sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como plantar: Crambe

Planta rústica, com boa tolerância a variações climáticas, baixo custo e rápido ciclo de produção, é considerada excelente fonte de óleo vegetal para geração de biodiesel

Texto João Mathias
Consultor Carlos Pitol*



No início das pesquisas, durante os anos 90, eram analisadas as vantagens da planta como forrageira para a rotação de culturas e cobertura de solos no inverno. Porém, mais que uma opção para a safrinha na região dos cerrados, seu uso mostrou um potencial muito maior quando então foi descoberta a boa capacidade de produção de óleo vegetal de suas sementes. O grão, ainda pouco conhecido por aqui, é mais uma matéria-prima para a geração de biodiesel, uma das grandes apostas do governo federal na oferta futura de combustíveis renováveis.

À frente dos estudos de pouco mais de uma década sobre o crambe (Crambe abyssinica Hochst), a Fundação MS detém os direitos de comercialização das sementes da cultivar FMS Brilhante. Segundo a instituição, o plantio apresenta produtividade que pode variar de 1.000 a 1.500 quilos por hectare e, do grão, o óleo corresponde de 36% a 38%.

Originário da Etiópia, país africano de clima quente e seco, e domesticado na Europa, na região do Mediterrâneo, o crambe pertence à família das crucíferas, a mesma da colza e da canola. Como tem um ciclo médio de 90 dias, é indicado como excelente alternativa para a safrinha, em especial para produtores de soja e de milho, no sistema de rotação de culturas.

A produção rápida, a rusticidade da cultura, a fácil adaptação do plantio e o custo baixo da atividade, que não exige novas máquinas e equipamentos e tem método simples de extração de óleo por meio de prensa ou extrusora, também são características adequadas para a agricultura familiar, segmento econômico visto como importante produtor de oleaginosas para a produção de biodiesel. O óleo ainda é insumo para a indústria química fabricar polímeros, lubrificantes e plásticos. Embora tóxico para suínos e aves, o farelo é rico em nutrientes e pode ser adicionado na alimentação de bovinos, até 5% da ração do gado com segurança.

RAIO X

SOLO: bem corrigido quanto à acidez e de boa fertilidade
CLIMA: pouco exigente no frio e tolerante a geadas leves nos períodos mais sensíveis
ÁREA MÍNIMA: a cultura é rentável acima de 5 hectares
COLHEITA: de 85 a 90 dias após o plantio
CUSTO: R$ 350 a R$ 500 por hectare

MÃOS À OBRA

INÍCIO - as sementes para começar o cultivo de crambe podem ser adquiridas na Fundação MS (ver endereço abaixo), instituição que também conta com representantes em vários locais do país. A cada hectare, são necessários de 12 a 15 quilos de sementes.

PLANTIO - o solo para o cultivo de crambe deve ser eutrófico ou corrigido. A boa fertilidade é mais importante que a adubação na semeadura. Para o desenvolvimento do sistema radicular pivotante da planta, é necessário que haja boas condições na primeira camada do terreno, numa profundidade entre 20 e 40 centímetros. Solo descompactado permite o aprofundamento da raiz e, assim, torna o crambe capaz de suportar o tempo seco. Plantio em solos ácidos e com alumínio tóxico devem ser evitados, pois nessas condições ocorre perda de produtividade e a cultura perde tolerância à seca.

ESPAÇAMENTO - deixe um espaço de 17 a 45 centímetros entre as linhas. Vale ressaltar que, quanto menor a distância, mais competitivo torna-se o crambe em relação às plantas invasoras. Não há herbecidas seletivos para plantas invasoras de folha larga.

AMBIENTE - o crambe é tolerante ao clima seco e também a temperaturas baixas e geadas, desde que não seja exposto a essas condições na fase de plântula e florescimento. Alta umidade do ar ou chuvas frequentes a partir do florescimento são prejudiciais, pois favorecem o ataque de doenças. Na fase de fixação da planta, no entanto, exige boa umidade.

CUIDADOS - a planta é pouco atacada por pragas devido à presença do glucosinolato, substância tóxica presente nas folhas e hastes. Porém, a recomendação é evitar semeadura do crambe em áreas muito praguejadas. A ocorrência de doenças está relacionada a condições de alta umidade do ar ou a chuvas frequentes após o florescimento. Contudo, em condições de clima seco não há incidência de doenças.

PRODUÇÃO - em 35 dias de plantio, a planta floresce e a colheita pode ser iniciada em 85 a 90 dias. Quando está madura, pronta para ser colhida, a cultura apresenta uma coloração marrom-clara. Devido à facilidade e à praticidade, a colheita é mecanizada. Mas em pequenas áreas pode-se fazer colheita manual, devendo fazer o corte antes da maturação total para diminuir as perdas por debulha. O crambe chega a 90 centímetros de altura e apresenta maturação uniforme.


*Carlos Pitol é engenheiro agrônomo e pesquisador da Fundação MS, Estrada da Usina Velha, Km 02, Caixa Postal 105, CEP 79150-000, Maracajú, MS, tel. (67) 3454-2631, fundacaoms@fundacaoms.org.br

Onde comprar: Fundação MS, Estrada da Usina Velha, Km 02, Caixa Postal 105, CEP 79150-000, Maracajú, MS, tel. (67) 3454-2631, fundacaoms@fundacaoms.org.br.

Mais informações: Embrapa Agropecuária Oeste, BR-163, km 253,6, Caixa Postal 661, CEP 79804-970, Dourados, MS, tel. (67) 3416-9700, sac@cpao.embrapa.br


Fonte: http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1706214-4529,00.html

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