sexta-feira, 24 de junho de 2011

Como criar: Tucano

O bico longo e colorido é a marca registrada da espécie, criada apenas com autorização do Ibama
por João Mathias | Consultor Vinicius Ferreira
 
 Shutterstock 
Nas eleições presidenciais de 2010, os tucanos não conseguiram nas urnas votação suficiente para eleger seu candidato, mas a criação doméstica da ave símbolo do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ganha cada vez mais simpatizantes entre os brasileiros. De beleza exótica, a ave ornamental agrada a todos. Embora inquieta, tem no mercado de animal de companhia um bom comércio, tanto que, atualmente, a procura é maior que a oferta.

Quem tem sítio, chácara ou casa de veraneio é potencial comprador de tucano. Mas as vendas para residências urbanas também é expressiva. Lojas de produtos pet – animais de estimação – são canais intermediários do varejo para atender ao cliente em grandes centros urbanos. Porém, alguns produtores conseguem valores maiores com a oferta de tucano diretamente ao mercado por meio de sites na internet. A criação de tucano é viável para qualquer tamanho de estrutura. Contudo, é fundamental ter autorização do Ibama para iniciar a atividade, posto que a espécie é classificada como ave silvestre. Apesar de não ser uma criação difícil, ela demanda muita paciência e cuidados. Além disso, a participação de um profissional especializado, como um veterinário, zootecnista ou biólogo, é importante para acompanhar o desenvolvimento dos animais.

A marca registrada do tucano é seu bico longo e colorido, que contrasta com a pelagem negra e vistosa do pássaro. Poroso e leve, o bico também é usado pela ave para amedrontar predadores e, também, para conquistar a companheira – ao entardecer, em um movimento curioso, o tucano esconde o bico sob as asas e levanta o rabo, formando um leque. Espécie nativa das Américas, o tucano é encontrado na natureza entre o México e a Argentina. Ele é representante das aves da família Ramphastidae. Por aqui, existem o Ramphastos toco, de bico amarelo e mais conhecido; o Ramphastos vitelinus, de bico preto; o Ramphastos dicolorus, de bico verde; e o Ramphastos tucanus, de bico amarelo e preto.

Com o desenvolvimento de rações de alta qualidade, encontradas facilmente nas lojas especializadas, a criação comercial tornou-se mais difundida pelo país. Nos primeiros manejos domésticos, ainda no início da década de 1990, havia apenas alguns criatórios no Rio de Janeiro, Goiás e na Região Sul. Hoje é possível encontrá-los por todo o Brasil.
 RAIO X
CRIAÇÃO MÍNIMA: três casais
CUSTO: R$ 7 mil o casal (da espécie Ramphastos toco)
RETORNO: a partir de cinco anos
REPRODUÇÃO: de 3 a 5 anos de vida
 MÃOS À OBRA
INÍCIO: Ao adquirir matrizes e reprodutores, dê preferência à aquisição de aves de criador conhecido. Compre filhotes, mais fáceis de domesticar e formar casais.
AMBIENTE: O tucano é monogâmico. A criação é feita aos casais. Cada par deve habitar uma área separada do viveiro.
VIVEIRO: Um terço da área de criação deve ser coberta, a fim de proteger as aves do excesso de sol e de chuvas intensas. As aves precisam de banhos de sol nas horas mais frescas do dia e de chuvas amenas. As medidas recomendadas para o viveiro são seis metros de comprimento, de 2,5 a três metros de largura e três de altura.
ACESSÓRIOS: Instale um ninho de madeira de um metro de altura por 40 centímetros de largura e profundidade, com uma abertura na parte superior, para o acesso da ave, e outra abertura na parte inferior, para facilitar o manejo. O comedouro e o bebedouro devem ficar suspensos a pelo menos um metro do chão.
ALIMENTAÇÃO: O tucano é frugívoro. Forneça sementes e frutas picadas diariamente, mas evite as cítricas e os alimentos ricos em ferro. Como necessita de proteína na dieta, ele caça insetos. No hábitat natural, chega a comer pequenas presas, como lagarto, perereca e ratos, ou até ovos de outras aves. Em cativeiro, se alimenta ainda de ração específica, disponível no mercado. Assegure água limpa e fresca no bebedouro.
REPRODUÇÃO: O tucano atinge a maturidade sexual entre 3 e 5 anos de idade. A reprodução ocorre durante a primavera e o verão, de setembro a março. Nos meses de outono e em dezembro, eles não realizam postura. O macho costuma fazer a corte por meio da regurgitação de alimento no bico da fêmea, a qual, então, o chama para o ninho; o casal bate os bicos e arruma o ninho. São colocados de dois a quatro ovos por postura, e a incubação leva 18 dias. Para conseguir até três posturas por ano, retire os ovos do ninho antes de iniciar o choco.

*Vinicius Ferreira, zootecnista da MVZB Consultoria em Animais Selvagens, tel. (21) 7848-1418, mvzbconsultoria@gmail.com

Onde adquirir: indicações de criadores podem ser obtidas na Abrase (Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de Animais Silvestres e Exóticos), tel. (21) 2501-2612, abrase@ism.com.br; o Ibama também possui contatos de criatórios registrados na instituição, tel. (61) 3316-1649
Mais informações: para orientações sobre autorização de criação de animais exóticos e silvestres, entrar em contato com o Ibama, SCEN Trecho 2, Caixa Postal 09870, CEP 70818-900, Brasília, DF, tel. (61) 3316-1649, ascom.sede@ibama.gov.br

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