domingo, 31 de julho de 2011

Como plantar: Goiaba

Bastante aromática e saudável, a fruta é farta em vitamina C e em licopeno

Texto João Mathias
Consultores José Emilio Bettiol Neto*



De polpa branca, rosada ou vermelha, a goiaba é uma fruta suculenta, perfumada e bastante apreciada pelos consumidores brasileiros. Originária da América tropical, possivelmente na área formada entre o México e o Peru, os relatos de sua presença em terras brasileiras datam de 1587.

A goiabeira é fácil de ser encontrada no fundo de quintal de residências e até em praças e jardins públicos. A fruta é consumida in natura, mas também é usada para fazer geléias, compotas, sucos, sorvetes e doces. Mais recentemente, ainda virou ingrediente para um molho agridoce industrializado similar a um catchup.

Com casca verde ou amarela, a goiaba possui diâmetro médio de oito centímetros. A fruta é rica em vitamina C, com quantidade de quatro a cinco vezes superior à da laranja e do limão. As goiabas vermelhas são fartas em licopeno, substância com pigmento vermelho que age contra os radicais livres e importante por prevenir o aparecimento de câncer.

Perene e tropical, a goiabeira gosta de clima quente. Tem seu cultivo adaptado em várias regiões brasileiras, mas a maior parte dos pomares está localizada no estado de São Paulo. Às margens do rio São Francisco, a cidade pernambucana de Petrolina e a baiana Juazeiro também se destacam na produção da fruta.

A goiabeira é uma árvore de tronco tortuoso, que pode atingir de três a cinco metros de altura. Porém, há casos de o pé da fruta alcançar até oito metros.

As principais pragas da goiabeira são a mosca-das-frutas e o gorgulho da goiabeira. Provocam grandes prejuízos ao produtor. Uma dica para controlar o ataque desses insetos é ensacar os frutos no pé, assim não é preciso utilizar produtos químicos. O psilídeo é outro inseto que causa danos à árvore, principalmente em brotações novas. Os nematóides, responsáveis pelo declínio dos pomares, ocorre principalmente na região Nordeste.

Quando as goiabas atingirem de 2,5 a três centímetros de diâmetro, devem ser envolvidas com sacos de papel-manteiga, no tamanho de 15 x 12 centímetros.

Fitilho vegetal, barbante de algodão ou arame fino ajuda a amarrar os sacos no pedúnculo dos frutos ou no ramo de sustentação.

Raio X

Solo: profundos e bem drenados, de preferência com elevado teor de matéria orgânica e topografia plana ou levemente inclinada

Clima: quente

Área mínima: 25 metros quadrados

Colheita: de janeiro a abril, mas com tecnologia pode ser estendida para o ano todo

Custos: muda por estaquia 2,50 reais; enxertada, cinco reais; e por sementes, dois reais




Mãos à obra

Plantio - Prepare o solo. Faça uma aração profunda e, então, uma ou duas gradeações. Caso necessário, espalhe calcário após a aração. Recomenda-se cultivar mudas reproduzidas vegetativamente, pois elas apresentam produção precoce e geram frutos com mais qualidade. O plantio feito por sementes pode manter-se anos apenas vegetando, sem frutificação, além de apresentar um padrão muito heterogêneo, com frutos de qualidade duvidosa.

Ambiente - As goiabas se adaptam a solos de textura média, profundos e bem drenados. Devem ser ricos em matéria orgânica e com pH entre 5,5 e 6,8. Regiões com muita chuva possibilitam bom desenvolvimento da cultura. Porém, precisam de condições mínimas para produção. Preferem temperatura média de 25 graus e de boa luminosidade para o plantio. Verifique se o local recebe sol por várias horas. Evite locais com ventos frios e, principalmente, com geadas. Sob inverno intenso, folhas e ramos queimam.

Local - Prefira terrenos planos ou levemente inclinados. Uma opção são áreas de baixada bem drenadas. Terras pantanosas e encharcadas devem ser descartadas.

Irrigação - Na região Sudeste, há cultivo de goiaba sem uso de regas artificias e com boa produção de frutos. Porém, em pomares comerciais sua prática oferece mais vantagens. É importante que a área tenha luminosidade intensa.

Propagação - Existem dois métodos para a propagação da goiaba: a vegetativa, com a enxertia e a estaquia entre as técnicas mais comuns; e a assexuda, que deve ser evitada pelo seu grau de complexidade.

Espaçamento - A variedade cultivada e o grau de tecnificação da propriedade determinam o espaçamento. Com a adoção de técnicas, os pomares podem ser formados com árvores de 3 x 3 metros, enquanto no Nordeste o espaçamento atinge 7 x 6 metros. A kumagai, planta com crescimento lateral, exige espaçamento de 7 x 7 metros. Se for plantar paluma e rica, o indicado é usar as medidas de 7 x 6 metros.

Colheita - Ocorre de janeiro a abril e é realizada manualmente. Como o fruto se desenvolve rápido, colha três vezes por semana. De manhã é o melhor horário, mas confira antes se as goiabas não estão cobertas por orvalho da noite. Apanhe do pé apenas as frutas recém-desenvolvidas e com coloração verde-mate.

Poda - Faça podas de formação, condução e de limpeza na goiabeira. É uma medida de controle natural contra pragas e doenças. Mantenha a copa da árvore de modo a favorecer a insolação e o arejamento.



* José Emilio Bettiol Neto é engenheiro agrônomo, pesquisador do IAC - Instituto Agronômico de Campinas, Centro de Fruticultura, Av. Luiz Pereira dos Santos, 1500, Corrupira, CEP 13.214-820, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, bettiolneto@iac.sp.gov.br

Mais informações: Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Rod. Marechal Rondon, km 155,5, CEP 18530-000, Tietê, SP, (15) tel. 3282-1919

Onde comprar: José Mauro da Silva, tel. (16) 3252-5050; e Agromilhora, tel. (14) 3653-2346.

Fonte: http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1533299-4529,00.html

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