terça-feira, 9 de agosto de 2011

Como plantar: Fruta do conde

A fruta-do-conde, que chegou à Bahia no século 17, é fonte de renda para pequenos produtores do Nordeste e Sudeste do Brasil



Era o ano de 1626. Salvador ainda era capital do Brasil e a Bahia há pouco tinha sido retomada pelos portugueses das mãos de ingleses e holandeses, que pretendiam usar a região como base para dominar o Atlântico Sul. Palco da disputa dos colonizadores europeus, as terras baianas também foram as primeiras a registrar o plantio de uma nova fruteira trazida naquele ano pelo português Conde de Miranda, que acabou emprestando seu título ao nome da fruta.

Tropical, original das Antilhas e de sabor agradável, a fruta-do-conde (Annona squamosa L.), também conhecida como pinha, anona, araticum, ata e cabeça-de-negro, tem boa aceitação no mercado. Ela é fonte de vitaminas, sobretudo a C e as do complexo B, além de proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro. Uma peculiaridade da fruta é a venda apenas in natura, já que a polpa escurece no processo industrial.

A fruta-do-conde é importante para pequenos produtores do Nor- deste e Sudeste. Em São Paulo, onde foi difundida nos anos 60, tem mais expressão na região Oeste, devido às condições climáticas locais. A fruta gosta de temperaturas elevadas entre a primavera e o outono, enquanto o inverno deve ser ameno.

A produção paulista vai de janeiro a maio. Com a farta oferta no primeiro semestre, os preços da fruta são menores nesse período. Daí até o final do ano, a produção cai e torna-se insuficiente para atender à demanda, mas tem preços mais compensadores. É possível atingir produções até seis toneladas por ha/ano.

Culturas com uso de técnicas apropriadas para a condução do pomar obtêm frutos de qualidade superior. Por isso, é indicada a adoção de sistemas de irrigação, adubação, podas, polinização artificial, raleio de frutos, entre outros. O emprego de tecnologia eleva os custos, que, no entanto, são compensados com melhor preço de venda.

Dicas

• A colheita ocorre, em São Paulo, entre 110 e 120 dias após a abertura floral, mas pode chegar a 180 dias de acordo com a época do florescimento. Em regiões quentes, o amadurecimento é mais rápido. Com 90 a 100 dias a fruta está pronta para ser apanhada no pé. O momento de colher é anunciado pelo afastamento e pela incidência de uma coloração mais clara entre os carpelos (saliências do fruto).

• Procure podar as plantas de maneira que as copas fiquem bem ventiladas. Os frutos não devem ficar expostos ao sol.

• Se possível, cubra com uma pasta fúngica ou tinta látex os ferimentos provocados pela poda.

Investimento

• Pode variar de acordo com o tipo de tecnologia empregada na plantação. Apesar de elevar os gastos do cultivo, o uso de técnicas mais avançadas resulta em maior lucratividade. Foi o que constatou um estudo realizado por pesquisadores no interior de São Paulo. Apesar de a generalização não ser possível, pois há vários condicionantes na composição dos custos da agricultura, o plantio tecnificado da fruta-do-conde apresentou lucro bem acima do convencional.

Dados gerais

• O solo para o cultivo da fruta-do-conde deve ser de textura leve, bem drenado, farto em matéria orgânica, profundo e um pouco ácido. No mínimo 30 dias antes do plantio, abra covas de 60 x 60 x 60 centímetros, com espaçamentos que podem variar de 4 x 2 metros (pomares com alto grau de tecnificação) a 7 x 5 metros (plantios menos tecnificados). Adube com 20 litros de esterco de curral curtido, 600 gramas de superfosfato triplo, 200 gramas de cloreto de potássio e 200 gramas de calcário dolomítico. Acrescente ainda dez gramas de bórax e 20 gramas de sulfato de zinco, caso esses micronutrientes sejam insuficientes no solo.

• Para plantar, dê preferência a mudas enxertadas adquiridas de viveiristas credenciados, que tenham matrizes de seleções superiores. Pomares formados por sementes, além de serem heterogêneos e demorarem mais para produzir, são mais vulneráveis ao ataque de pragas e doenças de raízes e de colo. Durante o crescimento das árvores, faça podas e também uma suplementação de nutrientes (NPK).

• O desenvolvimento da planta vai bem sob temperaturas elevadas (mínimo de dez a 20 graus e máxima de 22 a 28 graus), com precipitação perto de mil milímetros ao ano. Para garantir a produção, evite regiões com excesso de chuvas no período de florescimento e maturação dos frutos. Também geadas e grandes oscilações do clima são prejudiciais à cultura. A árvore é alvo de invasores como brocas, ácaros e cochonilhas.

Mãos à obra

Plantio: o ano todo, dependendo da possibilidade de irrigação e da região; prefira os meses chuvosos

Solo: adapta-se a vários tipos, mas se dá bem nos de textura leve, bem drenados, arejados, profundos, ricos em matéria orgânica e ligeiramente ácidos

Clima: quente; não tolera geadas nem temperaturas baixas

Uso culinário: consumo in natura, cremes, mousses e refrescos

Uso medicinal: rica em vitamina C e do complexo B, proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro; na medicina popular, as folhas são usadas para o tratamento de convulsões e colites, e os frutos, para debilidade geral

Colheita: duração de 90 a 180 dias, de acordo com a região e condições climáticas

Onde comprar: mudas enxertadas e sementes podem ser adquiri- das no Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da Cati

Custo: podem ser plantadas 416 mudas por hectare em espaçamento de 6 x 4 metros, a um custo de 2 reais para mudas oriundas de sementes



Consultor: José Emilio Bettiol Neto, engenheiro agrônomo, pesquisador do Capta-Frutas (IAC), Av. Luiz Pereira dos Santos, 1500, Corrupira, CEP 13.214-820, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, bettiolneto@ iac.sp.gov.br

Mais informações: IAC - Instituto Agronômico, Av. Barão de Itapura, 1481, Caixa Postal 28, CEP 13020-902, Campinas, SP, tel. (19) 3231-5422; Centro Avançado de Pesquisa Tecnológico do Agronegócio de Frutas, Av. Luiz Pereira dos Santos, 1500, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, tel./fax (11) 4582-3455, e-mail frutas@iac.sp.gov.br; Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes, da Cati, Rua Andrade Neves, 81, Caixa Postal 252, CEP 17151-400, Marília, SP, tel. (14) 3433-4118, npmmarilia@cati.sp.gov.br


Fonte:
http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1245062-4529,00.html

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