sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como plantar: Coco

O coqueiro se desenvolve bem em locais com boa distribuição de chuvas no ano, onde predomina clima quente e alta luminosidade



João Mathias
Fotos: Oswaldo Maricato/Ed.Globo; Ernesto de Souza; Amilton Vieira/Ed.Globo



A imagem de coqueiros balançando ao vento é quase um sinônimo de litoral nordestino. Não por acaso, é nessa região de clima escaldante durante quase o ano todo que se encontra a maior parte das plantações do Brasil. Nos últimos anos, no entanto, vem ocorrendo um deslocamento das áreas tradicionais de cultivo para outras partes do país. Produtores do Sudeste e Centro-Oeste estão explorando a cultura do coqueiro-anão irrigado, para a produção de água de coco.

No mundo, os coqueiros são cultivados em sua maioria por pequenos agricultores da Ásia, África, América Latina e Pacífico. O coqueiro-gigante, que atinge 18 metros de altura, está no Brasil desde o século 16, enquanto o anão, que bate nos dez metros de altura, chegou por aqui nos anos 20 do século passado.

Além da sombra, a árvore oferece uma fruta bastante apreciada e com diferentes finalidades. Do coco aproveita-se a água, que é bastante saudável pela riqueza de sais minerais. Já sua polpa é utilizada pela indústria para a fabricação de leite de coco e de coco ralado, ingrediente para a elaboração de chocolates, biscoitos, iogurtes e sorvetes, entre outros alimentos. A fibra extraída da casca é usada em estofamentos de veículos, enchimento de colchões, tapeçaria e na confecção de pincéis.

Apesar do leque de opções, a decisão do agricultor para começar a atividade deve levar em conta a demanda do mercado. Como a produção ocorre, pelo menos, depois de três anos, é importante avaliar se as características locais são ideais para o desenvolvimento do fruto.

Variedades

Entre as muitas variedades de coco existentes no mercado brasileiro, as que mais sobressaem são a gigante e a anão. Dos plantios de coqueiros no país, aproximadamente 70% são da cultivar gigante e 20% da anão. O restante é composto de híbridos originados de cruzamentos. O anão ainda possui três tipos: verde, vermelho e amarelo, mas apenas o verde é explorado para a produção de água.

Mãos à obra

• Antes de iniciar o plantio, observe as condições de clima, solo e a qualidade da muda. Os coqueirais se desenvolvem bem em lugares com temperaturas elevadas. O ideal é por volta de uma média anual de 27 graus.

• Áreas com boa distribuição de chuvas - precipitação anual de 1,5 mil milímetros - são as mais indicadas. Uma dica é começar a lavoura de coqueiros no início da estação das chuvas. Caso contrário, utilize um sistema de irrigação.

• Entre as variedades, o coqueiro-gigante é o mais rústico, florescendo entre seis e oito anos após o plantio. O longo tempo para começar a atividade é compensado pela produção de 40 a 60 frutos por planta ao ano. Sob condições favoráveis, o período de produção econômica é de 60 anos.

• Já o anão, mais exigente em água e nutrientes, se desenvolve mais cedo, depois de quatro anos do cultivo. Possui frutos pequenos e tem menor vida útil, ou 40 anos de produção. Mas é mais produtivo: 150 a 200 frutos por planta ao ano.

• Em terrenos pequenos, a indicação é cultivar o coqueiro híbrido - mistura das duas variedades -, que produz de 100 a 120 frutos. Em uma área de um hectare, dá para plantar 100 árvores, em espaçamentos de 10 x 10 metros.

• Trinta dias antes do cultivo, abra covas de 60 x 60 x 60 a 80 x 80 x 80 centímetros para preencher com terra três quilos de adubo orgânico e 800 gramas de superfosfato simples. Fixe a muda no solo sem enterrar o caule. Depois de um mês, com 300 gramas de uréia e 200 gramas de cloreto de potássio, incorpore o adubo ao solo.

Dados gerais

• Família: pertence à espécie Cocos nucifera L., com destaque às variedades typica (gigante) e nana (anão).

• Plantio: início do período das chuvas em áreas não irrigadas.

• Solo: leves, bem drenados, bom suprimento de água.

• Clima: quente, média de 27 graus e não abaixo de 15 graus.

• Culinária: receitas nordestinas como moquecas, vatapá, cocadas, cuscuz de tapioca, e mingaus, bolos, doces e sorvetes.

• Uso medicinal: a água é rica em potássio e sais minerais, e substitui o soro fisiológico em casos de desidratação.

• Colheita: seis meses após a inflorescência, quando a finalidade for obtenção de água, e 12 meses para coco seco.

• Área: 100 plantas por hectare.

• Investimento: com um real a muda e adubação, estima-se mil reais para iniciar a cultura.

• Onde comprar: Embrapa - Rod. BR-122, km 50, C.P. 516, Petrolina, PE, tel. (85) 3862-2845; Univale, Souza, PB, tel. (83) 3522-3057; Ascondir - Ass. Concessionários do Distrito Irrigado, Platô de Neópolis, SE, tel. (79) 3322-2075

Investimento

• A plantação de coqueiros pode ser realizada com mão-de-obra familiar, o que ajuda a reduzir parte dos custos.

• Em um hectare, com 100 plantas sem irrigação, os gastos estimados no primeiro ano de preparo de área, plantio e manutenção aproximam-se de 1.000 reais. Esse valor inclui o preço da muda, que sai por volta de um real, e gastos com adubação e tratos culturais.

• À Medida que o coqueiro cresce, a planta passa a exigir mais adubos, mas a partir do terceiro ano de plantação inicia o retorno dos investimentos.





Consultor: Humberto Rollemberg Fontes, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Av. Beira Mar, 3250, CEP 49025-040, tel. (79) 4009-1344, sac@cpatc.embrapa.br

Mais informações: Luiz Antonio Junqueira Teixeira, engenheiro agrônomo, pesquisador do Centro de Solos e Recursos Ambientais do IAC, Av. Barão de Itapura, 1481, Caixa Postal 28, CEP 13001-970, Campinas, SP, tel. (19) 3231-5422, teixeira@iac.sp.gov.br


Fonte: http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1208229-4529,00.html

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