sábado, 30 de julho de 2011

Embaúba (Cecropia pachystachya)

Taxonomia e Nomenclatura

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Subclasse: Rosidae
Ordem: Rosales
Familia: Urticaceae
Gênero: Cecropia
Espécie: Cecropia pachystachya, Löfling

As espécies do gênero Cecropia apresentam-se largamente distribuídas na região Neotropical. Apresentam crescimento rápido e são abundantes em áreas perturbadas e em estágios iniciais de processos sucessionais
(Santos, 2000). Caracterizam-se por serem árvores perenifólias e heliófitas e seus frutos carnosos são apreciados por muitas espécies de aves e mamíferos, responsáveis pela dispersão de suas minúsculas sementes (Lorenzi, 2002).
No Brasil, cinco espécies do gênero são ocorrentes: Cecropia glaziou Sneth, C. hololeuca Miq, C. pachystachya Trécul, C. purpurascens Berg e C. sciadophylla Mart. C. pachystachya, popularmente conhecida como Embaúba (Pott & Pott, 1994; Santos, 2000).



Nomes populares: A Cecropia pachystachya (embaúba), também conhecida pelos nomes de umbaúba, imbaúba, embaúva, umbaúba-do-brejo, árvore-da-preguiça, umbaubeira, pau-de-lixa, umbaúba- branca, árvore-da-preguiça, entre outras (Hikawczuk et al., 1998; Hashimoto, 2002)
 
Sinonímia botânica - Cecropia adenopus Mart. ex Miq.

Descrição botânica
 
Forma biológica: árvores perenifólias e heliófitas. As árvores podem atingir uma altura de 4 a 7 m.

Tronco: variando de 15-25 cm de diâmetro, normalmente com colônias de formigas.

Ramificação: ramificado apenas na região superior. Em seus galhos e no caule aparecem os nós semelhantes como os do bambu. Os galhos, compridos, crescem paralelamente ao solo, porém levemente inclinados para cima.

Casca: caulinares. A casca é dotada de fibras muito resistentes.

Folhas: Folhas simples, palmatífidas, com incisões que às vezes atigem o pecíolo, formando de 9 a 13 segmetos, com face superior áspera e a inferior com densa camada de pêlos esbranquiçados.

Inflorescências: Espécie dióica com inflorescências masculinas ramificadas, com segmentos organizados aos pares, mais o menos pêndulas. As femininas, também aos pares, são pêndulas na frutificação, com bráctea pilosa

Flores: Diversos cachos de flores miúdas embelezam cada galho. A flor possui duas a quatro cálices; não possui pétalas. Flor macho e flor fêmea se abrem em diferentes pés, ou seja, a planta é dióica. Existem em diferentes pés, ou seja, a planta é dióica. Existem um a quatro estames e o único pistilo aparece na parte superior a dos estames.

Frutos: Eixo da infrutescência carnoso, apresentando numerosos frutos oblongos embutidos, com cerca de 2 mm de comprimento. O fruto é núcula com endosperma na semente. Há haste comprida na folha palmatífida, que normalmente se divide em nove partes. A haste se localiza próxima à extremidade da folha.
Finos, alongados e quando estão maduros a polpa fica estufada e macia. Os frutos são procurados pelas aves e servem de alimento a várias espécies de peixes, como pacu, piracanjuba e outros (Balbachas, 1960).

Sementes: Por haver numerosas sementes por infrutescência, sua taxa de germinação natural é baixa, com a emergência ocorrendo entre 25-40 dias da semeadura (Lorenzi, 2002). Esta baixa taxa de germinação sugere que a espécie necessite de indutores de germinação, pois no ambiente natural, as plantas possuem uma forte relação mutualística junto aos vertebrados que se alimentam de seus frutos e dispersam suas sementes. De acordo com Francisco & Galletti (2002), a deposição dos propágulos a diferentes distâncias da planta-mãe assegura a colonização da espécie vegetal em novos ambientes.
Dentro deste contexto, a qualidade da dispersão depende em grande parte dos fatores pós-dispersão que afetam o destino das sementes e das condições para seu estabelecimento. No caso específico da endozoocoria, o padrão de defecação tem potencial de afetar o destino das sementes dispersas (Andresen, 2002). O mesmo autor aponta que os ácidos e enzimas digestivas muitas vezes aceleram o processo de germinação, por quebrarem a rigidez da casca das sementes.
Esta escarificação química, sem danos a semente, propicia trocas gasosas com o meio e/ou a eliminação de inibidores de germinação presentes, além de facilitar a penetração de água e a reativação dos processos metabólicos (Metivier, 1986; Traveset & Verdú, 2002), podendo determinar a eficiência da germinação
(Kunz, 1982; Kerbauy, 2004).



Biologia reprodutiva e eventos fenológicos

Sistema sexual: essa espécie é dióica, com flores funcionalmente masculina ou feminina.

Vetor de polinização: polinizada pelo vento, produz grande quantidade de sementes dispersas por pássaros e morcegos.

Floração: A floração ocorre de maio a outubro

Frutificação: A frutificação ocorre de maio a setembro

Dispersão de frutos e sementes: A embauba produz uma grande quantidade de frutos alongados, que possuem uma grande quantidade de sementes. Em um quilo de grãos, contamos um milhão de sementes aproximadamente. Por outro lado, a dispersão dela é feita por inúmeros vertebrados. É praticamente a árvore que tem o maior número de animais dispersores da floresta. São aves, morcegos, macacos. Enfim, uma infinidade de animais que se alimentam dela e vão dispersar ao longo da floresta, onde ela vai cumprir seu papel quando for necessário.

Ocorrência Natural

Distribuição geográfica: Essa planta se distribui desde o México até a Argentina. No Brasil, situa-se principalmente no litoral do Nordeste, passando por Sudeste, Centro-Oeste e chegando até Santa Catarina. Está presente tanto na área dos cerrados quanto na de florestas variadas e formações do complexo atlântico (ESALQ - USP, 2003).



Aspectos Ecológicos

Grupo ecológico ou sucessional: O sombreamento do solo por esta espécie é um mecanismo ecológico de inibição, em que uma espécie ou grupo de espécies limita o desenvolvimento de outras através de comportamentos antagonistas ou repelindo-as com substâncias químicas (Ricklefs, 2003).

Importância sociológica: No Brasil, existem cerca de 40 espécies de embaubas. São diferentes em tamanho e formato das folhas, mas todas dão um fruto muito doce, rico em energia e adorado pela bicharada. Poucas horas de observação em embaubas frutificadas, e qualquer um se impressiona com a quantidade de espécies que visita a planta para comer. Aves onde a mão da natureza não economizou nas cores e tons, como araçaris, sanhaço-da-amazônia, sanhaço-do-coqueiro, japuaçu, anambé-azul, tucano-de-bico-preto, saíra-de-cabeça-castanha, saíra-ouro, saíra-de-bando e o sete-cores-da-amazônia.
Para germinar, a semente de embauba precisa de muita luz. Então, somente em ambientes que foram abertos, que as sementes puderam encontrar uma condição de muita luz, crescerem e se tornarem um bosque formado unicamente por embaubas. E podem oferecer esses frutos para uma série de animais e estes vão regenrenado a mata.
Com a evolução da regeneração, o ambiente vai se transformando. E com o crescimento das outras árvores, as embaubas vão encontrando ambientes mais fechados, de pouca luz. Assim, só alguns indivíduos mais antigos ainda estão conseguem captar luz lá no alto. A grande maioria vai morrendo e sendo substituída por espécies florestais.


Biomas / Tipos de Vegetação

Cerrados
- Centro-Oeste do Brasil

Florestas variadas e formações do complexo atlântico (ESALQ - USP, 2003)

Pode ser encontrada no Ceará, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul até Santa Catarina, em várias formações vegetais.

Clima: tropical úmido (Aw), segundo a classificação de Köppen com uma estação chuvosa no verão bem definida, e estação seca no inverno. A precipitação pluvial média anual situa-se em torno de 1.500 milímetros, com os meses de menor precipitação de junho a agosto (Mato Grosso do Sul, 1990).

Solos: Planta perenifólia, heliófita, pioneira e seletiva higrófita, característica de solos úmidos em beira de matas e em suas clareiras. Prefere as matas secundárias, sendo rara no interior da mata primária densa; pode ser encontrada também em capoeiras novas situadas junto à vertentes ou cursos d'água e em terrenos baixos com lençol freático superficial. No interior de seu tronco ôco (entrenós) abriga formigas. É característica de solos de maior umidade, típica da borda de matas, clareiras grandes e de estradas e tem preferência pelos locais ensolarados, sendo rara sua presença no interior de matas fechadas.

Sementes: Coletar os frutos diretamente da árvore quando estiverem maduros, o que é facilmente notado pela presença de frutos mordidos por pássaros. Em seguida deixá-los em repouso por alguns dias para iniciar a decomposição e facilitar sua maceração em água. As sementes são separadas filtrando-se a suspensão de frutos e deixando-se o filtrado secar ao sol. Um quilograma de sementes contém aproximadamente 800.000 unidades.

Produção de Mudas

Colocar as sementes para germinar logo que colhidas em canteiros à pleno sol contendo substrato argiloso. A emergência ocorre em 25-40 dias e a germinação é baixa. Transplantar as mudas para embalagens individuais quando atingirem 3-5 cm; estas podem ser plantadas no local definitivo em menos de 3 meses.



Características Silviculturais

Diante da facilidade de dispersão de suas sementes e da rapidez no crescimento, esta planta é indispensável em reflorestamentos heterogêneos de áreas degradadas, além disso pode também ser utilizada em paisagismo urbano, devido à beleza de suas folhas e copa.
As embaúbas são árvores leves, característica de solos úmidos em beira de matas e em suas clareiras. Como possuem caule e ramos ocos, vivem em simbiose com formigas especialmente as do gênero Azteca, que habitam no seu interior e que as protegem de animais herbívoros - daí seu nomes castelhanos de hormigo ou hormiguillo.

Melhoramento e Conservação de Recursos Genéticos

Ainda há poucos estudos em relação ao melhoramento genético

Características da madeira

Madeira leve (densidade 0,41 g/cm ), macia ao corte, superfície lisa ao tato, de baixa durabilidade natural.

Produtos e utilizações

Os frutos são comestíveis e muito procurados pelas aves, bugios, morcegos e servem também de alimento a várias espécies de peixes, como o pacu, a piracanjuba e outros. A madeira pode ser empregada como flutuadores em jangadas e embarcações em geral, para confecção de salto de calçados, brinquedos, lápis, palito-de-fósforo, forros e pasta celulósica. A casca é dotada de fibras muito resistentes utilizadas diretamente como embira, bem como para a confecção de cordas rústicas. As folhas, muito ásperas, são utilizadas como lixa de madeira, além de constituir-se no único alimento do bicho-preguiça. Suas raízes, folhas, flores, cascas, frutos e brotos são utilizados localmente com fins medicinais. Suas folhas e frutos são usados no tratamento da diabete, sendo úteis também contra a tosse e bronquite. Aumenta a energia do músculo cardíaco sem multiplicar os batimentos do coração. O suco obtido da raíz é um poderoso diurético. É uma excelente planta forrageira, com o gado chegando a consumir até os ramos. As embaúbas são consideradas árvores muito elegantes e ornamentais, possuindo grande potencial para uso paisagístico. Pelas características de rusticidade e rápido crescimento, não pode faltar em qualquer projeto de reflorestamento heterogêneo com fins preservacionistas.


Principais doenças

Segundo Lorenzi (1998), a madeira de embaúba, em condições adversas, é extremamente suscetível ao ataque de organismos xilófagos (bactérias, fungos etc.).


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