quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Andar de bicicleta é 6 vezes mais barato do que de carro

Utilizar a bicicleta como meio de transporte pode ser até seis vezes mais econômico do que andar de carro e três vezes mais barato que o ônibus. Essa foi uma das constatações da pesquisa realizada pelo engenheiro Marcelo Daniel Coelho do Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O estudo foi realizado com dois usuários diários da bicicleta como meio de transporte entre casa-trabalho-casa, um residente no Rio de Janeiro e o outro de Porto Alegre. O valor médio do custo, por quilômetro, no deslocamento diário de bicicleta foi estimado em R$0,121/km, enquanto um automóvel movido a gasolina gasta R$0,763/km, o deslocamento de ônibus custa R$0,324/km e de moto fica em R$0,481/km.
Além de estimar o custo do deslocamento, a pesquisa calculou a velocidade média operacional por modo, quesito no qual as magrelas também saíram na frente. “Essa velocidade comparativa foi feita pelos ciclistas, fazendo o mesmo trajeto com diferentes modos – bicicleta, automóvel e ônibus. Pudemos comprovar que a viajem realizada de bicicleta era sempre mais rápida do que a por ônibus ou por carros, devido aos congestionamentos e retenções nas vias”, afirma Coelho.
Vantagens que vão além da agilidade são destacadas pelo pesquisador: a bike não contribui para a poluição atmosférica e agravamento do efeito estufa, tem uma estrutura física de pequena envergadura, que consome pouco material e espaço, podendo ser considerada o veículo mais acessível para a população de baixa renda. O custo de aquisição de uma bicileta de uso urbano, aro 26 (marcas Caloi, Ox Bike ou Sundown Sun) e dos acessórios obrigatórios que devem ser utilizados no deslocamento, chegou a valores que não ultrapassam os 650 reais.
Custos com o carro
Outros custos estimados pelo engenheiro foram a depreciação do veículo, mostrando que após quatro anos de uso a bicileta desvaloriza apenas cerca de 200 reais para a revenda; o consumo, resultado negativo já que a magrela não exige qualquer tipo de combustível, bem como os custos sociais e de impostos, também negativos pelo fato de não haver cobranças oficiais e de não haver emissão de poluentes ou qualquer tipo de impacto para a sociedade com esse meio de transporte.
No entanto, todas essas vantagens são diminuídas quando analisamos a falta de estrutura viária para ciclistas da maioria das cidades brasileiras, principalmente as capitais. “A escassez de infra-estrutura cicloviária, necessária para facilitar o deslocamento, proteger a vulnerabilidade dos ciclistas com relação aos outros veículos e, principalmente, reduzir a eventualidade de acidentes, torna-se o grande empecilho para utilização da bicicleta como meio de transporte urbano”, lamenta Coelho.
A esperança do pesquisador é que o seu estudo possa contribuir para que outros centros urbanos realizem o mesmo levantamento e possam estimar os custos e vantagens do uso da magrela como meio de transporte. Talvez, assim, os administradores públicos percebam a importância de investir na estrutura urbana para estimular e possibilitar o uso da bicicleta.
Flávia Moraes e Paulo André Vieira
26 de Outubro de 2011
O Eco
 

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