terça-feira, 16 de agosto de 2011

O guia preguiçoso da sustentabilidade

Atitudes simples e algumas vezes despretensiosas podem ajudar a frear a atual destruição do meio ambiente. Que tal?

Tete Martinho

Vida Simples - 08/2011



Se não fizermos nada para desacelerar o atual processo de degradação ambiental, vamos comprometer - e muito - a vida dos nossos filhos. Isso é fato. Mas, afinal, será que existe algo que cada um de nós possa fazer para colocar um freio nessa história? Sim. E para isso não precisa ser um "verde de carteirinha". É isso que mostramos a seguir: como ajustes sutis no dia a dia podem ter um impacto positivo maior do que se imagina.

QUAL A PROCEDÊNCIA DO QUE VOCÊ COMPRA?

De nada adianta trocar sacolas plásticas por uma "ecobag" se ela for feita no Vietnã. "Será que o custo energético do transporte não anularia o benefício de sua utilização?", pergunta a jornalista Amélia Toledo, que pesquisa as relações entre design, inovação e sustentabilidade. Todos os materiais têm prós e contras, explica ela. "O vidro é 100% reciclável. Mas é pesado e a logística de reutilização exige alto consumo de água e energia. O plástico é retirado de matérias-primas não renováveis, mas seu processo de produção não gera resíduos." Para escolher entre produtos, ela recomenda adotar um conjunto de critérios que inclua durabilidade e adequação ao uso. "Design sustentável é aquele que usa menos matéria-prima, processos industriais e energia."

TUDO BEM DEIXAR O CARRO EM CASA ÀS VEZES?

Manter o carro em ordem para evitar emissões desnecessárias de dióxido de carbono é lei. Deixá-lo em casa nos trajetos servidos por ônibus ou metrô, ainda que apenas fora dos horários de pico, é melhor ainda. "Em termos de impacto ambiental, usar o transporte coletivo não se compara a tirar o carro da garagem, pois o ônibus e o metrô já circulam regularmente", diz o engenheiro florestal e consultor ambiental Tasso de Azevedo.

XÔ, DESCARTÁVEIS!

Coador de pano, sacola de pano. Introduzi-los em sua rotina não requer nenhuma grande mudança. Melhor, você produz menor quantidade de lixo. E isso sim é uma senhora mudança. Vale lembrar que, no trabalho, desconsidere os copos descartáveis. Vá de caneca. É muito mais charmoso e bem menos nocivo para o meio ambiente.

REDUZIR O CONSUMO DE ÁGUA E ENERGIA... SIM! É POSSÍVEL

Regrinhas fáceis para reduzir o consumo de luz e água em casa: mantenha as instalações elétricas em dia; escolha eletrodomésticos certificados; use ferro a vapor, mais econômico, e acumule roupas para passar de uma vez só; instale a geladeira longe de fontes de calor, como o fogão, que a fazem trabalhar mais; pinte as paredes de cores claras, que refletem luz; mantenha luminárias e lustres limpos, para evitar perda de luminosidade; use lâmpadas fluorescentes ou de vapor de sódio; desligue o monitor do computador quando parar de trabalhar; ensaboe toda a louça antes de ligar a torneira elétrica; faça xixi no banho.

SABE AQUELA FRUTA DA ESTAÇÃO? É A ESCOLHA MAIS SÁBIA

Transportar alimentos por longas distâncias gera mais poluição do que trazê-los de perto; manter comidas em freezer ou estufa consome mais energia do que conservar alimentos frescos por poucos dias. Logo, dar preferência aos frutos da época e alimentos produzidos no cinturão de sua cidade são maneiras simples de contribuir para a redução da poluição atmosférica. De quebra, você ajuda a garantir a sobrevivência de pequenos produtores e comerciantes, que perderam espaço nas últimas décadas para as grandes redes de varejo.
 
FAXINA DIFERENTE

Poluidores e intoxicantes, os agentes químicos estão literalmente entranhados em nosso dia a dia. Então, para começar a reduzi-los, experimente substituir produtos de limpeza por fórmulas naturais. Veja alguns exemplos. Limpeza geral: 4 colheres (sopa) de bicarbonato de sódio e 1 colher (sopa) de vinagre branco em 1 litro de água morna. Desentupidor de pia: um punhado de bicarbonato de sódio, algumas colheres de vinagre branco e água fervente. Desinfetante sanitário: bicarbonato de sódio com vinagre, água fervente e cascas de limão. Inseticida: folhas de louro, eucalipto e manjericão, maceradas em água.

COMPARTILHAR, POR QUE NÃO?

Cada vez mais o uso compartilhado de veículos e equipamentos ganha força. Os serviços que oferecem aluguel de carros por poucas horas começam a chegar ao Brasil; várias cidades europeias já adotaram bicicletas de uso comum, que você loca em um ponto e devolve em outro. Se você tem família grande, já pensou na possibilidade de se livrar do segundo carro e compartilhar um único? Outra ideia que funciona e não demanda lá muitos sacrifícios: implementar uma rede de carona entre amigos e vizinhos.

EXPERIMENTE CONSERTAR, TROCAR OU DOAR

Pense bem: é mesmo necessário trocar o celular porque um modelo novo chegou ao mercado? "É importante ser eficiente no uso das coisas, consertando-as quando preciso. Estamos transformando bens permanentes em bens descartáveis", afirma Azevedo. Mais: antes de se desfazer de algo, considere alternativas como feiras e sites de troca. Ou destine a quem precisa: de livros e móveis a eletrônicos, sempre há uma instituição disposta a receber doações.

DÊ UMA CHANCE PARA OS ALIMENTOS ORGÂNICOS

Sim, eles são, por enquanto, mais caros e, em alguns casos, mais difíceis de achar do que o fruto da agricultura e da indústria regulares. Mas vale a pena desembolsar mais e sair em busca de feiras e mercados que comercializem produtos naturais. O cultivo de alimentos sem agrotóxicos ou pesticidas envolve um manejo mais racional dos ciclos da terra e de resíduos; alimentos não processados - açúcar mascavo, sal marinho, arroz e farinha integrais - poupam a energia do processo industrial.

"SERÁ QUE EU PRECISO MESMO DE TUDO ISSO?"

Você precisa mesmo de mais uma saia preta? E de uma calça jeans? Cultivar uma atitude racional diante do ato da compra é a primeira lição. É isso o que ensina o Instituto Akatu, ONG voltada à difusão da ideia de consumo consciente.Uma simples lista feita em casa previne compras desnecessárias no supermercado. E um exame honesto do armário mostra se você precisa mesmo de mais um sapato. "Eu comprava mais do que conseguia usar", confessa a publicitária Joanna Moura, 27 anos. Há seis meses, ela se lançou um desafio: passar um ano sem comprar roupa. Sua experiência, registrada no blog Um ano sem Zara, resulta em mais ganho que perda. "Descobri novas maneiras de usar coisas que eu já tinha. Foi um exercício de criatividade", conta.

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