segunda-feira, 27 de junho de 2011

30% das águas brasileiras têm qualidade ruim ou péssima

SOS Mata Atlântica analisou 43 fontes e concluiu que nenhuma delas é considerada boa nem para o consumo humano nem para a indústria

Uma pesquisa feita pela Organização Não Governamental SOS Mata Atlântica analisou, ao longo de 2010, 43 fontes de águas naturais em 12 Estados e no Distrito Federal e concluiu que nenhuma das amostras estudadas apresentou qualidade boa ou ótima. Em 70% dos rios, lagos e córregos, a qualidade do recurso era regular, 25% considerada ruim e 5% péssima.
Baseada em parâmetros definidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), o levantamento constatou que o principal agente de poluição é o esgoto doméstico e demonstrou que as águas precisam de tratamento para qualquer uso, seja para o consumo ou para indústria.
Para realizar a análise, a equipe classificou a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos). Os indicadores considerados são basicamente ligados à falta de saneamento básico: presença de bactérias, larvas e vermes, espuma, vários tipos de resíduos sólidos e orgânicos, mau cheiro e baixa quantidade de oxigênio na água.
Espírito Santo e Pernambuco têm as fontes de água com as melhores condições, mas ainda com classificação regular: rio Doce, em Linhares (ES), e lagoa Maracajá, na cidade de Lagoa dos Gatos (PE).
Já as piores fontes hídricas ficam na Bahia e no Rio de Janeiro: o rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), e o lago do Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro (RJ).
Segundo Malu Ribeiro, coordenadora do programa Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, este resultado indica a necessidade urgente de se adotar ações em defesa da boa qualidade da água em todo o país.
“Com a ação, queremos despertar nas pessoas a necessidade de mudança de comportamento. Encontramos rios cada vez mais comprometidos, mesmo em regiões em que imaginávamos boas condições”, explica. “As populações poderiam se envolver mais e formar grupos voltados a acompanhar a situação destes rios e, dessa forma, cobrar medidas adequadas das autoridades”, recomenda.


Foto: Patricia Patriota Palma/Local: Itiquira, Goiás
Foto: Patricia Patriota Palma/Local: Itiquira, Goiás

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