terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mutamba (Guazuma ulmifolia)





Taxonomia e Nomenclatura

De acordo com o Sistema de Classificação de Cronquist, a posição taxonômica de Guazuma ulmifolia obedece à seguinte hierarquia:

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)

Classe: Magnoliopsida (Dicotyledonae)

Ordem: Malvales

Família: Sterculiaceae

Gênero: Guazuma

Espécie: Guazuma ulmifolia Lamarck

Publicação: Encycl. Méth. Bot. 3 (1) 27- 34:52. 1789.

Sinonímia botânica: Guazuma guazuma (L.) Cockerell; Guazuma tomentosa H.B.K.; Guazuma ulmifolia var. tomentosa (H.B.K.) K. Schum; Theobroma guazuma L.

Nomes vulgares por Unidades da Federação: no Acre, mutamba e mutamba-preta; em Alagoas: guaxima-macho e mutamba; no Amazonas: cabeça-de-negro, guaxima-macho e mutamba; na Bahia: mutamba e periquiteira; no Ceará: mutamba; em Mato Grosso: chico-magro, envireira e pau-de-bicho; em Mato Grosso do Sul: chico-magro e mutambo; em Minas Gerais: camacã, mutamba e pau-de-motamba; no Pará: embireira, mutamba-preta, mutamba-verdadeira e periquiteira; na Paraíba, mutamba e pau-de-motamba; no Paraná: amoreira; no No Estado do Rio de Janeiro: algodão; no Estado de São Paulo: araticum-bravo, cabeça-de-negro, coração-de-negro, embireira, guaxima-macho, guaxima-torcida, maria-preta, marolinho, motambo e mutambo e em Sergipe: umbigo-de-caçador e umbigo-de-vaqueiro.

Nota: nos seguintes nomes vulgares, não foi encontrada a devida correspondência com as Unidades da Federação: babosa; buxuma; embira; embiru; envireira-do-campo; fruta-de-macaco; guamaca; nabombo; pau-de-pomba; pojó.

Nomes vulgares no exterior: na Argentina, cambá acá; na Bolívia, coco e coquito; em Costa Rica; guácimo blanco; em Cuba, guácima e guácima de caballo; no Equador, guácimo; em Honduras, caulote; nas Ilhas Virgens, jacocalalu; na Jamaica, bastard cedar; no México, majagua de toro; na República Dominica, guácima cimarrona; no Panamá, guácimo de ternero; no Paraguai, kamba aka guasu; no Peru, papayillo; e em Trinidad, west indian elm.

Etimologia: o nome genérico Guazuma é mexicano; o epíteto específico ulmifolia vem da folha de Ulmus, olmo-europeu.

Descrição

Forma biológica: arvoreta a árvore perenifólia (as folhas caem depois de uma seca prolongada). As árvores maiores atingem dimensões próximas de 30 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta.

Tronco: reto a levemente tortuoso, curto, freqüentemente ramificado a baixa altura. Fuste com até 12 m de comprimento.

Ramificação: é dicotômica. A copa é densa e larga, tipicamente umbeliforme; com galhos horizontais e ligeiramente pendentes, com as folhas agrupadas em duas fileiras ao longo dos ramos.

Casca: com espessura de até 12 mm. A superfície da casca externa é grisácea a café-escuro, acanalada, áspera, agrietada longitudinalmente, se desprende facilmente em placas retangulares ou em tiras. A casca interna é fibrosa, rosada, com estrias brancas.

Folhas: são de filotaxia alterna, simples, ovalada ou lanceolada, com 5 cm a 18 cm de comprimento e 2 cm a 6 cm de largura, membranácea, mais ou menos aguda no ápice, com a margem levemente denteada ou crenada, a face dorsal pilosa, tomentosa com pêlos estrelados em ambas as faces, especialmente sobre nervura principal e com três ou às vezes cinco nervuras que saem desde a base, glabra e luzidia quando velha.

Inflorescência: é uma panícula ramificada em pedúnculos axilares com 2,5 cm a 5 cm de comprimento, na base das folhas, geralmente até com 40 flores.

Flores: são pequenas, alvo-amareladas, medindo de 5 mm a 10 mm de comprimento, ligeiramente perfumadas, com cinco pétalas.

Fruto: é uma cápsula subglobosa, seca, verrucosa, verde a negra, dura, de 1,5 cm a 3,5 cm de comprimento, abrindo-se em cinco segmentos que se fendem no ápice ou irregularmente por poros. O fruto contém, em média 46,6 sementes (PAIVA & GARCIA, 1999) imersas numa polpa doce e mucilaginosa.

Sementes: ovóides, de cor castanho a negra, duras, de 3 mm a 5 mm de diâmetro.

Biologia Reprodutiva e Eventos Fenológicos

Sistema sexual: espécie monóica.

Vetor de polinização: essencialmente abelhas (DEUS et al., 1993; MORELLATO, 1991) e diversos insetos pequenos (KUHLMANN & KUHN, 1947).

Floração: acontece de fevereiro a outubro, em Mato Grosso do Sul; de setembro a dezembro, no Estado de São Paulo e em Minas Gerais (BRANDÃO & GAVILANES, 1990; BRINA, 1998); de novembro e abril em Pernambuco e de janeiro a agosto, no Amazonas.

Frutificação: os frutos amadurecem de junho a novembro, em Minas Gerais (BRINA, 1998), de julho a agosto, no Ceará e no Paraná, e de agosto a outubro, no Estado de São Paulo, e de outubro a novembro, na Paraíba (BARROSO et al., 1993). Entretanto permanecem na árvore por mais algum tempo. É freqüente observar flores, frutos imaturos e frutos maduros na mesma árvore. O processo reprodutivo inicia ao redor de 5 anos de idade.

Dispersão de frutos e sementes: essencialmente zoocórica (BRINA, 1998), principalmente aves e peixes; também são dispersas por mamíferos, incluindo-se o gado e, possivelmente cavalos e outros animais (LOPEZ et al., 1987).

Ocorrência Natural

Latitudes: de 20º N, no México. No Brasil, de 3º 10’ S, no Pará a 30º S, no Rio Grande do Sul.

Variação altitudinal: de 15 m, na Paraíba (OLIVEIRAFILHO & CARVALHO, 1993), até 1.740 m de altitude, na Serra da Piedade, em Minas Gerais (BRANDÃO & GAVILANES, 1990).

Distribuição geográfica: Guazuma ulmifolia apresenta ampla dispersão pela América tropical, nas Antilhas (exceto as Bahamas), Cuba (VALDES et al., 2007), México, em Honduras (BENITEZ RAMOS & MONTESINOS LAGOS, 1988; THIRAKUL, 1998), no Equador (LITTLE JUNIOR & DIXON, 1983), no Peru (ENCARNACION C., 1983), em Trinidad & Tobago, no norte da Argentina, na Bolívia (KILLEEN et al., 1993), na Colômbia (RANGEL et al., 1997) e no Paraguai (LOPEZ et al., 1987).

No Brasil, essa espécie ocorre nas seguintes Unidades da Federação:

· Acre (OLIVEIRA, 1994; ARAÚJO & SILVA, 2000; OLIVEIRA & SANT’ANNA, 2003).

· Alagoas (CAMPELO, 1988).

· Amazonas (AYRES, 1995).

· Bahia (MENDONÇA et al., 2000; SANTOS et al., 2002; ZAPPI et al., 2003).

· Ceará (DUCKE, 1959; TAVARES et al., 1974b; MARTINS et al., 1982; FERNANDES, 1990; CAVALCANTE, 2001; LIMA et al., 2003).

· Distrito Federal (FILGUEIRAS & PEREIRA, 1990; WALTER & SAMPAIO, 1998; PROENÇA et al., 2001).

· Goiás (RATTER et al., 1978; IMAÑA-ENCINAS & PAULA, 1994; PAULA et al., 1996; RIZZO, 1996;

MUNHOZ & PROENÇA, 1998; NASCIMENTO et al., 2004).

· Mato Grosso (RATTER et al., 1978; GUARIM NETO, 1984 e 1991; POTT & POTT, 1994; GUARIM NETO et al., 1996; PINTO, 1997; FELFILI et al., 1998; AMOROZO, 2002).

· Mato Grosso do Sul (POTT & POTT, 1994; PAULA et al., 1995; MARCANTI-CONTATO et al., 1996; SOUZA et al., 1997; ROMAGNOLO & SOUZA, 2000).

· Minas Gerais (THIBAU et al., 1975; MAGALHÃES & FERREIRA, 1981; BRANDÃO & GAVILANES, 1990; RAMOS et al., 1991; BRANDÃO & GAVILANES 1992; CARVALHO et al., 1992; GAVILANES et al., 1992a, b; BRANDÃO et al., 1993a, c; BRANDÃO & GAVILANES, 1994; BRANDÃO et al., 1994; KUHLMANN et al., 1994; BRANDÃO et al., 1995d; LACA-BUENDIA & BRANDÃO, 1995; VILELA et al., 1995; BRANDÃO et al., 1996; GAVILANES et al., 1996; RODRIGUES & ARAÚJO, 1997; BRANDÃO & NAIME, 1998; BRANDÃO et al., 1998; BRINA, 1998; CARVALHO et al., 1999; CARVALHO et al., 2000; NERI et al., 2000; RODRIGUES, 2001; CARVALHO, 2002; GOMIDE, 2004; MEYER et al., 2004).

· Pará (DANTAS & MÜLLER, 1979).

· Paraíba (LIMA, 1962; BARROSO et al., 1993; OLIVEIRA-FILHO & CARVALHO, 1993; AGRA et al., 2004; BARBOSA et al., 2004).

· Paraná (SOUZA et al., 1997).
 
· Pernambuco (LIMA, 1979; TAVARES, 1995b; MOURA & SAMPAIO, 1997; NASCIMENTO, 1998).

· Estado do Rio de Janeiro (SILVA & NASCIMENTO, 2001).

· Rio Grande do Norte (FREIRE, 1990).

· Rio Grande do Sul (JACQUES et al., 1982).

· Estado de São Paulo (KUHLMANN & KUHN, 1947; NOGUEIRA, 1976; ASSUMPÇÃO et al., 1982; PAGANO, 1985; MATTHES et al., 1988; PAGANO et al., 1989; VIEIRA et al., 1989; ORTEGA & ENGEL, 1992; TOLEDO FILHO et al., 1993; BRANDÃO et al., 1995d; DURIGAN & LEITÃO FILHO, 1995; ROZZA, 1997; CAVALCANTI, 1998; DURIGAN et al., 1999; IVANAUSKAS et al., 1999; ALBUQUERQUE & RODRIGUES, 2000; ARAÚJO NETO & AGUIAR, 2000; NÓBREGA et al., 2000; BERTONI et al., 2001).

· Sergipe (SOUZA & SIQUEIRA, 2001).

Aspectos Ecológicos

Grupo ecológico ou sucessional: espécie pioneira (ROZZA, 1997), secundária inicial (FERRETTI et al., 1995) ou clímax exigente em luz (PINTO, 1997). Importância sociológica: espécie característica das formações secundárias e capoeiras abertas. Cresce em lugares abertos, margens de arroios e rios, florestas explorados e ambientes alterados. Por isso, tem sido classificada como espécie invasora e indesejável. É rara na floresta primária. Sua dispersão é ampla, mas irregular e descontínua. Árvore comum nas orlas de
cerradão e mesmo no Pantanal ou à margem de pequenos cursos d’água.

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