensar o espaçamento, deixando de 1 a 1,30 metro entre fileiras e de 40 a 60 centímetros entre plantas. Mas as folhas podem ser consumidas em qualquer caso, mesmo se a destinação tiver fins ornamentais ou a construção de cerca viva.
>>> CUIDADOS Embora seja pouco exigente em adubações, mantenha bom nível de matéria orgânica no solo para um pleno desenvolvimento das plantas e boa produção de folhas. Faça manutenção a cada dois meses e execute podas dos ramos a cada 75 a 90 dias na estação chuvosa e a cada 90 a 100 dias na estação seca, quando a planta deve ser irrigada.
>>> PRODUÇÃO A partir de três meses após o plantio, pode ser iniciada a colheita das folhas da ora-pro--nóbis - após a poda dos galhos. As folhas devem apresentar de 7 a 10 centímetros de comprimento. Coloque luvas para a hora da coleta, a fim de evitar ferimentos pelos espinhos. Em geral, cada corte rende entre 2.500 e 5.000 quilos de folhas por hectare, variação que ocorre de acordo com a condução e a época de desenvolvimento da cultura.
*Nuno R. Madeira é pesquisador da Embrapa Hortaliças, BR-060, Km 09, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília, DF, tel. (61) 3385-9000, sac@cnph.embrapa.br; e Georgeton S. R. Silveira é extensionista da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), Rua Raja Gabaglia, 1626, Gutierrez, CEP 30441-194, Belo Horizonte, MG, tel. (31) 3349-8000, portal@emater.mg.gov.br
Onde adquirir mudas: órgãos de extensão rural do município ou feiras de produtores podem fornecer estacas
Mais informações:
o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a Emater-MG e a Embrapa Hortaliças estão lançando o Manual de hortaliças não convencionais; informações sobre a edição podem ser obtidas na Emater-MG, portal@emater.mg.gov.br ou pelo telefone (31) 3349-8000
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Como plantar: Gengibre

 
 
Espécie conhecida pelo homem há milênios, com raiz comestível de sabor picante, benéfica à saúde, pode ser plantada inclusive em vaso

Texto João Mathias
Consultora Eliane Gomes Fabri*

Em festa junina que se preze, quentão não pode faltar. Como sugere o nome, a bebida esquenta as tradicionais celebrações de santos populares que acontecem nos arraiais e em quermesses das cidades no mês de junho, com animadas danças de quadrilha e muita comida típica.
Feito com cachaça, açúcar e especiarias, o quentão se distingue pelo sabor picante do gengibre (Zingiber officinale Roscoe), seu principal ingrediente. Também conhecido como gingibre, gengivre, mangarataia e mangaratiá, sua parte comestível é o caule subterrâneo de uma planta com folhas verdes-escuras, que pode atingir mais de um metro de altura e é fácil de ser cultivada.
O gengibre é uma planta aromática que ainda tem uso na elaboração de licores, refrigerantes e em diversos pratos salgados e doces da cozinha oriental. Por meio de destilação em corrente a vapor, dele pode ser extraído e empregado no processo de produção de perfumes um óleo essencial, que contém propriedades terapêuticas, como cafeno, felandreno, zingibereno e zingerona. No Japão é comum aplicar o produto durante massagens de coluna e articulações.
PLANTAÇÃO de gengibre, erva de boa demanda por suas propriedades medicinais
 
O chá de gengibre ajuda no tratamento contra gripe, tosse, resfriado e até ressaca. Há locutores e cantores que afirmam mastigar pequenos pedaços de gengibre para cuidar bem da voz. A aplicação de banhos e compressas quentes é indicada para aliviar os sintomas provocados por doenças como gota, artrite, dores de cabeça e da coluna, inclusive diminui congestionamento nasal e cólicas menstruais. Longe de serem apenas crendice, os benefícios do gengibre à saúde humana são reconhecidos pela OMS - Organização Mundial da Saúde, especialmente quanto aos efeitos sobre o sistema digestivo. A OMS indica a hortaliça para evitar enjôos e náuseas.
Embora pouco difundido por aqui, o gengibre é utilizado pelo homem desde tempos imemoriais. De origem asiática, chegou à Europa no século XIV e, depois, já nos primeiros anos de colonização, ao Brasil. Bem adaptada às regiões de clima quente e úmido do país, ocorre na faixa litorânea que vai do Amazonas a Santa Catarina. As principais áreas de cultivo estão no Espírito Santo, sul de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
 
Raio X
SOLO: areno-argiloso, fértil e com boa drenagem
CLIMA: tropical e semitropical
ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada até em quintais de residências
COLHEITA: em média, 15 toneladas por hectare
CUSTO DA MUDA: varia de 60 centavos a um real
Mãos à obra
INÍCIO - a estação das chuvas é a indicada para iniciar o plantio de gengibre, em especial os meses de setembro a novembro. O gengibre prefere os climas tropical e subtropical, porém há variedades que se adaptam às temperaturas baixas de regiões mais frias. Entre as popularmente conhecidas estão a branca, azul e amarela. Dê preferência por mudas de qualidade e oriundas de lavouras que não sofreram ataque de doenças.
PLANTIO - o solo ideal é o argilo-arenoso, fértil, com pH entre 5,5 e 6,0 e boa drenagem. Embora a cultura necessite de muita água para se desenvolver, ela não suporta encharcamento. Troque de local a cada safra, para evitar queda nas próximas produções.
ADUBAÇÃO - recomenda-se para a adubação 240 quilos por hectare de P2O5, além de incorporar 30 quilos por hectare de N e 70 quilos por hectare de K20 nas amontoas - wcobertura de terra dos rizomas (ver item propagação). Caso seja necessário o uso de calcário para a correção do terreno, aplique o produto no mínimo três meses antes de começar o cultivo. O índice de saturação não pode estar abaixo de 50%.
ESPAÇAMENTO - deixe os sulcos de plantio com cerca de 15 centímetros de profundidade, oito centímetros a distância entre os rizomas e um metro entre as linhas.
PROPAGAÇÃO - o gengibre propaga-se por meio de gomos. São pedaços de rizoma com um a dois brotos. Em um mês, as mudas estão prontas para o transplante em local definitivo. Os rizomas devem ser cobertos com uma camada de dez centímetros de terra depois de plantados. Mas como crescem para cima, é preciso cobri-los periodicamente.
PRODUÇÃO - o tempo para colher o gengibre varia de sete a dez meses, o que ocorre entre junho e agosto. O amarelecimento das folhas avisa que o rizoma amadureceu. Ele pode ser extraído da terra manualmente. A produção por hectare pode atingir 15 toneladas do produto fresco e três toneladas do seco.
 
*Eliane Gomes Fabri é pesquisadora do Centro de Horticultura do IAC - Instituto Agronômico de Campinas, Plantas Medicinais Aromáticas, tel. (19) 3241-5188, ramal 354, efabri@iac.sp.gov.br
Onde comprar: O escritório do Incaper - Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, em Santa Leopoldina, ES, indica produtores, tel. (27) 3266-1177, santaleopoldina@incaper.es.gov.br
Mais informações: Iapar, Londrina, PR, Rod. Celso Garcia Cid, km 375, CEP 86047-902, Três Marcos, Caixa Postal 481, tel. (43) 3376-2000.
 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Como plantar azaleia

De intensas floradas e cores vibrantes, a espécie é de fácil plantio e alcança bons preços em um mercado que não para de crescer no país

POR JOÃO MATHIAS | CONSULTOR GIULIO CESARE STANCATO*
como_plantar_azaleia (Foto:  )
Em plena expansão, o mercado brasileiro de flores está oferecendo boas oportunidades para os produtores. Mesmo entre os pequenos agricultores e aqueles com pouca experiência na atividade, o cultivo dessas plantas ornamentais tem sido um negócio rentável e de sustento para várias famílias, inclusive em regiões áridas do país.
Opções de cultivares não faltam para quem deseja começar a atividade, mas profissionais que lidam diariamente com a beleza do produto ressaltam que sempre há as que mais se destacam entre os admiradores. De intensas floradas e cores vibrantes, as azaleias (Rhododendron simsii) são uma das flores mais apreciadas para enfeitar ambientes.
Da família Ericaceae, que reúne mais de 1.000 espécies, elas são classificadas em caducifólias e perenifólias – ou azaleias japonesas. Oriunda da China e dotada de folhagem verde-escura, a azaleia é uma planta perene, com portes que vão dos tipos arbustivos, capazes de formar cercas vivas, a cultivares de tamanhos menores, incluindo até a versão bonsai.
azaleia_flores_como_plantar (Foto:  )

Simples ou dobradas, a possibilidade de ser cultivadas em vasos, jardineiras e jardins favorece ainda mais a escolha pelas azaleias para uma pequena produção. Branco, rosa, vermelho e tons mesclados são as principais cores da flor, que tem plantio espalhado pelo mundo.
No Brasil, os volumes de produção e venda se destacam nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O custo do plantio estabelecido e praticado nessas regiões, dada a importância que possuem no plantio de azaleias no país, é base para a formação de preços da flor. No varejo de várias praças com produtores tradicionais, os exemplares em vasos têm valores que vão de R$ 8 a R$ 30.
Apesar de resistentes, as azaleias estão sujeitas a ataques de algumas pragas, que podem ser combatidas com inseticidas biodegradáveis e à base de água. Em geral, tornam-se vulneráveis ao avanço de pulgões, cochonilhas, tripes e moscas-minadoras por causa das condições inadequadas do processo de plantio. Entre elas estão regas irregulares, condições deficientes de luz e/ou de ventilação, baixa umidade relativa ou muitas plantas instaladas em uma área muito restrita.
RAIO X
>>> SOLO: 
ácido
>>> CLIMA: preferem temperatura amena
>>> ÁREA MÍNIMA: vasos e jardineiras
>>> FLORESCIMENTO: a partir de um ano de formação da muda
>>> CUSTO: R$ 15 é o preço da caixa com 15 mudas
MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO 
Há diversas opções de azaleias para começar o plantio da flor. Contudo, a mais popular entre os brasileiros é a espécie Rhododendron indicum (cv. simsii) Planck, que, após o melhoramento genético, exibe cultivares de cor roxa, rosa, branca, salmão, lilás, vermelho e mesclada.
>>> AMBIENTE Desenvolvem-se melhor em climas mais amenos, mas também florescem em climas mais quentes. Regas são necessárias ao longo da vida da planta, mas apenas a cada dois ou três dias, uma vez que as azaleias não são exigentes em água. Elas ainda crescem melhor em solos ou substratos bem drenados e que permitem a variação de umidade.
>>> PROPAGAÇÃO Realizada sexuadamente, por meio de sementes, tem como fim atender a programas de hibridação para obter novas cultivares. Quando assexuada, que é o método mais empregado pelos produtores, são retiradas com folhas estacas de aproximadamente 7 a 10 centímetros do ponteiro de ramos que não sejam muito lenhosos nem muito herbáceos. Em seguida, devem ser tratadas com reguladores de crescimento, que promovem e aceleram a formação de raízes. Mas recomenda-se que o estaqueamento seja realizado em uma casa de vegetação, sobretudo nos meses mais quentes. Em geral, são necessárias seis semanas para ocorrer o enraizamento adequado da estaca.
>>> PLANTIO Deve ser a pleno sol, porém, dependendo da espécie ou cultivar, também pode ser à meia-luz. O solo deve ser composto de terra de jardim e vegetal, sendo uma parte dele para uma de areia, além de 3% de matéria orgânica. Não há necessidade de realizar a calagem, pois as azaleias gostam de solos ácidos. Para a adubação, adote formulações de liberação lenta (10:10:10), que permitem ser realizadas quatro vezes ao ano.
>>> COVA Abra um espaço que tenha o dobro do tamanho do torrão da muda e forre o fundo com 5 a 7 centímetros de areia. Junto com a mistura de um composto com adubo animal, plante a muda de modo que as raízes fiquem protegidas de um contato direto com o material. Até que a muda inicie o desenvolvimento, regue em dias alternados.
>>> PODAS São necessárias para a formação de novos brotos e renovação da folhagem após o florescimento. O desbaste pode ser feito de acordo com o formato da planta e a altura desejada. Na primavera, realize a poda dos ramos secos ou muito compridos para maior aeração através das azaleias. Esse processo dificulta a colonização de pragas e, ao mesmo tempo, provoca a brotação das gemas. Elimine ainda as flores murchas para forçar a abertura dos demais botões florais.
>>> CUIDADOS Fungos, bactérias ou vírus podem causar doenças nas azaleias. A queda de folhas cinza-escuro, que antes estavam esbranquiçadas, é sinal de ataque de oídio, cujo controle é reforçado com redução da frequência de regas e o isolamento da planta atacada. No caso da presença da seca de ponteiros, podridão marrom escura que se inicia na ponta do ramo e pode atingir a haste principal da azaleia, faça podas da região doente e passe no corte uma pasta à base de oxicloreto de cobre. Excesso de umidade no solo ou no ambiente estimula o aparecimento do fungo que deixa nas folhas manchas com aparência de ferrugem.
>>> FLORESCIMENTO Por meio de técnicas de controle do fotoperíodo e da temperatura apropriada, a azaleia pode florescer dentro de ambientes em qualquer estação do ano.


*GIULIO CESARE STANCATO é pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Av. Theodureto de Almeida Camargo, 1500, CEP 13075-630, Campinas (SP), tel. (19) 3241-9091, gstancato@hotmail.com 
ONDE COMPRAR: em Holambra (SP), a ProntaFlora e a Cooperativa Veiling Holambra comercializam azaleias produzidas pela empresa De Wit Plantas (www.dewitplantas.com.br ); no Mercado de Flores da Ceasa Campinas há vendedores da planta ornamental (www.ceasacampinas.com.br/novo/Inst_Flores.asp ); e na Ceagesp São Paulo (www.ceagesp.gov.br/varejo/  e www.feiraflores.com.br ), onde também há vendas no atacado às segundas e quintas-feiras, tels. (11) 4655-3409 ou (11) 9735-1485 e (11) 7320-0976 ou (11) 7320-0976
MAIS INFORMAÇÕES: Aproccamp (Associação dos Produtores e Comerciantes do Mercado de Flores de Campinas), tel. (19) 3746-1608. Outras unidades da Ceagesp que realizam a Feira de Flores estão instaladas em Araçatuba, Bauru, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto e Sorocaba
http://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-plantar/noticia/2013/12/como-plantar-azaleia.html

Como plantar jaca

Sem grandes problemas com ataque de pragas e doenças, a fruteira se adapta bem ao clima quente e pode gerar diversos subprodutos

POR JOÃO MATHIAS

agricultura_jaca_fruta (Foto: Candido Neto/Ed. Globo)
A jaca é uma fruta que não passa despercebida. Tem cheiro característico, que de longe pode ser sentido, além de tamanho e peso que a destacam entre as maiores do mundo, oferecendo volume que rende produção de suco, polpa congelada, sorvete, licor, doce em calda, compota e geleia.
As sementes, que servem de aperitivo quando assadas ou cozidas e de farinha para o preparo de biscoitos se moídas em grande quantidade, completam a lista de derivados da fruta mais conhecidos entre os brasileiros e que podem gerar lucro ao produtor.
Novidade para muitos, a jaca ainda pode ser cozida como um vegetal para alimentação. Na Índia, de onde a fruta é originária, a polpa é fermentada para ser aproveitada como matéria-prima para a fabricação de aguardente. In natura, no entanto, é a forma mais comum de ser consumida em todos os lugares onde é cultivada.
Doce e saborosa, a jaca é dotada de muita fibra, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas do complexo B, sendo sua polpa comestível um alimento saudável para todos. Está madura e pronta para ser consumida assim que a casca torna-se amarelo-acastanhada. Com medidas que variam de 22 a 90 centímetros de comprimento e 13 a 50 centímetros de diâmetro, a fruta apresenta peso entre 3 e 60 quilos.
Com desenvolvimento vigoroso em países de clima tropical, a jaqueira (A. heterophyllus) foi trazida para cá pelos portugueses no século XVIII e teve boa adaptação, sobretudo nas regiões de temperaturas mais quentes na maior parte do ano. Atualmente, tem plantio concentrado nos limites da Amazônia e pelo litoral que se estende do Pará até o sul do país.
Cada jaqueira pode produzir anualmente de 50 a 100 frutos, os quais também têm uso na medicina popular. No tratamento de tosses, o bago é recomendado, enquanto a semente é indicada para reequilibrar desarranjos intestinais. Há quem adote a resina expelida da árvore como cicatrizante. A jaqueira, de copa irregular e altura entre 15 e 25 metros, cujos frutos nascem nos galhos e troncos mais grossos, é até apreciada como planta ornamental.
Mãs à obra
>>> INÍCIO 
Se a escolha for pelo plantio de sementes, elas devem ser de frutos oriundos de jaqueiras precoces, sadias e vigorosas. Contudo, podem ser encontradas em viveiristas e em lojas de produtos agropecuários mudas de pé-franco, que são produzidas a partir de sementes. O preço, dependendo do tamanho, pode oscilar de R$ 5 a R$ 15. Indica-se ter mais de uma variedade no pomar para obter uma boa produção.
>>> ambiente A jaqueira prefere locais onde prevalece o calor, principalmente regiões quentes e úmidas. Tem bom desenvolvimento e produção de qualidade, inclusive em locais de clima subtropical e semiárido, se adotado o uso de irrigação. Concentre o cultivo da planta em dias com bastante sol, temperatura média de 25 C e chuvas bem distribuídas.
>>> PLANTIO Indica-se realizar o plantio da jaqueira na época em que se inicia a estação das águas. Os solos devem ser férteis, bem profundos e drenados. Dê preferência para o tipo areno-argiloso com pH entre 6 e 6,5, sem que haja possibilidade de encharcamentos. Quando plantada em locais de temperaturas mais elevadas, a semente chega a germinar espontaneamente.
>>> TRANSPLANTIO A semeadura deve ser diretamente em pequenos sacos pretos individuais, com medidas de 20 x 30 centímetros. Antes, preencha cada unidade com uma mistura de terra areno-argilosa. Também podem ser utilizadas três partes de terra de mata e uma de esterco de curral bem curtido. Desbaste as mudas quando atingirem 5 centímetros de altura, procedimento que vai deixá-las mais vigorosas. O transplantio para o local definitivo deve ser feito apenas quando as mudas alcançarem de 15 a 20 centímetros de altura, ou mais.
>>> covas A abertura precisa ser feita com dois meses de antecedência do plantio, nas medidas 50 x 50 x 50 centímetros ou 60 x 60 x 60 centímetros. Como as mudas necessitam de sombreamento parcial no início do plantio, folhas de palmeiras podem ajudar na cobertura de 50% da área de cultivo. A incidência de luz no terreno vai ganhando mais espaço com o crescimento das plantas.
>>> cuidados Apesar de rústica, a jaqueira pode ser atacada por predadores como abelha-cachorro, arlequim-da-mata, besouro-do-fruto e cochonilhas. As doenças que mais incidem na planta são a antracnose e a podridão parda.
>>> PRODUÇÃO Pelo perfume acentuado das jacas, é possível identificar que chegou o momento da colheita. Estão prontos para colher após 180 a 200 dias do florescimento. No entanto, assegure o amadurecimento pressionando a casca com os dedos. Ela deve estar firme e com as saliências bem destacadas e amarelas.
Raio X
Solo: 
profundo, fértil e bem drenado
Clima: tropical e úmido
Área mínima: são indicadas de 2 a 3 plantas para pomares domésticos e de 50 a 100 unidades para plantios comerciais
Colheita: a partir do florescimento, ocorre em 180 a 200 dias
Custo: varia de R$ 5 a R$ 15, dependendo do tamanho
*Luiz Carlos Donadio é engenheiro agrônomo e consultor do portal TodaFruta (www.todafruta.com.br), Via de Acesso Prof. Paulo Donatto Castelane, s/no, Jaboticabal (SP), CEP 14884-900, tel. (16) 3209-2692
Onde comprar: em viveiristas que podem ser indicados pela Associação Brasileira de Frutas Raras (ABFR), www.abfrutasraras.com

Mais informações: Donadio, L. C.; Nachtigal, J. C; e Sacraento, C. K. do. Frutas exóticas. Funep. Jaboticabal. 1998. 279 p. Donadio, L. C. Dicionário das frutas. Jaboticabal. 2007. 300p. Donadio, L. C. e Posella, R. P. Valor nutricional de frutas. 2011
http://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-plantar/noticia/2014/07/como-plantar-jaca.html

Empresa brasileira cria tampas de garrafas que viram peças de montar


Por Carol Bento | 


Poder reutilizar embalagens nem sempre é possível, normalmente tudo que consumimos é jogado no lixo ou reciclado. Foi pensando nisso que surgiu as Clever Caps, tampinhas com duas vidas que funcionam para fechar garrafas e como pecinhas de montar.
Um projeto que reúne inovação, criatividade e sustentabilidade.  A ideia foi do CEO da Clever Pack, Claudio Patrick Vollers, que criou uma solução sustentável com novo conceito para as tampas, o do reúso, que diminui o impacto ambiental comparado com o ciclo da reciclagem.
As Clever Caps foram desenvolvidas para funcionar na maioria das roscas de garrafas do mercado. Além de cumprir a função como tampa de garrafa, elas também se encaixam uma às outras e podem ser reutilizadas para criar combinações como brinquedos, peças de decoração e ainda são compatíveis com as peças de Lego, possibilitando outras formas de utilização.
As primeiras embalagens estão sendo utilizadas desde abril deste ano nas garrafas de água Petrópolis Paulista.
Clever-Caps-2Clever-Capsclevercaps2clevercaps3clevercaps4garrafa-de-água-mineral-da-Águas-Petrópolis-Paulista-com-tampas-Clever-Caps

Com tetos solares, bairro alemão já produz quatro vezes mais energia do que consome

Por Marcos Luppi | 

Alguém ainda tem dúvida de que esse é o caminho?
Limpa, segura e abundante, a energia solar está, sem dúvida,entre os mais sustentáveis e melhores meios para obter energia elétrica. E por falar em sustentabilidade, quantas soluções sustentáveis são possíveis em um único bairro, cidade ou comunidade? Uma grande prova disso é o vilarejo alemão conhecido como Schlierberg, que nos mostra que os alemães realmente entendem e levam a sério o tema.
Share on facebookShare on twitteLimpa, segura e abundante, a energia solar está, sem dúvida, entre os mais sustentáveis e melhores meios para obter energia elétrica. E por falar em sustentabilidade, quantas soluções sustentáveis são possíveis em um único bairro, cidade ou comunidade? Uma grande prova disso é o vilarejo alemão conhecido como Schlierberg, que nos mostra que os alemães realmente entendem e levam a sério o tema.
As 59 residências que compõem o bairro de aproximadamente 11.000 m² (há ainda um edifício comercial, chamado de Sun Ship – Navio Solar) são feitas de madeira. Praticam o reuso de água de chuva, usam materiais ecológicos, isolamento térmico a vácuo e um ambiente livre de carros, pois todos ficam em um estacionamento no Sun Ship, também fazem parte do escopo e dão um show de respeito às pessoas e à natureza.
Mas não para por aí, a característica que mais chama a atenção em Schlierberg é sua eficiência. Extremamente bem projetada, a vila “usa e abusa” de telhados feitos com placas fotovoltaicas, que como resultado geram cerca 4 vezes mais energia elétrica do que o necessário para consumo próprio. Tamanha eficiência proporciona a não emissão de aproximadamente 500 toneladas de CO2 na atmosfera, segundo dados do próprio arquiteto responsável pelo projeto, Rolf Disch.
Confira abaixo algumas imagens do local, que além de eficiente é muito bonito.
Solarsiedlung_Dachaufsicht
Solarsiedlung_Sonnenschiff_Penthaus
Plusenergiehaus_Westseite
Innenaufnahme_3  
http://razoesparaacreditar.com/cultivar/com-tetos-solares-bairro-alemao-ja-produz-quatro-vezes-mais-energia-do-que-consome/

http://razoesparaacreditar.com/cultivar/com-tetos-solares-bairro-alemao-ja-produz-quatro-vezes-mais-energia-do-que-consome/
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Carne bovina é dez vezes mais custosa ao meio ambiente, diz estudo


PUBLICADO . EM CONSUMO RESPONSÁVEL
Produção de gado bovino demanda de mais recursos naturais, como terra e água, que outras culturas (Foto: Cristino Martins/O Liberal)
Criação de gado bovino demanda mais recursos naturais que demais culturas.
Estudo foi publicado nesta semana na revista científica 'PNAS'.
Da EFE
O gado bovino demanda 28 vezes mais terra e 11 vezes mais irrigação que os suínos e as aves, e uma dieta com sua carne é dez vezes mais custosa para o meio ambiente, segundo um estudo publicado esta semana pela revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a "PNAS".
A equipe observou as cinco fontes principais de proteínas na dieta dos americanos: produtos lácteos, carne bovina, carne de aves, carne de suínos e ovos. O propósito era calcular os custos ambientais por unidade nutritiva, isto é uma caloria ou grama de proteína. A composição do índice encontrou dificuldades dada à complexidade e variações na produção dos alimentos derivados de animais.
Por exemplo, o gado pastoreado na metade ocidental dos Estados Unidos emprega enormes superfícies de terra, mas muito menos água de irrigação que em outras regiões, enquanto o gado em currais e alimentado com ração consome principalmente milho, que requer menos terra, mas muito mais água e adubos nitrogenados.
A informação que os pesquisadores usaram como base para seu estudo proveio, majoritariamente, dos bancos de dados do Departamento de Agricultura.
Os insumos agropecuários levados em consideração incluíram o uso da terra, da água de irrigação, das emissões dos gases que contribuem ao aquecimento atmosférico, e do uso de adubos nitrogenados.
Carne 'cara'
Os cálculos mostraram que o alimento humano de origem animal com o custo ambiental mais elevado é a carne bovina: dez vezes mais alto que todos os outros produtos alimentícios de origem animal, inclusive carne suína e de aves. "O gado requer, na média, 28 vezes mais terra e 11 vezes mais água de irrigação, emite cinco vezes mais gases e consome seis vezes mais nitrogênio que a produção de ovos ou carne de aves", indica o estudo.
Por seu lado, a produção de carne suína ou de aves, os ovos e os lácteos mostraram custos ambientais similares. Os autores se mostraram surpreendidos pelo custo ambiental da produção de lácteos, considerada em geral menos onerosa para o ambiente.
Se for levado em conta o preço de irrigação e os adubos que se aplicam na produção da ração que alimenta o gado bovino para ordenha assim como a ineficiência relativa das vacas comparadas com outros bovinos, o custo ambiental dos lácteos sobe substancialmente.
A pesquisa foi conduzida por Ron Milo do Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot (Israel), com a colaboração de pesquisadores do Centro Canadense de Pesquisa de Energias Alternativas, do Conselho Europeu de Pesquisa, e Charles Rotschild e Selmo Nissenbaum, do Brasil.

Fonte: G1 Natureza.