sábado, 5 de novembro de 2011

Samso, Dinamarca – Paraíso sustentável


masshuu
Revista Isto É

Como Samso, na Dinamarca, tornou-se a primeira ilha do mundo a consumir apenas a energia que produz
Luciana Sgarbi


O lugar é um convite à integração com a natureza. A grama verde, o céu azul e o forte vento são traços marcantes da ilha dinamarquesa de Samso. Quando se olha para a frente, o tempo parece passar tão lentamente quanto as bicicletas antigas que rodam na cidade. Quando os olhos miram o alto, a revolução verde viaja a 100 km/h. São as gigantescas turbinas eólicas que, suspensas a 50 metros de altura, usam o vento para gerar energia suficiente para a população de pouco mais de quatro mil habitantes. É o lugar mais limpo, ecológico e energeticamente autossustentável do planeta.
“Costumo usar o exemplo de Samso como uma forma ambiciosa de lidar com os desafios energéticos dos EUA para acabar com a dependência dos combustíveis fósseis”, diz Randy Udall, célebre ativista ambiental e exdiretor da organização não governamental Core (sigla em inglês para Escritório Comunitário para a Eficiência de Recursos). Assim como ele, governantes de diversos países estão visitando a ilha para aprender a viver verde – por todos os seus lados, a sustentabilidade está presente. A cada hora a energia eólica é convertida em 463 quilowatts de eletricidade, suficientes para fornecer energia para 600 casas. Os alimentos consumidos são colhidos de hortas caseiras ou comprados de produtores locais. Tudo é orgânico. As bicicletas estão no topo da lista dos meios de transporte. Os quatro mil turistas que visitam a ilha todos os anos não sentem dificuldades em se adaptar às regras.
A arquitetura local também contribui. As casas são feitas no estilo clássico europeu, com madeira e tijolos. Painéis solares e usinas movidas a palha e lascas de madeira garantem 70% do aquecimento da água. O ciclo estaria completo se Samso não precisasse das três balsas movidas a diesel que ligam a ilha ao continente. Os moradores ressaltam, porém, que compensam essa emissão de carbono com a energia gerada pelas dez turbinas eólicas espalhadas no mar, sem contar outras 11 localizadas em terra.
a palha e lascas de madeira garantem 70% do aquecimento da água. O ciclo estaria completo se Samso não precisasse das três balsas movidas a diesel que ligam a ilha ao continente. Os moradores ressaltam, porém, que compensam essa emissão de carbono com a energia gerada pelas dez turbinas eólicas espalhadas no mar, sem contar outras 11 localizadas em terra.
Em Samso, fatura-se com o vento.

Os moinhos eólicos pertencem a investidores particulares, como o fazendeiro Jorgen Tranberg, ao governo ou a cooperativas que compraram cotas para financiar sua construção. “Ninguém faz um investimento só para se divertir. Sustentabilidade gera dinheiro”, diz Tranberg. Há seis anos, ele viu nas turbinas eólicas uma mina de ouro. Pediu um empréstimo de US$ 3 milhões para comprar a sua e agora tem um lucro anual de 8% e um faturamento de US$ 300 mil. “Ganhei dinheiro ajudando a poupar a natureza”, diz Tranberg.
Há seis anos, ele viu nas turbinas eólicas uma mina de ouro. Pediu um empréstimo de US$ 3 milhões para comprar a sua e agora tem um lucro anual de 8% e um faturamento de US$ 300 mil. “Ganhei dinheiro ajudando a poupar a natureza”, diz.
O modelo de sucesso ambiental de Samso repercutiu na Arábia. A cidade planejada de Masdar, em Abu Dhabi (o maior de todos os sete Emirados Árabes), pretende ser a primeira autossustentável do mundo. Ela deverá estar concluída em 2014 e minimizará as necessidades energéticas, não queimará combustíveis fósseis, ficará livre de emissões de gás e consumirá apenas energias renováveis. O projeto inclui a construção de uma grande central elétrica fotovoltaica, capaz de fornecer a energia necessária aos trabalhos de construção. Uma fábrica de hidrogênio será montada para abastecer os carros. E, além disso, turbinas eólicas como as dinamarquesas suprirão a demanda de energia local. Samso já fez escola.


http://www.funverde.org.br/blog/archives/tag/energia-renovavel-renewable-energy-energia-limpa

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