sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ouro Azul: A Guerra Mundial pela Água - Documentário

16 de Setembro de 2011





Ouro Azul: A Guerra Mundial pela Água (Blue Gold: World Water Wars) realizado por Sam Bozzo e produzido pela Purple Turtle Films.

É possível prever que, no futuro, as guerras não serão travadas pelo petróleo, mas por algo muito mais básico e necessário para a vida.
Este documentário mostra o que estamos a fazer à nossa água potável e o que faremos quando esta faltar. O desenvolvimento excessivo e desenfreado da agricultura, da construção e da indústria aumenta a procura da água potável, resultando na desertificação da Terra. Em todas as partes do mundo a água está a ser poluída, extraída e esgotada exponencialmente. "Ouro Azul" aborda ainda as actuais e as futuras guerras pela água, assim como o facto da falta de água em muitos países do mundo se dever à manipulação e corrupção por parte dos Governos, administrações locais e das corporações multinacionais da água.
Corporações que obrigam países em desenvolvimento a privatizarem o seu fornecimento de água potável em troca de lucro; investidores de Wall Street que apostam em esquemas de dessalinização e exportação de grandes quantidades de água; governos corruptos que utilizam a água para proveitos políticos e económicos - emerge um controlo militar da água, novos mapas geopolíticos e formas estruturais de poder, montando assim o palco para a guerra pela água no mundo.

Na África, a nova face do Colonialismo vem sob a forma da Coca-Cola. “Vai-se a qualquer parte da África e é tudo água da Coca-Cola. Só se pode beber isso; não se pode beber a água da torneira e nem sequer se encontram purificadores de água. Somos escravos absolutos desta companhia!!!”. ”Neste país [Quénia] paga-se mais por esta água do que pela mesma quantidade de Coca-Cola”. Preço da água "Dasani" 500ml - 45 xelins quenianos; preço da Coca-Cola 500ml - 26 xelins quenianos.

No futuro assistir-se-á ao surgimento de um novo plano geopolítico no qual o mapa mundial será reescrito e redesenhado. As áreas mais ricas em água no mundo são o Brasil, o Canadá e a Rússia, por isso as grandes super-potências estão a começar a posicionar-se estrategicamente para assegurar as futuras fontes de água. A maior parte do Brasil está em cima de um dos maiores aquíferos do mundo - o Aquífero Guarani (Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina). No futuro esta vai ser uma das maiores fontes de água doce. “É inquestionável que esta parte do mundo será o «Médio Oriente» da Água no futuro”. É talvez por isso que os EUA instalaram uma base militar localizada dentro da fronteira do Paraguai, visto que estão a ficar sem água, a qual se está a tornar prioridade da política externa dos EUA. O presidente George W. Bush comprou terras no Paraguai e especula-se que queira ter acesso ao Aquífero. Ao mesmo tempo descobriu-se que George Bush sénior já possuía lá 173 mil acres. Este é um bom exemplo que demonstra que a família petrolífera Bush está agora a mudar do Ouro Negro para o Ouro Azul.

Os custos ocultos da água:
  • 5.2 milhões de litros de água por cada 340 kg de carne
  • 1.8 milhões de litros de água por cada fardo de algodão
  • 77510 litros por cada saca de 23 kg de arroz
  • 30240 litros de água por cada 23 kg de trigo
  • 120 litros de água por 12 rosas
  • 107 litros por cada banana
  • 99 litros de água por cada maçã
Isto significa que os países produtores, que muitas vezes não possuem muita água, estão a exportá-la para países da Europa e os EUA.

Inspirado no livro "Ouro Azul", de Maude Barlow e Tony Clarke, o filme venceu 6 prémios nos Festivais Internacionais em 2009, tendo sido premiado com o galardão de Melhor Documentário no Vancouver Internacional Film Festival, Melhor Documentário Ecológico no Newport Beach Film Festival, Melhor Documentário no European Independent Film Festival e no Beloit International Film Festival e Melhor Documentário de Ambiente no Tri-Media Film Festival e no Docufest Atlanta.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Velha, azul, desbotada… e poluente

Com certeza há um par de jeans no seu armário. Afinal, pelo menos 1,5 bilhão dessas calças azuis e desbotadas são produzidas todo ano no mundo. Mas você sabe quanto elas custam para o meio ambiente?

Em Toritama, Pernambuco, as águas do Rio Capibaribe chegaram a mudar de cor com o despejo das lavagens de jeans. Mas, em 2005, o Ministério Público regularizou 56 lavanderias na cidade. Hoje, toda a água é reciclada e tratada, antes de ser lançada no rio.

Fábrica de jeans em Toritama: emprego duro, porém firme.
Azul índigo
No Brasil, os principais polos de produção se concentram nos Estados de Pernambuco e São Paulo, com destaque também para o Paraná e Santa Catarina. Sozinha, Toritama, cidade pernambucana 100 quilômetros a oeste do Recife, integrante do chamado Polo do Agreste, dispõe de 2.500 fábricas e responde por 16% da produção nacional. Toritama é um bom exemplo do impacto da transformação de uma cidade em polo da indústria têxtil. Hoje batizado “capital do jeans”, o município viu sua população crescer 63,4% em dez anos, passando de 21.800 habitantes em 2000 para 35.631 em 2010 – nada menos do que o maior aumento populacional do País no período! O grande atrativo, claro, é o emprego. A indústria do jeans emprega boa parte da população local e 35 mil pessoas de municípios vizinhos.
Além do aumento da população e do consequente crescimento físico da cidade, o jeans alterou a cor do Rio Capibaribe. Até 2005, era comum que as lavanderias fizessem o descarte de efluentes sem nenhum tipo de tratamento na rede fluvial de Toritama. Também era recorrente o uso de lenha irregular, vinda de madeira nativa, como combustível para as caldeiras. A cidade estava a caminho de se tornar uma nova Tehuacán, o principal centro produtor de jeans do México.

Acima, à esquerda, o processo de tinturaria de jeans em Sorocaba (SP). À direita, lavanderias em fábrica em Macatuba (SP).
Em Tehuacán, durante anos as lavanderias que atendiam marcas mexicanas e norteamericanas, inclusive gigantes como Levi’s e Gap, despejaram efluentes ricos em corantes e detergentes no rio que irriga as plantações de milho da cidade. Em 2007, a poluição gerou uma crise de contaminação de alimentos com repercussão nacional e internacional. Pressionadas, as grandes marcas passaram a exigir a adoção de estações de tratamento de efluentes (ETEs) pelas lavanderias, sob risco de cancelarem a prestação de serviço.
Na verdade, o problema acabou sendo transferido. Boa parte das empresas que operavam no México mudou-se para a China e a Índia. Das 25 principais lavanderias que atuavam em Tehuacán em 2003, só oito continuavam em atividade em 2010. Para o Greenpeace, o impacto só mudou de domicílio. Em Xintang, cidade chinesa que produz 260 milhões de pares de jeans por ano, 17 das 21 amostras de água testadas pela organização ambientalista apontaram presença de cinco tipos de metais pesados. Em uma delas, o índice de cádmio excedeu em 128 vezes os limites nacionais chineses.
Para preservar Toritama do mesmo destino, desde 2001 o Ministério Público de Pernambuco vem promovendo a conscientização e a adequação das lavanderias à legislação ambiental, processo que se estendeu a outros municípios da região, como Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru. Foram firmados Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) que previam multas e o fechamento das empresas que não se adequassem. A partir de 2005, todas as 56 lavanderias da cidade foram ambientalmente regularizadas.

Todo ano o consumo de jeans aumenta na China. Em 2008, cresceu 18,8% em relação a 2007.
Kleber Barbosa, gerente-executivo da Associação Comercial e Industrial de Toritama, considera que a construção de ETEs em cada lavanderia é imperativa para a empresa receber alvará de funcionamento. Cada estação custa pelo menos R$ 50 mil. Sérgio Souto, promotor de Justiça envolvido na operação, considera o valor um investimento. “O custo é baixo e, como envolve o reaproveitamento de 50% da água usada, é possível até gerar lucro”, argumenta. O volume de água em questão é considerável: são utilizados cerca de 120 litros para a lavagem e beneficiamento de um único par de jeans.
No que se refere ao gerenciamento dos impactos ambientais, a indústria de denim brasileira é um exemplo a ser seguido, acredita o diretor da Abit, Fernando Pimentel. O objetivo agora é garantir que essa preocupação se torne uma vantagem no mercado mundial, não um obstáculo. “Não temos como concorrer em preço com países que não possuem o mesmo rigor da lei ambiental do Brasil, como a China Esse desequilíbrio está na pauta das discussões comerciais”, ressalta.
Jeans verde
Além das lavanderias, as empresas brasileiras produtoras de denim também têm investido em pesquisas, não só para otimizar a produção, mas também para inovar em tecidos e acabamentos. Desde 2001, a Vicunha, uma das maiores fabricantes mundiais de denim, utiliza casca de castanha-de-caju para gerar energia térmica e vapor para o aquecimento das caldeiras das duas fábricas que possui no Ceará. Segundo a companhia, é utilizada por mês uma média de 2,3 mil toneladas do material, o que representa uma economia de 50% em relação ao combustível fóssil e evita a emissão de cerca de 10 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
Na Tavex, dona da marca Santista, cerca de 30% da água consumida é reutilizada, o que se mostrou muito bom para os negócios. “Obtemos uma redução de mais de R$ 5 milhões por ano em custos operacionais”, explica Maria José Orione, gerente de marketing. A Tavex investe também em acabamentos biodegradáveis, como o Bio Denim, produzido com algodão reciclado, e o Alsoft Amazontex, desenvolvido a partir da manteiga de cupuaçu em substituição aos amaciantes sintéticos.

O algodão do cerrado é um dos insumos da indústria global de jeans. O Estado do Mato Grosso é o maior produtor brasileiro.
Há várias inovações sendo testadas. A carioca Tristar trouxe da Alemanha uma tecnologia que dispensa a água na lavagem do jeans. Basta colocar a peça em uma sacola e deixá-la no freezer por 12 a 24 horas, para que o processo de congelamento elimine as bactérias. Na paulista Eden, os jeans são tingidos com corantes naturais, como urucum e anil. Para obter efeitos e texturas no tecido, são utilizados lixas e até mesmo açúcar, que desgasta e clareia a peça. Ou seja, há muitas inovações capazes de reduzir os impactos ambientais da indústria.
Nos Estados Unidos, as opções de calças jeans “ecológicas” são cada vez mais comuns entre consumidores exigentes. Ou eram, até a crise econômica de 2008 abalar os investimentos. Marcas consideradas como referências nesse mercado, principalmente em função do uso de algodão orgânico, como a Del Forte e a Loomstate, tiveram de abandonar o jeans verde porque o público voltou-se para produtos mais baratos. Com uma escala restrita de mercado, os produtos mais sofisticados tornam-se mais vulneráveis às crises. A sustentabilidade, sem dúvida, custa mais caro.

Fonte: A Product Life Cycle Approach to Sustainability, Levi Strauss & Co., 2011.
Caso diferente é o da gigante Levi’s, empresa atuante em mais de 110 países. Metade da receita líquida provém de fora dos Estados Unidos. Sua vasta cadeia de negócios mostra que o jeans é uma commodity global: ao longo do ciclo de vida, o produto passa por países tão diversos quanto Brasil (fornecedor de algodão), Haiti (costura), Egito (acabamento), Japão e Rússia (mercados consumidores).
Entusiasta da sustentabilidade, a Levi’s investe firme na redução da sua pegada ambiental, agregando valor à marca. “Estamos comprometidos com a obtenção de neutralidade de carbono e com a mudança para o uso de energias 100% renováveis em nossas operações e cadeia de fornecimento”, diz Mauricio Busin, diretor de marketing para a América Latina da empresa. Segundo ele, a crise econômica não afetou este esforço. A nova linha Water< Less, por exemplo, utiliza de 28% a 98% menos água, de acordo com o modelo, o que, para a linha outono-inverno 2011, resultará na economia de cerca de 16 milhões de litros d’água.

Fonte: A Product Life Cycle Approach to Sustainability. Levi's 501 Jeans System Boundary, Levi Strauss Co., 2011
Consumidor exigente
Em 2009, a Levi’s promoveu um estudo do ciclo de vida de seu produto, mapeando os principais impactos ambientais da popular jeans 501. Descobriu que são emitidos 32,5 kg de CO2, o equivalente ao carbono sequestrado por seis árvores por ano; que se gasta energia suficiente para assistir a uma televisão de plasma por 318 horas (400,2 megajoules); e que a água consumida é suficiente para 53 banhos de sete minutos cada (3.480,6 litros).

Jeans verdes, com impactos mais sustentáveis, ocupam mercados menores e ainda custam mais caro.
Mas a mais importante descoberta é que grande parte do impacto da calça ocorre quando ela chega às mãos do consumidor. À mesma conclusão chegou a agência ambiental francesa Bio Intelligence Service. Em 2006, na pesquisa An Environmental Product Declaration of Jeans, a agência francesa mostrou que 41% do impacto da peça no aquecimento global é produzido na fase final de uso e descarte pelo consumidor.
A maior influência sobre o ambiente é a de quem consome o produto. Se lavar seu par de jeans apenas uma vez por mês, o consumidor reduzirá em 48% o impacto na emissão de carbono, em 40% a energia gasta e em 35% o consumo de água. Além disso, se priorizar a compra de peças feitas pela indústria local, que utilizem algodão orgânico e corantes naturais, também estimulará alternativas ecológicas. Não se trata de preservar a sujeira, mas a inteligência.
Cabe à indústria, por sua vez, assumir que as externalidades econômicas – os efeitos colaterais da produção que geram impactos sociais e ambientais em terceiros – podem ser internalizados nos custos. “As pessoas estão, sim, fazendo escolhas mais pautadas na sustentabilidade”, afirma Busin. “Só que não querem pagar mais por isso. Esse é o desafio que a indústria precisa enfrentar”, constata o diretor da Levi’s.
Se cada elo da cadeia fizer sua parte, a velha calça azul desbotada se tornará mais amigável.
Fonte : Mariana Tavares e Ricardo Arnt/ Revista Planeta

http://ambientalsustentavel.org/2011/velha-azul-desbotada-e-poluente/

Braúna-do-sertão (Schinopsis brasiliensis)

Taxonomia e nomenclatura

De acordo com o sistema de classificação baseado no The Angiosperm Phylogeny Group (APG) II (2003), a posição taxonômica de Schinopsis brasiliensis obedece à seguinte hierarquia:


Divisão: Angiospermae

Clado: Eurosídeas II

Ordem: Sapindales

Família: Anacardiaceae

Gênero: Schinopsis

Espécie: Schinopsis brasiliensis Engl.

Publicação: Flora Brasiliensis 12 (2): 404. 1876.

Nomes vulgares por Unidades da Federação: na Bahia, baraúna e braúna; Ceará, Paraíba e Pernambuco, baraúna e braúna; em Mato Grosso do Sul, chamacoco e chamucoco; em Minas Gerais, pau-preto, e em Sergipe, braúna.



Nota: nos seguintes nomes vulgares, não foi encontrada a devida correspondência com as Unidades da Federação: braúna-parda, coração-de-negro, guaraúna, ibiraúna, ipê-tarumã, maria-preta-da-mata, maria-preta-do-campo, parova-preta, perovaúna, quebracho e ubirarana.

Nomes vulgares no exterior: na Bolívia, soto, e no Paraguai, barauva.Etimologia: o nome genérico Schinopsis significa parecido com Schinus, uma aroeira com ocorrência no Sul e no Sudeste do Brasil (POTT; POTT, 1994); o epíteto específico brasiliensis é devido ao material tipo ter sido coletado no Brasil.


O nome vulgar braúna possivelmente vem do nome tupi ibirá-uma (madeira preta) ou muira-uma (muira = madeira; uma = preto).



Forma biológica e estacionalidade: é arbórea (árvore) e espinhenta, de caráter decíduo. As maiores árvores atingem dimensões próximas a 15 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta. A braúna é uma das maiores árvores do Bioma Caatinga.
Tronco: é reto e bem conformado. O fuste é curto, atingindo no máximo 3 m de comprimento.
Ramificação: é dicotômica. A copa é quase globosa e não muito densa. Os ramos são providos de espinhos fortes de até 3,5 cm de comprimento, nas pontas.


Casca: com espessura de até 30 mm (LIMA, 1982). A casca externa ou ritidoma é cinza-escuro, a quase negra, áspera, desprendendo-se em porções irregularmente quadrangulares.
Folhas: são compostas pinadas, com 7 a 17 folíolos de consistência subcoriácea, oblongos, medindo de 3 cm a 4 cm de comprimento por 2 cm de largura, obtusos no ápice, verde-escuros na face superior e pálidos na face inferior. Quando maceradas, apresentam fraco odor de resina.
Inflorescência: apresentam-se em panículas pouco vistosas que medem até 12 cm de comprimento.

Foto: Paulo E. R. Carvalho


Foto: Paulo E. R. Carvalho

Flores: são pequenas, medindo de 3 mm a 4 mm de diâmetro, brancas, glabras, suavemente perfumadas.
Fruto: é uma drupa alada, medindo de 3 cm a 3,5 cm de comprimento, de coloração castanho-clara e cheia de massa esponjosa.
Semente: a semente dessa espécie é de forma obovóide tendendo a reniforme, medindo de 14,37 ± 1,56 mm de comprimento; 9,81 ± 0,79 mm de largura e 5,56 ± 0,84 mm de espessura, de cor amarelo claro e superfície rugosa baça (SOUZA; LIMA, 1982), e está envolta por um tegumento lenhoso (caroço) difícil de ser rompido.
Biologia reprodutiva e eventos fenológicos

Sistema sexual: Schinopsis brasiliensis é uma espécie monóica.
Vetor de polinização: essencialmente abelhas de diversas espécies.
Floração: em julho, em Mato Grosso do Sul; de novembro a dezembro, no Ceará, e de novembro a fevereiro, em Pernambuco (ANDRADE-LIMA, 1954).
Frutificação: frutos maduros ocorrem de agosto a setembro, na Bahia.
Dispersão de frutos e sementes: anemocórica, pelo vento (MACHADO et al., 1997).

Ocorrência natural


Latitudes: de 5º S, no Rio Grande do Norte, a 19º S, em Mato Grosso do Sul.
Variação altitudinal: de 18 m, no Rio Grande do Norte, a 1.000 m de altitude, em Goiás e em Pernambuco. Na Bolívia, atinge até 1.750 m de altitude (KILLEEN, 1993).
Distribuição geográfica: Schinopsis brasiliensis ocorre naturalmente na Bolívia (KILLEEN, 1993) e no Paraguai (MICHALOWSKY, 1953).
No Brasil, essa espécie ocorre nas seguintes Unidades da Federação:
· Bahia (MELLO, 1968/1969; ANDRADE-LIMA, 1977; LIMA; LIMA, 1998; SANTANA et al., 2002; SANTOS et al., 2002; SAMPAIO; SILVA, 2005; SANTOS et al., 2007);
· Ceará (GOMES; FERNANDES, 1985; FERNANDES, 1990; MAIA, 2004);
· Espírito Santo (LOPES et al., 2000);
· Goiás (MUNHOZ; PROENÇA, 1998; SEVILHA; SCARIOT, 2000; BUENO et al., 2002; SILVA et al., 2004);
· Mato Grosso do Sul (CONCEIÇÃO; PAULA, 1986; LORENZI, 2002);
· Minas Gerais (MAGALHÃES; FERREIRA, 1981; BRANDÃO; MAGALHÃES, 1991; BRANDÃO et al., 1993c; KUHLMANN et al., 1994; GAVILANES et al., 1996; CAMARGO, 1997; CORAIOLA, 1997; BRANDÃO; NAIME, 1998; BRANDÃO et al., 1998e; SILVA et al., 1998; NERI et al., 2000);
· Paraíba (GADELHA NETO; BARBOSA, 1998; PEREIRA et al., 2002; LACERDA et al., 2003; SILVA et al., 2004; TROVÃO et al., 2004; PEGADO et al., 2006);
· Pernambuco (ANDRADE-LIMA, 1961, 1964b, 1970; DRUMOND et al., 1982; LYRA, 1984; ALCOFORADO FILHO, 1993; FERRAZ, 1994; PÔRTO; BEZERRA, 1996; MACHADO; BARROS, 1997; RODAL et al., 1999; ALBUQUERQUE; ANDRADE, 2002; RODAL; NASCIMENTO, 2002; ALBUQUERQUE et al., 2005; SAMPAIO; SILVA, 2005; SILVA; ALBUQUERQUE, 2005; FERRAZ et al., 2006; SANTOS et al., 2007);
· Rio Grande do Norte (SANTOS et al., 2007);
· Sergipe (ANDRADE-LIMA, 1979; SOUZA, 1983).

Fonte: Embrapa Florestas.


Aspectos ecológicos


Grupo ecológico ou sucessional: é uma espécie pioneira.

Importância sociológica: a braúna não ocorre formando associações puras (TIGRE, 1970). É encontrada no Sertão e no Agreste, com as espécies características dessa formação ecológica, entre elas, aroeira-verdadeira (Myracrodruon urundeuva), pau-d’arco (Tabebuia sp.), jucá (Caesalpinia ferrea var. ferrea), juazeiro (Ziziphus joazeiro) e barriguda (Ceiba glaziovii). Tem caráter solitário dentro dessa composição, encontrando-se poucas árvores por unidade de área. É uma árvore longeva.


Biomas/tipos de vegetação

Bioma Mata Atlântica

· Floresta Estacional Decidual (Floresta Tropical Caducifólia), na formação Submontana, em Minas Gerais (SANTOS et al., 2007) e Montana, em Goiás (BUENO et al., 2002; SILVA et al., 2004).

· Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Tropical Subcaducifólia), na formação Montana, em Minas Gerais (CORAIOLA, 1997).

· Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial da Vertente Atlântica), na formação Montana, no Espírito Santo (LOPES et al., 2000).

Bioma Caatinga

· Savana Estépica ou Caatinga arbórea-arbustiva do Sertão Árido, na Bahia, no Ceará (GOMES; FERNANDES, 1985), em Minas Gerais (BRANDÃO; GAVILANES, 1994b; BRANDÃO; GAVILANES, 1994c), na Paraíba (SILVA et al., 2004; TROVÃO et al., 2004; PEGADO et al., 2006), em Pernambuco (ANDRADE-LIMA, 1961; RODAL et al., 1999; DRUMOND et al., 2000; ALCOFORADO FILHO et al., 2003), e em Sergipe (SOUZA, 1983), com freqüência de até 15 indivíduos por hectare (FERRAZ, 1994; DRUMOND et al., 2000). Segundo Tigre (1970), a braúna tem caráter solitário dentro desse Bioma, encontrando-se poucas árvores por unidades de área.
Bioma Cerrado

· Savana ou Cerrado stricto sensu, em Minas Gerais (CAMARGO, 1997).

· Savana Florestada ou Cerradão (MUNHOZ; PROENÇA, 1998).

Precipitação pluvial média anual: de 316 mm, no sudoeste do Ceará, no Sertão dos Inhamuns, a 1.400 mm, em Pernambuco.

Regime de precipitações: chuvas periódicas.

Deficiência hídrica: de moderada a forte, no oeste da Bahia e no Pantanal Mato- Grossense. Forte, no norte de Minas Gerais e em partes do Nordeste (excluindo o Sertão nordestino). De forte a muito forte quase o ano todo, no Sertão nordestino.

Temperatura média anual: 21 ºC (Triunfo, PE) a 27,2 ºC (Mossoró, RN).

Temperatura média do mês mais frio: 18,4 ºC (Triunfo, PE) a 25 ºC (Mossoró, RN).

Temperatura média do mês mais quente: 23,3 ºC (Triunfo, PE) a 28,7 ºC (Mossoró, RN).

Temperatura mínima absoluta: 1,4 ºC (Corumbá, MS).

Número de geadas por ano: ausentes.

Classificação Climática de Köeppen: BSwh (semiárido, tipo estepe, muito quente, com estação chuvosa no verão que se atrasa para o outono, podendo não ocorrer. A precipitação anual é normalmente inferior a 750 mm), na Bahia, Ceará, norte de Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. As (tropical chuvoso, com verão seco, a estação chuvosa se adiantando para o outono), na Paraíba e em Pernambuco. Aw (tropical chuvoso – clima de savana -, megatérmico, quente, com inverno seco), no oeste da Bahia, nordeste de Goiás, Mato Grosso do Sul, norte de Minas Gerais, Paraíba e em partes do Rio Grande do Norte. Cwa (subtropical mesotérmico, de inverno seco e verão quente e moderadamente chuvoso), no Nordeste de Goiás.
Clima
Outras Formações Vegetacionais
· Ambiente fluvial ou ripário, na Paraíba (LACERDA et al., 2005) e em Pernambuco (FERRAZ et al., 2006).
· Brejos de altitude nordestinos ou disjunções da Floresta Ombrófila Aberta (VELOSO et al., 1991), em Pernambuco (RODAL; NASCIMENTO, 2002), com frequência de até 10 indivíduos por hectare (FERRAZ, 1994).
· Campo Rupestre, em Minas Gerais (GAVILANES et al., 1996).
· Mata de Cipó, no norte de Minas Gerais (KUHLMANN et al., 1993).
. Mata de Afloramento, em Minas Gerais (BRANDÃO et al., 1998).
Solos

A braúna é uma espécie característica de várzeas da região semiárida. Habita as terras altas da Caatinga, dominadas por solos de tabuleiro, de fertilidade química alta e profundos (TIGRE, 1970). Contudo, é mais frequente em solos calcários, podendo ocorrer mesmo em afloramentos pedregosos, onde geralmente não cresce muito (MAIA, 2004). É raramente encontrada nos solos profundos e arenosos dos baixios.
Tecnologia de sementes


Colheita e beneficiamento: os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea. Os frutos assim obtidos podem ser diretamente utilizados para semeadura, não havendo necessidade da extração da semente.
Número de sementes por quilo: 4 mil (TIGRE, 1970) a 6 mil (MAIA, 2004).
Tratamento pré-germinativo: essa espécie apresenta dormência (SOUZA; LIMA, 1982), sendo recomendada a imersão dos frutos em água por 48 horas.
Longevidade e armazenamento: a viabilidade das sementes dessa espécie em armazenamento é curta, não ultrapassando 90 dias.

Produção de mudas
Semeadura: a unidade de semeio é o endocarpo ósseo ou pirênio (FELICIANO, 1989). Quando as mudas apresentarem a segunda folha definitiva e tenham em torno de 5 cm de altura, devem ser imediatamente repicadas, pois essa espécie tem raiz axial muito desenvolvida e sensível; se for quebrada, a planta morre.
Germinação: é epígea ou fanerocotiledonar. A emergência ocorre de 15 a 20 dias, numa porcentagem de mais ou menos 80%.

Características silviculturais

A braúna-do-sertão é uma espécie heliófila, que não tolera baixas temperaturas.
Hábito: apresenta forma irregular, sem dominância apical e ramificação pesada. A desrama natural é insatisfatória, necessitando de poda de condução e dos galhos, frequente e periódica. Métodos de regeneração: recomenda-se para essa espécie o plantio misto ou plantio em linha em vegetação secundária (TIGRE, 1970).
Sistemas agroflorestais (SAFs): sendo uma árvore alta, reta e com raiz pivotante, pode ser usada para composição de quebra-ventos e faixas arbóreas entre áreas de plantio (MAIA, 2004).


Melhoramento e conservação de recursos genéticos


Santos et al. (2007) constataram que a variabilidade genética da braúna não está uniformemente dispersa por todo o Semiárido brasileiro, mas sim por ecorregiões. Os autores sugerem estratégias que resultem no estabelecimento de um maior número de áreas de proteção ambiental para conservação in situ ou amostragens de um maior número de indivíduos, em diferentes Unidades de Paisagens para preservação ex situ.
Sem dúvida, a braúna é uma das árvores nobres da Caatinga, mas a exploração excessiva e sem reposição levou ao quase esgotamento das reservas dessa espécie, sendo hoje considerada em perigo imediato de extinção no Nordeste do Brasil. Por isso, seu corte é proibido (MAIA, 2004).
Schinopsis brasiliensis var. glabra está na Lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável (BRASIL, 1992).

Crescimento e produção

A braúna apresenta crescimento lento (Tabela 1). A idade de corte dá-se geralmente de 20 a 30 anos (TIGRE, 1970).



Tabela 1. Crescimento de Schinopsis brasiliensis em plantios, no Ceará e em Pernambuco.

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Local


Idade(anos)

Espaçamento(m x m)

Plantas vivas
(%)

Altura média(m)

DAP médio(cm)

Classe de solo
(a)

Petrolina, PE(1)

3

...

72,0

1,46

...

...

Sobral, CE(1)

3

...

93,0

2,80

...

...
(...) Dado desconhecido, apesar de o fenômeno existir(1) Drumond (1982)

Principais pragas

Coleoptera: Cerambycidae conhecido por serrador, é sua maior praga (TIGRE, 1970). A larva desse inseto constrói galerias no âmago da madeira, perfurando o cerne e o alburno, depreciando muito o seu valor.
Características da madeira

Massa específica aparente (densidade): a madeira dessa espécie é muito densa (1,03 a 1,23 g.cm-3) (PAULA; ALVES, 2007).
Cor: o cerne é de cor vermelho-castanho e é muito duro, escurecendo quando demoradamente exposto ao ar.
Durabilidade natural: madeira altamente resistente à decomposição quando em ambiente externo.
Outras características: a madeira da braúna é frequentemente confundida e comercializada como aroeira-verdadeira (Myracrodruon urundeuva).

Produtos e utilizações

Apícola: as flores da braúna são melíferas.
Alimentação animal: no Bioma Caatinga, os criadores de caprinos e ovinos cortam os ramos com folhas, especialmente no período crítico de estiagem.
Celulose e papel: essa espécie é inadequada para esse uso.
Energia: a braúna pode ser utilizada na produção de álcool combustível, lenha, carvão e coque metalúrgico.
Madeira serrada e roliça: a principal utilidade da madeira dessa espécie é para a feitura de dormentes, por resistir muitos anos a locais úmidos. Contudo, é empregada como mourão de porteiras, aviamento de casas de farinha, principalmente na prensa, mão de pilão, cabos de ferramenta, macetas e esquadrias, portais, soleiras, pontaletes, frexais de vão e vigamentos (TIGRE, 1970).
Medicinal: os rebentos da braúna-do-sertão em alcoolaturas são dotados de propriedades anti-histéricas e nevrostênicas (BRAGA, 1960). A tintura da resina é tônica, em pequena dose.
A braúna é usada para fins medicinais também pelos índios kariri-xoco e xoco. A casca triturada e cozida é usada para aliviar dores de dentes. O chá da casca é usado para aliviar dores de ouvido (MAIA, 2004).
Paisagístico: espécie bastante ornamental, podendo ser utilizada, com sucesso, em arborização urbana e rural.
Plantios com finalidade ambiental: a braúna-do-sertão pode ser utilizada para enriquecer capoeiras ou caatinga empobrecida, bem como na recuperação de áreas degradadas (MAIA, 2004).
Substâncias tanantes: a casca da braúna-do-sertão contém tanino e pode ser utilizada na indústria de curtume.
Uso veterinário popular: essa espécie é usada no tratamento de verminoses dos animais domésticos (MAIA, 2004).

Autor(es): Paulo Ernani Ramalho Carvalho
http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/especies_arboreas_brasileiras/arvore/CONT000fu1ekyj802wyiv807nyi6sg2wpw9w.html