domingo, 17 de julho de 2011

Como plantar: Mandioca

A mandioca é batizada com nomes regionais pelo país adentro, mas tem o mesmo sabor que agrada a toda população

João Mathias
Fotos Amilton Vieira/Ed. Globo



Macaxeira, aipim, maniva, manaíba, carimã, uaipi e castelinha. Ligados às diferentes regiões de produção, esses são nomes populares da brasileiríssima mandioca (Manihot esculenta Crantz). Raiz do Brasil, com presença freqüente nos pratos dos brasileiros, também alimenta mais de 500 milhões de pessoas no mundo.

Embora sem registros, sua origem é atribuída à região do Brasil Central e data de mais de cinco mil anos. Portugueses e espanhóis difundiram-na em outros continentes. A mandioca ganhou espaço na África, Ásia, Oceania e está em mais de 80 países, sobretudo em nações em desenvolvimento, já que o cultivo não demanda tecnologia e pode ser explorado em pequenas áreas.

Clima

Fácil de se adaptar a diferentes climas, há plantação em todos os estados do país. Bahia, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul são os principais produtores. Em São Paulo, não há uma cidade sem plantio de mandioca.


A cultura evolui com facilidade em regiões com temperatura entre 20 e 27 graus, mas em torno de 15 graus a germinação é retardada e cai o ritmo do seu desenvolvimento. Os mandiocais se dão bem em locais com boa distribuição de chuva, de mil a 1.500 milímetros por ano.

Nas regiões tropicais, a produção vinga com até quatro mil milímetros por ano, sem a ocorrência de estação seca. Neste caso, o solo deve ser bem drenado, pois o encharcamento apodrece as raízes. Já em áreas semi-áridas, com 500 a 700 milímetros de chuva ao ano, é necessário que haja água nos primeiros cinco meses de cultivo.

Mãos à obra

• Opte por começar o cultivo no princí- pio das chuvas, quando a umidade e a temperatura são essenciais para a brotação e enraizamento. Dê preferência por variedades que são bem aceitas no mercado local.

• Em covas de 25 centímetros de largura e de cinco a dez centímetros de profundidade, plante as ramas com 20 centímetros de comprimento, cinco a sete gemas e diâmetro de 2,5 centímetros.

• A raiz precisa de solos profundos e soltos. Evite as terras argilosas, que dificultam o crescimento da raiz e que encharquem. Escolha terrenos planos ou pouco ondulados, e declive de até 10%.

• A poda é recomendada nos períodos frios, a uma altura de 15 a 20 centímetros da superfície do solo e em plantas com dez a 12 meses, Mas só faça quando for coletado material para a realização de novos plantios.

• Os espaçamentos variam segundo a quantidade e o destino da produção. Em fileiras simples, é indicado medidas de 0,80 x 1,50 metro entre linhas e 0,50 x 1 metro entre plantas.

• Já em duplas, a dica é 2 x 0,60 x 0,60 metro. Aumente para 1,20 metro entre as fileiras simples em solos mais férteis, para conseguir maior área de exploração por planta. Se a produção for de ramas para ração animal, estreite o espaçamento para 0,80 x 1 metro entre linhas e 0,5 entre plantas.

Investimentos

• Há plantação de mandioca nos quatros cantos do Brasil com características regionais. As particularidades de manejo de cada local acabam resultando em uma grande variação nos custos de cultivo.

• Os custos oscilam a partir de mil reais por hectare. A produção de uma área de cinco mil hectares dá para atender a uma fábrica de farinha ou de amido.

Dados Gerais

Espécie: a mandioca (Manihot esculenta Crantz) é da família Euphorbiaceae.

Plantio: solos não encharcados.

Solo: profundo, solto e arenoso.

Clima: adapta-se a diversos climas, desde locais chuvosos como a Amazônia até os semi-áridos do Nordeste.

Uso culinário: pode ser consumida em pedaços fritos e cozidos; ingrediente para bolos e pratos salgados; a farinha é componente de várias receitas, sobretudo à culinária nordestina.

Uso medicinal: alimento energético, contém boa quantidade de vitaminas do complexo B e sais minerais.

Colheita: sétimo mês, quando as raízes têm diâmetro superior a três centímetros.

Área: a produção de três mil a cinco mil metros quadrados é suficiente para a venda a uma quitanda pequena.

Onde comprar: Apta/IAC e Apta/Regional (17) 3572-1592 ou 3572-2208.

Investimento: a partir de mil reais por hectare, variável conforme a região.

Raiz

Da mandioca é produzida a farinha e a fécula, também chamada de amido, tapioca ou goma. Ingrediente de receitas culinárias, a raiz também serve como alimento para animais. Para bovinos e aves, é importante que sejam cultivares que tenham alta produtividade de raízes, fonte de carboidratos, matéria seca e de parte aérea, com boa retenção foliar e alto teor de proteína nas folhas.





Consultora: Teresa Losada Valle, pesquisador do IAC - Instituto Agronômico de Campinas, Av. Barão de Itapura, 1481, C. P. 28, CEP 13001-970, Campinas, SP, tel. (19) 3241-5188, teresa@iac.sp.gov.br



Mais informações: Centro Avançado de Pesquisa Tecnológico do Agronegócio de Frutas, Av. Luiz Pereira dos Santos, 1500, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, tel./fax (11) 4582-3455; Epagri - Empresa de Pesquisa Agropecuária Ext. Rur.Santa Catarina, Rod. Admar Gonzaga, 1347, Florianópolis, SC, CEP 88034-901, C.P. 502, tel. (48) 3239-5500, epagri@rct-sc.br; Iapar - Instituto Agronômico do Paraná, Rod. Celso Garcia Cid, Km 375, C.P. 481, CEP 86047-902, Londrina, PR, tel. (43) 3376-2000


Fonte: http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1101967-4529-1,00.html

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