terça-feira, 20 de agosto de 2013

Terra precisaria ter 50% mais recursos para sustentar padrão de consumo atual



por Redação do EcoD
terra Terra precisaria ter 50% mais recursos para sustentar padrão de consumo atual

Esgotamento foi registrado mais cedo do que em 2012 (22 de agosto). Foto: woodleywonderworks
 
 
O planeta Terra teria que “fechar as portas” na terça-feira, 20 de agosto, caso a humanidade se comprometesse a consumir a cada ano só os recursos naturais que pudessem ser repostos no mesmo período. A estimativa é da Global Footprint Network, organização não governamental que calcula o “Dia da Sobrecarga”.
Em 2013, o esgotamento foi registrado mais cedo do que em 2012 (22 de agosto), e a piora tem sido uma constante. “A cada ano, temos o Dia da Sobrecarga antecipado em dois ou três dias”, destacou à Folha Juan Carlos Morales, diretor regional da entidade na América Latina.
A Global Footprint Network promove o uso do conceito de “pegada ambiental”, uma medida objetiva do impacto do consumo humano sobre recursos naturais. No Dia da Sobrecarga, porém, expressa-o de outra maneira: para sustentar o atual padrão médio de consumo da humanidade, a Terra precisaria ter 50% mais recursos.
Para fazer a conta, a ONG usa dados da ONU, da Agência Internacional de Energia, da OMC (Organização Mundial do Comércio) e busca detalhes em dados dos governos dos próprios países.
Critérios considerados
O número leva em conta o consumo global, a eficiência de produção de bens, o tamanho da população e a capacidade da natureza de prover recursos e biodegradar/reciclar resíduos. Isso é traduzido em unidades de “hectares globais”, que representam tanto áreas cultiváveis quanto reservas de manancial e até recursos pesqueiros disponíveis em águas internacionais.
A emissão de gases de efeito estufa também entra na conta, e países ganham mais pontos por preservar florestas que retêm carbono.
Apesar de ter começado a calcular o Dia da Sobrecarga há uma década, a Global Footprint compila dados que remontam a 1961. Desde aquele ano, a sobrecarga ambiental dobrou no planeta, e a projeção atual é de que precisemos de duas Terras para sustentar a humanidade antes de 2050. A mensagem é que esse padrão de desenvolvimento não tem como se sustentar por muito tempo.
“O problema hoje não é só proteger o ambiente, mas também a economia pois os países têm ficado mais dependentes de importação, o que faz o preço das commodities disparar”, ressaltou Morales. “Isso ocorre porque os serviços ambientais [benefícios que tiramos dos ecossistemas] já não são suficientes”.
Brasil credor ambiental
No panorama traçado pela Global Footprint Network, o Brasil aparece ainda como um “credor” ambiental, pois oferece ao mundo mais recursos naturais do que consome. Isso se deve em grande parte à Amazônia, que retém muito carbono nas árvores, e a uma grande oferta ainda de terras agricultáveis não desgastadas.
Mas, segundo a WWF-Brasil, que faz o cálculo da pegada ambiental do país, nossa margem de manobra está diminuindo e exibe grandes desigualdades regionais. “Na cidade de São Paulo, usamos mais de duas vezes e meia a área correspondente a tudo o que consumimos”, justificou Maria Cecília Wey de Brito, da WWF. O número é similar ao da China, um dos maiores “devedores” ambientais.
Entre os principais devedores ambientais (consomem mais do que repõem) estão: Japão, Qatar, Suíça, Itália, Reino Unido, Grécia, China, Egito e Estados Unidos.
Já entre os principais credores (consomem menos do que repõem) destacam-se: Indonésia, Suécia, Austrália, Madagascar, Canadá e Brasil.
 
 
* Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

TERRAMÉRICA – Conciliar agricultura e conservação



por Fabiola Ortiz*
RioDeJaneiroPlantacao TERRAMÉRICA   Conciliar agricultura e conservação
Propriedade particular no Estado do Rio de Janeiro com um sistema de plantação que se adapta às manifestações locais da mudança climática. Foto:
Fabiola Ortiz/IPS
 
 
Destacados cientistas e líderes de organizações dedicadas à biodiversidade se lançam em um esforço para promover uma nova agricultura.
Rio de Janeiro, Brasil, 19 de agosto de 2013 (Terramérica).- O Brasil demorou quatro décadas para superar a insegurança alimentar e projetar-se como grande fornecedor global de alimentos. Agora suas experiências farão parte dos testes de uma iniciativa de cientistas e dirigentes que buscam conciliar a agricultura e a conservação da diversidade biológica. “Apesar dos que consideram que a agricultura brasileira é agressiva e destrutiva, queremos compartilhar outra visão para o resto do cinturão tropical, onde estão os países mais pobres e que sofrem grande insegurança alimentar”, disse ao Terramérica o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes.
A rede Bridging Agriculture and Conservation (Estender Pontes Entre a Agricultura e a Conservação) começou a funcionar em julho no Rio de Janeiro, com especialistas e pensadores mundiais sobre agricultura, conservação e sustentabilidade. Lopes é um deles. Esta rede foi criada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e pela Bioversity International, uma entidade de pesquisa sem fins lucrativos que tem sua sede em Roma.
A meta é reunir, ao longo de dois anos, evidências científicas a partir do trabalho de 25 pesquisadores de diferentes lugares do mundo e apresentar à comunidade internacional e aos governos medidas economicamente viáveis. Segundo Lopes, “o Brasil conseguiu transformar grandes extensões de solos pobres e áridos em áreas férteis. Essa foi nossa primeira revolução. Depois ‘tropicalizamos’ os cultivos: trouxemos recursos genéticos de diversas partes do mundo e criamos um conceito de agricultura tropical”. O atual desafio brasileiro é promover uma grande revolução integrando sistemas agropecuários e silvícolas.
“O país ainda tem 60% de florestas naturais virgens, e queremos mantê-las assim, manejando-as de maneira inteligente. Nenhum país tem uma agricultura que caminha de forma tão determinante na direção da sustentabilidade como o Brasil”, destacou Lopes. A Embrapa estima que entre 50 milhões e 60 milhões de hectares de pastagens degradadas (zonas que foram ocupadas entre os anos 1970 e 1990) são agora reincorporadas ao processo produtivo com tecnologias de recuperação.
“A quase todos os países africanos em desenvolvimento foram apresentadas soluções baseadas no modelo clássico de agricultura industrial. Contudo, a grande maioria dos agricultores é de pequenos produtores, e as respostas até agora não levaram em conta suas necessidades. Eles continuam sendo pobres”, disse ao Terramérica o ex-diretor geral da Bioversity International, Emile Frison. Não há “soluções mágicas” que possam ser implantadas em todos os lados. O que é necessário é uma nova abordagem na interação de cientistas e agricultores, pontuou.
Segundo Ann Tutwiler, que sucedeu Frison na direção da Bioversity International, é preciso pensar em diferentes soluções. A proposta deveria “ajudar a resolver mais de uma equação nos planos local e mundial. Podemos identificar práticas produtivas para conservar a biodiversidade, reduzir o impacto ambiental e manter ou melhorar os cultivos, bem como encontrar e sugerir sementes ou plantações que contribuam para a nutrição e prestem serviços ecológicos”, afirmou Tutwiler ao Terramérica.
A representante da Bioversity International criticou a separação “artificial” entre a comunidade que prega a conservação da natureza e o setor agrícola que quer garantir alimentos à população mundial. Um dos pontos em comum é a necessidade de proporcionar uma agenda com incentivos e políticas de governo. “Se não conseguirmos esse apoio para a política em meio ambiente e agricultura, será muito difícil comprometer empresários e agricultores”, admitiu Tutwiler.
Esforços anteriores fracassaram. Entre 2005 e 2008, foi feito um estudo pioneiro, a Avaliação Internacional do Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia no Desenvolvimento Agrícola (IAASTD), aprovado por 60 governos para promover políticas guiadas pelo melhor conhecimento científico disponível. Porém, logo caiu no esquecimento. Para o presidente da FBDS, Israel Klabin, a IAASTD e as políticas que recomendou foram um passo na direção correta.
“Serviu para fundamentar novas políticas em vários países e certamente nas agências das Nações Unidas, no GEF (Fundo para o Meio Ambiente Mundial) e no Banco Mundial. Mas o processo de transformação é de longo prazo e deve ser reforçado continuamente”, disse Klabin ao Terramérica. “Há várias propostas em andamento, com as mesas-redondas sobre soja ou carne bovina, que reúnem diferentes partes interessadas – incluída a indústria – para promover uma produção responsável que não prejudique a natureza nem as pessoas”, acrescentou Klabin.
Após um dilatado processo de consultas, a IAASTD apresentou diferentes opções e cenários e enfatizou a necessidade de repensar a ciência agrícola, não só para elevar os rendimentos e reduzir os custos da agricultura em grande escala, mas para colocar a pesquisa agrícola a serviço das necessidades dos pequenos agricultores em ecossistemas diversos e zonas de grandes carências.
Klabin observou que uma diferença com a IAASTD é que agora se trata de um esforço de baixo para cima – a partir de cientistas, empresas e instituições dedicadas a estes temas –, e não hierárquico, isto é, nascido dos governos ou da Organização das Nações Unidas (ONU). “Nos baseamos na melhor ciência existente tanto em tecnologias agrícolas como nos elementos ambientais, como as mudanças climáticas, a descarbonização da economia agrícola e a modificação da oferta de fertilizantes, dos quais os mais prejudiciais são os nitrogenados”, ressaltou.
Segundo Tutwiler, “é importante comprometermos os grandes agricultores comerciais. Há maneiras de mudar suas práticas e de fazer melhor uso da biodiversidade. Existem soluções, mas será preciso mudar a mentalidade”, afirmou.
Para Marion Guillou, do conselho diretor do Grupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), o primeiro passo será superar obstáculos, desafios e riscos. “Depois, teremos que decidir o que fazer como corpo original e encontrar uma ligação entre agricultura e biodiversidade, reuniremos evidências científicas sobre os pontos nos quais podemos insistir e, ao final, vamos elaborar uma lista de recomendações”, indicou.
O grupo se reunirá nos fóruns de discussão da comunidade internacional e aspira influir nos debates sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a mudança climática e o Convênio sobre a Diversidade Biológica.
“Nos próximos anos haverá discussões sobre estes temas, e teremos algo a dizer. Sabemos que reunir tudo isso levará pelo menos dois anos”, enfatizou Guillou. A novidade é integrar a conservação à agricultura e evitar um conflito que “empobreça o futuro do planeta e a própria produção agrícola”, disse ao Terramérica o biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, que introduziu a expressão “diversidade biológica” na comunidade científica em 1980.
A questão é ver a agricultora inserida em uma paisagem natural, afirmou Lovejoy, presidente de Biodiversidade no Centro Heinz para a Economia, a Ciência e o Meio Ambiente. “Temos que produzir sistemas mais inter-relacionados. A agricultura ideal é aquela que produz sem gerar desperdício ou contaminação. Esta é a grande questão na produção agrícola, que influi nos ciclos hidrológicos e cria zonas degradadas sem oxigênio”, destacou. Envolverde/Terramérica
* A autora é correspondente da IPS.
 

domingo, 18 de agosto de 2013

A mobilidade urbana não pode esperar mais



por Washington Novaes*
congestionamento A mobilidade urbana não pode esperar mais
Foto: Divulgação/ Internet
 
Serão extremamente úteis para o País, qualquer que seja o desfecho, as conclusões do atual debate que se trava em toda parte sobre mobilidade urbana, a partir das recentes manifestações de rua, assim como da criação de faixas exclusivas para ônibus na cidade de São Paulo. A discussão adequada do problema, a adoção de políticas principalmente nas regiões metropolitanas, poderá talvez evitar ou reduzir custos imensos e hoje progressivos.
Um dos estudos recentes, do professor André Franco Montoro Filho, da USP, ex-secretário de Planejamento de São Paulo e ex-presidente do BNDES, afirma que o valor monetário de 12,5% da jornada de trabalho perdidos com uma hora nos congestionamentos de trânsito (além de uma hora, que seria “normal”) chega a R$ 62,5 bilhões anuais. E cada trabalhador, assim como cada condutor de veículos particulares, pagaria por esse “pedágio invisível” R$ 20 por dia (Folha de S.Paulo, 4/8). Não surpreende, assim, que a questão da mobilidade tenha ocupado a segunda posição no total de reivindicações nas 35 audiências públicas para discussão do plano de metas da atual administração da cidade de São Paulo (Estado, 27/6) – uma exigência da Lei Orgânica do Município.
Em editorial (Uma aposta duvidosa, 9/8, A3), este jornal já apontou a insuficiência das novas estratégias se limitadas à criação de faixas exclusivas para ônibus – embora aumentem a velocidade destes. Principalmente porque não há reordenação de linhas, faltam coletivos em muitos lugares, sobram em outros. E a reordenação enfrenta a oposição das empresas concessionárias de ônibus, que têm alta rentabilidade nos formatos atuais. Pode-se acrescentar ainda que não há uma política nesse setor que englobe toda a área metropolitana. Tudo pode ter efeito apenas momentâneo – basta ver que as restrições que tiraram das ruas milhares de ônibus fretados e caminhões, assim como a implantação de novas pistas na Marginal do Tietê, “já perderam o efeito”.
A necessidade de políticas mais abrangentes fica à mostra quando se veem números sobre grandes cidades brasileiras e sua influência no planejamento urbano – em geral, problemática. No Rio de Janeiro, o recente mapeamento das redes subterrâneas feito pela prefeitura carioca estimou haver 10.200 quilômetros de redes de esgotos no subsolo – “equivalentes à distância entre Brasil e Alemanha” – e 19 mil quilômetros de rede de cabos elétricos. Em São Paulo, a fiação elétrica chega perto de 40 mil quilômetros e só 3 mil são enterrados nos 17 mil quilômetros de ruas. Há mais de 30 afluentes sepultados sob o asfalto só nas imediações do Rio Tietê. As redes de drenagem também se estendem por milhares de quilômetros, embora ainda insuficientes, dadas as suas estreitas dimensões – e, entupidas, contribuem decisivamente para inundações.
Que planejamento se fará para a mobilidade, em que tudo isso interfere – e sabendo ainda que mais de 1 milhão de pessoas “entram e saem da capital diariamente”? E de onde virão os recursos? Estudo da ONU calcula que a “transição para cidades sustentáveis” no mundo não ficará abaixo de US$ 40 trilhões até 2030 (Rádio ONU, 7/5). Quanto será em São Paulo?
Seria, entretanto, muito proveitoso reconfigurar essas infraestruturas urbanas numa cidade como São Paulo, onde só a perda de água nas redes subterrâneas de distribuição, por furos e vazamentos, não está muito abaixo de 40% do total, que é a média brasileira – calcule-se o prejuízo financeiro e o custo para os cidadãos. E pouco se avança em obras abaixo do solo no País (São Paulo ainda vai à frente).
Os recursos para investimentos em mobilidade urbana mínguam, em lugar de crescerem. Obras que estavam previstas para até 2014, na Copa do Mundo, foram retiradas da lista das prioritárias (O Globo, 25/6). Em um ano reduziram-se em R$ 2,5 bilhões. E não se consegue “abrir a caixa-preta dos custos do transporte público, revisar contratos, promover de forma transparente o debate público sobre regras dos contratos de concessão” (blog da professora e urbanista Raquel Rolnik, relatora da ONU para o “direito à moradia adequada”, 24/6).
E a questão não é só de mobilidade ou econômica, pode ser de saúde também. Estudo de cardiologistas do Hospital do Coração de São Paulo alerta (9/8) que “a tensão gerada por fatores do cotidiano como trânsito, violência e excesso de trabalho” – todos relacionados com a mobilidade – “causa aumento da pressão arterial e a liberação de hormônios que podem comprometer seriamente a saúde cardíaca (…), o estado de tensão e alerta contínuo pode levar à liberação de altos níveis de hormônios, que geram instabilidade no organismo e podem provocar espasmos na artéria coronária que irriga o coração, além de lesionar células cardíacas, conhecidas como miócitos, por causa do aumento dos radicais livres”. O cortisol e a adrenalina podem aumentar os batimentos cardíacos e elevar a pressão arterial. Pessoas já predispostas “podem sofrer infartos e até vir a óbito”.
A questão vai chegando a níveis tais que o prefeito de São Paulo já diz que “o usuário terá que repensar o uso do carro” (Folha de S.Paulo, 8/8). Para ele, “não é simples mudar uma cultura – se fosse, alguém já teria feito”. Mas terá de fazer. E aceitar – como já foi discutido tantas vezes neste espaço – prioridades para o transporte público, sobre o transporte individual. E isso pode traduzir-se também em zonas de pedágio urbano, investimentos maciços e prioritários em metrô e trens urbanos, etc.
Teremos, todos, de mudar nossos hábitos e visões. E trabalhar com otimismo em novas direções urbanas, principalmente os administradores públicos. Como disse o filósofo G. K. Chesterton (Doze tipos, Editora Topbooks, 1993, coordenação de Ivan Junqueira), “o homem que goza de popularidade deve ser otimista a respeito de tudo, ainda que seja apenas otimista em relação ao pessimismo”.
 
* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.
(O Estado de S. Paulo)

sábado, 17 de agosto de 2013

A ecologia no Brasil e o desconhecimento de suas possibilidades



por Douglas B. Trent*
arvore 768x1024 A ecologia no Brasil e o desconhecimento de suas possibilidades
Castanheira-do-brasil: árvore nativa da Amazônia. Foto: Divulgação/ Internet
O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Mais de 20% do número total de espécies da Terra estão em território nacional. No entanto, possuímos poucos ecólogos, o que resulta em um raso conhecimento das espécies que vivem em nossos parques nacionais, estaduais, Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) ou quaisquer outras reservas naturais.
É importante diferenciar a ciência da ecologia de outras ciências como biologia, ornitologia, ictiologia, primatologia. Normalmente, esses estudos têm foco específico em grupos de espécies individuais. A ecologia é uma ciência mais ampla, que considera as interações entre todos os participantes de ecossistemas, incluindo seres humanos. As universidades brasileiras estão começando a estabelecer departamentos de ecologia, enquanto nos Estados Unidos esses programas já são comuns por mais de 30 anos.
Se queremos fundamentar nossas forças conservacionistas na ciência, precisamos da ecologia. Uma pequena amostra dessa verdade foi alçada nos anos 1980. Na Amazônia, foi observado como as árvores de castanha-do-pará, a Bertholletia excelsa, são dependentes de diversas espécies de animais para a sua sobrevivência.
O estudo demonstrou que o gênero de orquídeas Coryanthes tem espécies que usam vários métodos para atrair abelhas do gênero Eugolssine. Essas mesmas espécies de abelhas são polinizadoras de árvores de castanha-do-pará. Quando as castanhas maduras caem das árvores, estão cobertas por uma casca redonda e dura, da qual apenas a cutia Dasyprocta azarae possui força para abri-la. As cutias se alimentam das castanhas e enterram pedaços roídos, que guardam para buscar depois e acabam esquecidos na terra.
É necessário ter orquídeas de gênero Coryanthes para ter abelhas que polinizem flores da castanha-do-pará. É preciso das árvores para haver castanhas e são necessárias espécies de cutias para que a castanheira continue brotando. Abelhas machos precisam do perfume dessas orquídeas para atrair as fêmeas. As árvores dependem das abelhas, mas o porquê dessa dependência ainda é desconhecido.
Apesar de sabermos que nas regiões onde não existem essas flores, também não existem as abelhas e as castanheiras.
E aí? Você pode se perguntar. Entretanto, a indústria dessas castanhas gera cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos na Bolívia e, em torno de 28 mil famílias dependem dessa indústria. O New York Botanical Garden publicou que no Brasil cerca de 40 mil toneladas de castanhas foram produzidas em 1990. Somente da safra brasileira, em 1986, rendeu USD $ 5.773.228,00. E a Bolívia ainda continua como o maior produtor de castanha-do-pará do mundo.
Todo isso depende das orquídeas, abelhas, castanheiras e cutias. Quem sabe o que ou quem mais precisa dessas orquídeas, abelhas, castanheiras e cutias? Obviamente é necessário o desenvolvimento de mais estudos científicos ecológicos, mas faltam ecólogos no Brasil, assim como projetos ecológicos.
Uma iniciativa pioneira começa a ser desenvolvida neste ano: o projeto “Bichos do Pantanal”. O Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental, juntamente com a Petrobras, coordena a iniciativa, que tem como meta pesquisar e proteger espécies da fauna do Pantanal, além de estabelecer um programa de educação ambiental direcionado a escolas, turistas, pescadores e comunidades locais.
Podemos e precisamos continuar com estudos sobre animais e espécies individuais e específicos, mas precisamos muito de grandes projetos fundamentados na ciência da ecologia, que documenta respostas e informações para as grandes questões de conservação do meio ambiente.
 
* Douglas B. Trent é ecólogo, graduado pela Universidade de Kansas/EUA. Coordenador do projeto “Bichos do Pantanal”, pelo Instituto Sustentar. Criou a Reserva Ecológica do Jaguar, no Pantanal, e foi mentor de projetos de capacitação e desenvolvimento de pantaneiros. Coordenador Internacional do Sustentar – Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O lixo, seus dramas, caminhos possíveis

por Washington Novaes*
lixo2 300x216 O lixo, seus dramas, caminhos possíveis
Foto: Divulgação/ Internet
Deveria ser de leitura obrigatória para administradores públicos e legisladores em todos os níveis – começando por governo federal, Congresso, governos estaduais, deputados, prefeitos, vereadores -, mas também para empresários e consumidores, o texto Gestão de resíduos sólidos para uma sociedade mais próspera, escrito pelo professor Ricardo Abramovay, do Departamento de Economia, e das pesquisadoras Juliana S. Speranza e Cécile Petitgand, do Núcleo de Economia Socioambiental, todos da Universidade de São Paulo (USP). Dificilmente se encontrará texto mais abrangente sobre a questão dos resíduos e as políticas adequadas que devem norteá-la, mais rico em informações, capaz de levar a mudanças indispensáveis.
É um tema decisivo para o Brasil, que no ano passado produziu 63 milhões de toneladas de resíduos domiciliares, mas não está reduzindo essa geração, nem em termos absolutos nem por pessoa. Segundo o texto, 40% do lixo, pelo menos, vai para lixões ou aterros “controlados”. E muito pouco se tem avançado. O problema não se restringe às áreas de saúde pública e de ocupação de espaços urbanos. Por isso os avanços dependerão também de uma “reformulação” até mesmo do setor privado e de seus “padrões de oferta de bens e serviços” – o que já faz parte dos objetivos estratégicos dos países do Primeiro Mundo, que responsabilizam os produtores de bens, o setor de embalagens e os geradores de inovações tecnológicas por soluções que levem a melhor aproveitamento de materiais (em computadores e celulares, por exemplo, ou na área de produtos químicos, na qual já existem 248 mil produtos em circulação; um aparelho de televisão pode ter até mais de 4 mil componentes).
Mas só 10% dos municípios brasileiros apresentaram – no prazo, que já esgotou, estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – seus planos de gestão para a área, eles que devem ser os principais executores. Em geral, enfrentam forte resistência dos produtores de bens, de políticos que a eles se aliam (em troca de “financiamentos para campanhas”) e da maioria da própria população, que entende não ser sua a obrigação, porque já paga impostos em que estariam embutidos serviços da área. E isso dificulta a legislação e a aplicação do princípio poluidor/pagador, de onde deveriam vir os recursos. Na Europa, nos EUA, no Japão essa responsabilização do produtor de bens e dos geradores de resíduos tem sido a chave dos avanços.
O texto agora divulgado pelos professores da USP vê muitas ambiguidades no conteúdo da PNRS, começando exatamente pela falta de definição clara das responsabilidades e pelo financiamento e organização da logística reversa, que levaria de volta aos produtores as embalagens dos bens consumidos. Também deixa às prefeituras os custos de coleta e destinação do lixo – o que é muito problemático, principalmente com a predominância de resíduos orgânicos. Só há aterros adequados em 27% dos municípios. A criação de mais aterros e os custos envolvidos incluem-se entre os obstáculos, até por causa da distância, que encarece os custos de transporte do lixo coletado. E a necessidade de formar consórcios entre as municipalidades implica muitas dificuldades políticas, em especial com a resistência dos que temem perder poder ou deixar de influir nas concessões.
Já fizemos alguns avanços importantes em alguns setores – com destaque para pneus descartados, embalagens de agrotóxicos, recebimento obrigatório de pilhas e baterias, óleos lubrificantes -, mas falta muito. Também há avanços na recuperação de embalagens de alumínio (dado o alto custo da energia na produção desse material), do papel e do plástico, do aço. Ainda faltam caminhos para levar quem gera mais lixo a pagar mais.
Problemas não existem só aqui. Resíduos são uma questão difícil em todo o mundo, já que é produzido 1,3 bilhão de toneladas anuais – a produção per capita dobrou nas últimas décadas e chega a 1,2 quilo diário. E a previsão é de que chegue a 2,2 bilhões de toneladas em 2020, embora a tonelagem incinerada ou depositada em aterros na Europa, por exemplo, tenha caído, graças à reciclagem, que passou de 23% para 35% na primeira década deste século. Na Alemanha a produção de resíduos caiu 15% com a introdução de sistema baseado no princípio poluidor/pagador: cada gerador de resíduos em residências, por exemplo, tem de separá-los obrigatoriamente e paga uma taxa proporcional ao volume do recipiente em que são coletados; o lixo orgânico é recolhido pelo poder público e enviado para aterros ou usinas de incineração; o “lixo seco” (embalagens, etc.) vai para outro recipiente e é recolhido em todo o país por uma entidade mantida pelos produtores dos bens consumidos, que pagam proporcionalmente ao volume, tiragem, etc. Os resultados foram altamente positivos em tempo curto.
Mesmo com os avanços os países da OCDE, que têm população equivalente à da África toda, produzem cem vezes mais lixo que esse continente, observa o estudo. Ou 50% de todo o lixo do mundo. E ainda exportam uma parte de seus resíduos – principalmente eletrônicos – para países africanos, numa espécie de “colonialismo da imundície”, como tem sido chamado em relatórios internacionais já registrados neste espaço em artigos anteriores. Os EUA também exportam 50% de seus resíduos eletrônicos.
Embora o estudo não seja pessimista, precisaremos de muito esforço para chegar a transformações indispensáveis no poder público em todos os níveis, ainda mais que a própria população também resiste a qualquer inovação que dela exija contribuição financeira em impostos ou taxas. Da mesma forma, parte do setor produtivo não quer incorporar custos, alegando que sofrerá perda de rentabilidade (que só ocorreria se a regra não fosse geral). Mas não há alternativas – a não ser a sujeira, a degradação de áreas urbanas, o desperdício.

* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.
(O Estado de S. Paulo)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Como plantar frutas

        
Como plantar frutas
As crianças que não têm oportunidade de passar finais de semana, feriados ou férias em chácaras, sítios ou fazendas, dificilmente conhecem as árvores que produzem as frutas que consomem. O progresso e a vida nas cidades grandes, acabam por distanciá-las do que acontece no campo e do contato com a natureza, animais domésticos e plantações de legumes, verduras e árvores frutíferas.
É possível, mesmo não possuindo alguma propriedade rural, trazer esse mundo mais perto dos pequenos, montando um pomar em um terreno adquirido ao lado da residência em que mora ou plantando alguns pés de frutas na área de lazer da própria casa. Lembrando que, quando há pouco espaço, podem-se usar as árvores anãs que, mesmo em vasos, produzem frutas de boa qualidade.

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Com isso, além da criança conhecer como determinadas frutas são cultivadas, vai ingerir alimentos sem agrotóxicos e, consequentemente, mais saudáveis, podendo até participar da colheita.

Como plantar frutas cítricas

  1. Faça um buraco que tenha em torno de um metro de diâmetro e um metro de profundidade, no mínimo. Se for uma árvore anã, pegue um vaso bem grande, com 60 cm de diâmetro pelo menos.
  2. Misture metade da terra que tirou para fazer a cova, com o mesmo tanto de compostagem. No caso do vaso, use terra para vasos, deixe-o um pouco elevado do chão e faça buracos para drenagem.
  3. Coloque a muda, com a terra que veio  do depósito de mudas, no buraco que foi cavado e complete com a terra que foi misturada com a compostagem, deixando a parte entre o caule e a raiz no nível do solo ou um pouquinho acima.
  4. Faça uma camada de serragem sobre toda a área plantada, a fim de evitar que a água penetre rápido demais e a ação das ervas daninhas. Lembre-se de deixar um espaço ao redor da base da planta, para que o caule possa respirar e evitar excesso de umidade.
  5. lemon 2014 640 Como plantar frutas                                                                   
  6. Regue uma vez por semana, a menos que chova o necessário para desenvolver-se. Use fertilizante próprio de três a quatro vezes durante o ano e siga as instruções da embalagem corretamente.
  7. Pode a árvore quando necessário, para facilitar a incidência da luz e circulação de ar e retire ramos que brotem da raiz, pois eles tiram a força da árvore principal. Colha os frutos somente quando maduros, a não ser os limões, que podem ser colhidos um pouco antes da hora.

 Como plantar goiaba

800px Guava ID Como plantar frutas
  1. A muda da goiabeira pode ser comprada ou formada em casa, a partir de sementes de goiabas maduras e sadias. Se for preparar a muda com as sementes, separe-as da polpa, lave-as, espere secar à sombra e plante num recipiente pequeno.
  2. Are o solo em que a muda vai ser plantada um mês antes, mais ou menos e abra uma cova com 60 cm de profundidade por 60 cm de lado. Coloque dentro desse buraco: 150 g de cloreto de potássio, 200 g de superfosfato simples e 20 litros de esterco bovino curtido.
  3. Passe a muda para a cova quando ela estiver bem desenvolvida e, de preferência, no início da temporada das chuvas e em dias frescos e nublados. Faça o plantio realizando os mesmos procedimentos feitos com as frutas cítri
    2305008809 d37d8fc9e3 Como plantar frutas   
  4. Retire os galhos secos e fracos da goiabeira, após cada produção. E para que as goiabas  sejam de qualidade, tire a maior parte dos frutos que nascerem, deixando apenas dois deles por galho, quando a árvore estiver nova e de três a quatro, quando mais velha.
  5. Envolva cada fruto que ficar nos galhos, com saquinhos de papel manteiga e prenda-os ao pedúnculo com um arame fino ou fita vegetal, impedindo o ataque de pragas. Depois de três meses da poda aparecem as flores e, depois de mais três meses, as goiabas estão prontas para serem colhidas.

Dicas

  • Escolha mudas saudáveis para comprar ou, caso não tenha prática, peça certificado de garantia da planta. Em caso de epidemia, as autoridades que fiscalizam plantações de frutas cítricas, costumam remover a árvore e queimá-la.
  • Faça a colheita das frutas cítricas usando luvas para proteger-se dos espinhos que se encontram em alguns tipos de árvores.
  • O limão apresenta diferenças de acordo com o lugar em que é plantado. Quando em regiões com chuvas regulares e bem distribuídas durante o ano todo, a cor da casca é mais bonita e a polpa possui teores de açúcar e ácidos mais altos.
  • Mesmo depois de grandes, continue regando as árvores frutíferas, para que deem frutos mais saborosos.
Faça plantação de árvores frutíferas direto no chão ou em vasos e tenha deliciosos frutos para saborear ou preparar sucos naturais e nutritivos, sem agrotóxicos e com muitas vitaminas.

http://comofas.com/como-plantar-frutas/

Como plantar: Manjericão


Com bom desenvolvimento em regiões de clima quente, o ingrediente que perfuma diferentes pratos pode ser plantado até em vasos
Texto João Mathias
Consultor: André May*
 
 


  
No verão, a alimentação leve é uma aliada do brasileiro para enfrentar as altas temperaturas. Médicos e profissionais da saúde recomendam um cardápio variado, com muitos legumes e folhas verdes. É bom ter cuidado com os temperos e condimentos em dias mais quentes, mas isso não quer dizer que não se pode caprichar. Com sabor e aroma intensos, o manjericão é uma ótima sugestão para fazer toda a diferença numa receita. Usado em saladas, molhos, recheios, pizzas e em várias massas, ele dá um toque especial aos pratos e, ainda melhor, pode ser cultivado até em vasos pelo próprio consumidor.
Perene ou anual, o manjericão é plantado sobretudo por pequenos agricultores no Nordeste. Ambientes com muita luminosidade e chuvas regulares são os preferidos para o desenvolvimento da planta, que pode chegar a produzir por até três anos. O clima frio não agrada a todas as variedades, que podem ser determinadas pelo porte, formato da copa, tamanho e características do seu óleo essencial.
Pertencente à família Laminaceae, há o manjericão com folhas grandes (Ocimum basilicum) e o com folhas pequenas (Ocimum minimum). O de cor verde é o mais conhecido, mas também existem plantas de folhas avermelhadas - mais raras e com mais aroma. O perfume do manjericão tampouco é uniforme: há variedades com fragrância doce, lembrando limão, cinamato (canela), cânfora, anis e cravo.
Na região do Mediterrâneo, onde é presença comum na alimentação, o manjericão é plantado em beirais de janelas. Com propriedades que repelem insetos, afasta moscas e mosquitos. Mas suas belas flores também são vistas como ornamento. Conhecida por alguns como alfavaca cheirosa, essa planta com propriedade digestiva, antibiótica e anti-reumática é utilizada para tratamento de enjôos, problemas respiratórios e reumáticos.

Das folhas ainda podem ser extraídos óleos essenciais como o linalol. O produto - que também é obtido da árvore pau-rosa, espécie em extinção encontrada na floresta amazônica - serve de matéria-prima para a fabricação de perfumes e para o processo de aromatização de alimentos e bebidas. Não se sabe ao certo da sua origem, mas há indícios de que o manjericão tenha se espalhado pelo mundo a partir do Oriente Médio, norte da África e Índia.
Raio X
SOLO: fértil e de granulação média
CLIMA: na faixa de 21 a 25 graus
ÁREA MÍNIMA: pequenas hortas, caixotes ou vasos
COLHEITA: a cada 60 dias
CUSTO: 2,50 reais a muda
Mãos à obra
INÍCIO - antes de tudo, é preciso fazer uma análise do solo onde será plantado o manjericão. Um engenheiro agrônomo pode dar as orientações sobre as correções e fertilizações exigidas para o cultivo. Em vasos, assegure-se de que a terra seja fértil e de granulação média.
PLANTIO - plante a muda de manjericão no mês de setembro, início da primavera. É quando ocorrem as primeiras chuvas da estação. Use estacas de ponteiro, colocadas em bandejas de isopor de 200 células com substrato comercial. Elas devem ser mantidas irrigadas.
ESPAÇAMENTO - depende do sistema de cultivo adotado, mas recomenda-se a distância de 60 centímetros entre linhas e 40 centímetros entre plantas.
CORTE - faça o primeiro corte somente após três meses do plantio. Ele deve ser a 40 centímetros do nível do solo. Repita o processo a cada 50 ou 60 dias, ou quando observar que há uma aproximação das copas, a ponto de prejudicar as folhas mais baixas por impedir a luminosidade. Os cortes favorecem a produtividade, pois o manjericão volta a brotar e a ramificar.
PRAGAS E DOENÇAS - embora seja bastante resistente, o manjericão pode ser atacado principalmente pela larva minadora, pelo bicho-mineiro e pelas doenças rhizoctoniose, fusariose e cercosporiose. Procure um agrônomo para melhor controlar esses problemas.
TRATOS - em plantas que exigem cortes sucessivos, alguns tratos são necessários. Faça com freqüência capinas e controle de doenças e fertilizações. Assegure a disponibilidade de água.
PRODUÇÃO - as folhas podem ser colhidas quando a planta atingir cerca de 1,2 metro de altura. Em geral, isso ocorre aos 60 dias. A primeira colheita, no entanto, é indicada somente após três meses do plantio.

Reportagem extraída de http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC1669313-4529,00.html


terça-feira, 18 de junho de 2013

Aprenda a cultivar temperos em casa

 

Ter uma horta não é privilégio apenas de quem mora em casas com grandes terrenos. É completamente possível cultivar condimentos e ervas em apartamentos ou em espaços pequenos, desde que o local seja bem iluminado, apresente boas condições de irrigação e tenha solo de boa qualidade.

Algumas espécies se adaptam melhor em canteiro, são elas: alecrim, manjericão, estragão, camomila, capuchinha, cebolinha, erva cidreira, hortelã, orégano, pimenta-dedo-de-moça, salsinha e sálvia.

Aprenda como montar um canteiro e a cultivar algumas espécies:

Você vai precisar de um vaso grande ou uma jardineira (pode ser de plástico ou de barro), terra, húmus de minhoca, mudas de ervas de boa procedência.
Encha um terço do vaso com brita ou pó de brita, para drenagem. 
  Coloque uma mistura de duas partes de terra, uma parte de composto orgânico e uma parte de húmus até a borda do vaso. Por fim, espalhe um pouco de areia.
 Enterre o torrão da muda e complete com a terra até cobri-lo.
 Afofe com as mãos em volta do torrão e complete com um pouco mais de terra até a borda.


Fique atento a algumas dicas de cuidados:


- As ervas precisam de luz solar, pelo menos algumas horas por dia. Sem isso, é praticamente impossível cultivá-las.

- Mantenha regas regulares, mas nunca encharque a terra.

- Retire folhas velhas, amareladas e secas e verifique periodicamente se não há ataques de pragas. Nesses casos, evite produtos químicos e use apenas inseticidas naturais (calda de fumo, calda de sabão, etc.), pois as ervas serão utilizadas como tempero e no preparo de chás.

- Adube a cada 3 meses, com húmus de minhoca e torta de mamona.

- Na hora de escolher as ervas, procure selecioná-las segundo as exigências de luminosidade. Lembre-se que elas estarão no mesmo vaso.

Saiba mais sobre algumas espécies:
Alecrim
 
O alecrim (Rosmarinus officinalis) é uma planta semi-arbustiva, delicada e que ainda deixa o ambiente com um perfume muito especial. Na cozinha, é usado para temperar carnes em geral, legumes e até dar um sabor diferente a omeletes. Cresce bem em ambientes muito ensolarados. Por isso, você pode plantar sua mudinha em vasinhos com 20 cm de diâmetro, usando terra comum de jardim. Para obter novas mudas, é só lascar um galho e plantar em solo úmido.
 
 Cebolinha verde
A cebolinha (Allium schoenoprasum) é uma planta bulbosa do mesmo gênero do alho e da cebola. Suas folhas formam um tubinho oco e têm um aroma suave de cebola, bastante apreciado em inúmeras receitas. Pode ser semeada em pequenos vasos de barro, mas se você quiser ter esse tempero mais rapidamente, uma solução prática é aproveitar as mudinhas que são vendidas na feira. Para isso, quando comprar cebolinha, corte as folhas para uso e plante os toquinhos, com um pouco da raiz. Em pouco tempo, as mudas vão soltar brotos vigorosos e perfumados. Ao plantar, não esqueça que a cebolinha gosta de solo fértil, rico em matéria orgânica.
 Coentro
Conhecido também como salsa chinesa, o coentro (Coriandrum sativum) tem as folhas parecidas com as da salsa, mas seu sabor é bem diferente, mais próximo ao do limão. Suas folhas são usadas em inúmeros pratos à base de peixe, as sementes em conservas e o coentro em pó para aromatizar massa de pães e carnes assadas. Pode ser cultivado facilmente a partir de sementes, em vasos com solo rico em matéria orgânica, sempre em locais com bastante sol.
 Hortelã
Você pode escolher entre várias espécies de hortelã, mas as mais comuns são a Mentha crispa, com folhas verdes escuras e crespas, e a Mentha Spicata, num tom de verde mais claro e com folhas lisas. Todas são viçosas e perfumadas e usadas para temperar quibes, saladas, carnes de peixe e carneiro, aromatizar sucos e sobremesas, como sorvetes, pudins e gelatinas. Crescem bem em ambientes ensolarados, mas toleram bem um leve sombreado. No início da primavera, renove a terra dos vasos e aproveite para desfazer o emaranhado das raízes e podá-las, se for necessário.
 Manjericão Há várias espécies, com folhas mais largas ou delicadas, todas da família dos Ocimum. O manjericão é conhecido também como alfavaca e basílico, e suas folhas são usadas em peixes, carnes e molhos. Pode atingir de 40 a 60 cm de altura, por isso deve ser plantado em um vasio de uns 20 cm de diâmetro. Necessita de bastante sol e, se começar a crescer muito, você deve podar alguns ramos para ativar novas brotações e obter uma planta mais cheia.
 
 Orégano Conhecido também como orégão, o Origanum virens é uma erva originária do Mediterrâneo, muito usada em peixes, carnes, saladas, molhos e suco de tomate. Gosta de ambientes ensolarados e solo leve e arenoso, com boa drenagem. As folhas e pontas de galhos podem ser cortadas para serem usadas fresquinhas, e logo vão surgir novos brotos, que vão deixar a plantinha ainda mais densa e decorativa. Não se esqueça de renovar o solo do vaso anualmente, com uma mistura nova e nutritiva.
 Salsa Originária da Europa, a salsa ou salsinha (Petroselinum sativum) é uma plantinha simpática, com folhas bipartidas ou crespas, mas sempre muito aromática. É bastante popular no Brasil e entra na composição de inúmeras receitas salgadas, como carnes, sopas, bolos e saladas. Seu cultivo é muito simples: basta semear num pequeno vaso e deixar junto a uma janela iluminada. Em pouco tempo, você terá uma linda plantinha e ramos fresquinhos para dar um sabor todo especial às suas receitas.
 Salvia
Em vasos, a sálvia (Salvia officinalis) chega a atingir 30 ou 40 cm de altura, sempre bonita com suas folhas alongadas e meio cinzas. É usado para temperar peixes, carnes, queijo fundido e em cozidos, substituindo o louro. Exige muito sol e pode ser multiplicada facilmente através de estacas de galhos.
 Tomilho
Conhecido também como timo (Thymus vulgaris), pode ser salpicado em qualquer prato à base de peixe, esfregado em carnes, antes de levá-las ao forno, e misturado em queijos e requeijões. Atinge de 10 a 30 cm de altura, e tem os ramos aveludados, que normalmente só começam a ser colhidos depois que a planta atinge dois anos. Para crescer bem, necessita de bastante sol e de um solo leve e arenoso.

 
 

Fonte: Portal dos Condomínios. Autor: Thaís Vieira.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Como plantar: Espinafre

Reconhecido como uma das hortaliças mais nutritivas, é indicado para pessoas anêmicas e também ajuda a controlar a pressão arterial
Texto João Mathias
Consultor Geovani Bernardo Amaro*


Os fãs do desenho animado Popeye sabem o quanto o espinafre faz bem: toda vez que vai enfrentar Brutus, o inimigo fortão, para salvar sua amada Olívia Palito, o marinheiro recorre a um punhado dessa folhagem para ganhar mais força. E não é para menos: a hortaliça é rica em ferro, vitaminas A, B1, B2, B5, C, D, E, K, cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, sódio, enxofre, cloro e silício.
Por conta de todas essas propriedades, é indicado para pessoas com anemia e desnutrição, além de ajudar no combate à pressão arterial alta e cálculos renais.
Existem dois tipos de espinafre, originários de diferentes regiões. Um deles pertence à família Chenopodiaceae, é nativo do sul da Ásia e foi levado para a Europa no início do século 12. O outro, mais fácil de ser encontrado no Brasil, é da família Aizoaceae, com origem na Nova Zelândia e Austrália. É cultivado principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A hortaliça é fácil de plantar, pois não exige muito espaço. Uma opção para locais com pequena área disponível é o uso de caixas com altura de 20 a 25 centímetros.
O cultivo da hortaliça é simples, já que não é das mais exigentes; é também rústica, com boa resistência a pragas e doenças
 
O espinafre também é rústico e tem resistência a muitas pragas e doenças. Contudo, fungos e insetos são seus maiores inimigos. Eles comem as folhas ou sugam a planta. Deixar a horta sempre limpa ajuda a evitar a presença dos invasores.
O espinafre pode ser consumido em saladas, sopas, suflês, omeletes e no recheio de tortas, massas e quiches. O melhor é utilizar as hortaliças com folhas verdes uniformes, sem sinais de murchamento e pontos escuros. Como tem durabilidade baixa, o espinafre precisa ser conservado no refrigerador, onde se mantém por no máximo cinco dias.
*Engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Hortaliças, Rod. BR 060, km 9, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília, DF, tel. (61) 3385-9000, geovani@cnph.embrapa.br
RAIO X
Plantio: o ano todo
Solo: leve e fértil, com textura média
Temperatura: de 18 a 23 graus
Colheita: de 60 a 80 dias após o plantio
Produção: de 4 a 6 maços por metro quadrado
MÃOS À OBRA
Clima - Regiões com temperaturas entre 18 e 24 graus são ideais para cultivar espinafre. Se o clima for mais quente, o plantio é preferencialmente feito entre março e julho. O excesso de calor prejudica o crescimento da hortaliça e facilita o florescimento precoce. No entanto, há cultivares mais tolerantes, que podem ser plantadas o ano inteiro.
Cultivo - Pode ser feito por meio de sementes plantadas diretamente no solo ou em sementeiras, para depois serem transplantadas para o canteiro. A hortaliça gosta de solos leves, de textura média, férteis e adubados a partir da análise de fertilidade.
Preparo - Em um vaso é possível cultivar a planta, mas em canteiros de cinco a dez metros quadrados há melhor aproveitamento para diversificar com cebolinha, salsa, couve, alface e cenoura. O cuidado básico em hortas é incorporar, de quatro em quatro anos, de 100 a 150 gramas de calcário. Ponha, a cada ano, cinco quilos por metro quadrado de esterco bovino curtido, com 100 a 150 gramas por metro quadrado de adubo NPK (formulação 4-14-8).
Adubação - Na de cobertura são necessárias duas aplicações de 20 gramas por metro quadrado de sulfato de amônio ou NPK (10-0-10). A primeira deve ser realizada 30 dias e a segunda, 50 dias após a germinação.
Semeadura - Para acelerar a germinação, deixe as sementes imersas em água por 24 horas antes de serem plantadas. No plantio direto, coloque de duas a três sementes por cova, com profundidade de um a dois centímetros. O espaçamento entre covas pode mudar de acordo com a época do cultivo e variedade cultivada, entre outros fatores. Experiências na Embrapa Hortaliças obtiveram sucesso com espaços de 30 x 20 e de 30 x 30 centímetros.
Sementeira - Se esta for a opção de plantio, distribua as sementes em bandejas de isopor um mês antes do transplantio, até que apresentem quatro ou cinco folhas.
Irrigação - Faça regas diárias de cinco litros por metro quadrado nos primeiros 40 dias. Após este período, amplie para dez litros o metro quadrado a cada dois dias até a colheita, que ocorre até 80 dias após o plantio. Corte os ramos maiores, com 35 centímetros, e que tenham cor verde-escura.
Custos - Variam segundo a tecnologia e a região. Podem ser encontradas bandejas de isopor com 128 mudas a preços que vão de seis a oito reais, com a devolução da bandeja. Na compra de sementes, o preço médio é de 1,20 real por cinco gramas. Para cobrir um hectare, são estimadas 35 gramas de sementes, porém, muitas hortas semeiam só uma vez. Após a primeira semeadura, a planta produz as próprias sementes, que caem no solo e germinam novas mudas.
Mais informações: IAC - Instituto Agronômico de Campinas, Caixa Postal 28, CEP 13012-970, Campinas, SP, tel. (19) 3241-5188; outras orientações sobre cultivo de espinafre, entre em contato com a Emater - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do seu estado e também com os engenheiros agrônomos de prefeituras municipais

domingo, 16 de junho de 2013

Como plantar: Mutamba

Mutamba (Guazuma ulmifolia)

 
 
Descrição : Planta da família das Sterculiaceae. Também conhecida como cabeça-de-negro, ibixuna, guaxina, pojó, chico magro, guaxima macho, coração negro. É uma árvore perenifália (as folhas caem depois de uma seca prolongada). As árvores maiores atingem dimensões próximas de 30 metros de altura e 60 centímetros de diâmetro na idade adulta. Seu tronco é reto a levemente tortuoso, curto, frequentemente ramificado a baixa altura. Sua ramificação á dicotômica. A copa é densa e larga, tipicamente umbeliforme; com galhos horizontais e ligeiramente pendentes, com as folhas agrupadas em duas fileiras ao longo dos ramos. Sua casca tem espessura de até 12 mm. A superfície da casca externa é grisácea a café-escuro, acanalada, áspera, agrietada longitudinalmente, se desprende facilmente em placas retangulares ou em tiras. A casca interna é fibrosa, rosada, com estrias brancas. Suafolhas são de filotaxia alterna, simples, ovalada ou lanceolada, com 5 cm a 18 cm de comprimento e 2 cm a 6 cm de largura, membranácea, mais ou menos aguda no ápice, com a margem levemente denteada ou crenada, a face dorsal pilosa, tomentosa com pêlos estrelados em ambas as faces, especialmente sobre nervura principal e com três ou às vezes cinco nervuras que saem desde a base, glabra e luzidia quando velha.Sua flores são pequenas, alvo-amareladas, medindo de 5 mm a 10 mm de comprimento, ligeiramente perfumadas, com cinco pétalas. Seu fruto: é uma cápsula subglobosa, seca, verrucosa, verde a negra, dura, de 1,5 cm a 3,5 cm de comprimento, abrindo-se em cinco segmentos que se fendem no ápice ou irregularmente por poros. O fruto contém, em média 46,6 sementes (PAIVA & GARCIA, 1999) imersas numa polpa doce e mucilaginosa.
Partes usadas: casca, folhas, raízes.
Propagação : Pode ser estabelecida por semeadura direta ou plantio de mudas, de raiz ou tocos de mudas de raiz nua. Sementes exigem escarificação antes do plantio. Despeje água fervente sobre as sementes, deixá-los de molho por 30 segundos e, em seguida, escorra a água (Dunsdon et al. 1991). Para sementes frescas, a germinação ocorre em 7 à 14 dias a uma taxa de 60-80%. As mudas estão prontas para plantio, quando atingem uma altura de 30-40 cm (cerca de 15 semanas). Para tocos de raiz, as plantas são deixadas na creche durante 5-8 meses ou até atingirem um diâmetro do caule de 1,5-2,5 cm. Há entre 100.000 e 225.000 sementes por quilograma (Vallejo e Oviedo 1994, Lorenzi 1992, Dunsdon et al. 1991).
Origem : América tropical.
Distribuição : É encontrada no Caribe, México, América Central e Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil. Tem sido cultivada na Índia há mais de 100 anos. Foi introduzida recentemente para a Indonésia.
Propriedades medicinais: Adstringente, sudorífera, tônico capilar.
Princípios ativos : ariofileno, catequinas, farnesol, friedelina, ácido caurenóico, precoceno I, procianidina B-2, procianidina B-5, procyanidin C-1, e sitosterol, taninos.
Indicações: Afecção parasitária (couro cabeludo, pele), ameba, sífilis, úlcera. A bebida de sementes esmagadas embebido em água é usado para tratar diarréia, disenteria, gripes, tosses, contusões e doenças venéreas. Também é utilizado como diurético e adstringente (Vallejo e Oviedo, 1994). Queda de cabelo e calvície
Contra-indicações/cuidados: Use com cautela e sob supervisão do médico se você tem uma doença cardíaca. Aumento do número de evacuações ou diarreia pastosa em intestinos com tendência à diarreia.
Superdosagem: Doses elevadas ou uso prolongado podem causar náuseas, vómito e disenteria; Caso ocorram, além das medidas usuais para intoxicação, o tratamento sintomático para - vomito, cólica e diarreia, deverá ser instituído e dieta zero.
Toxicologia: Recomenda-se estrita observação das doses terapêuticas recomendadas. A Mutamba é considerada tóxica em uso rtemo, provavelmente peta presença de saponinas; Seu uso deve ser supervisionado por profissional gabaritado.
Efeitos colaterais: dose elevada pode provocar náusea, vômito, disenteria.
História : Mutamba é chamado guasima ou guacima no México, onde ele tem uma história muito longa de uso indígena. Os índios Mixe nas planícies do México usavam uma decocção das cascas secas e frutas para o tratamento de diarréia, hemorragia e dor uterina. Os Maias Huastec do nordeste do México empregam a casca fresca fervida em água para ajudar no parto, na dor gastrointestinal, asma, diarréia e disenteria, ferimentos e febres. Curandeiros maias na Guatemala ferviam a casca em uma decocção para tratar a inflamação do estômago e estômago regular. A mutamba era uma planta mágica para os antigos maias, que também é usada contra a "doença mágica" e malefícios. Na Amazônia, os povos indígenas têm usado há muito tempo a mutamba para a asma, bronquite, diarréia, problemas renais, e sífilis. Eles usam uma decocção de casca topicamente para a calvície, a lepra, Dematosis e outras condições de pele.
Posologia:
Adultos: 10 g de entrecascas frescas ou 5g de entrecascas secas (1 colher de sopa para cada xícara de água) em decocto 2 vezes ao dia, com intervalos menores que 12hs, em uso interno como anti-sifilítico, depurativo, desobstruente do fígado; O mesmo decocto é empregadotopicamente nas afecções da pele; As entrecascas frescas, maceradas em água são utilizadas para o couro ca-Dduòo: O extraio glicólico a 5% é utilizado em fitocosmética e shampoos e loção capilar; A entrecasca é usada para preparar xaropes; Crianças de 2 a 5 anos; 2ml 3 vezes ao dia. às refeições; De 5 a 8 anos: 3ml 3 vezes ao dia. às refeições; De 8 a 12 anos: 4ml 3 vezes ao dia, às refeições;
Crianças: posologia por peso corporal: 0,4ml/Kg/dia com intervalos menores que 12hs. Interação medicamentosa: Pode ser rica em salicilatos. potencializa a ação da aspirina e outros antiinflamatórios que bloqueiem a ação das prostaglancinas e dos antiadesivos-plaquetários.
Contribuição ao Estudo Farmacognóstico da mutamba (Guazuma ulmifolia - Sterculiaceae) Karen Janaína GALINA 1; Cássia Mônica SAKURAGUI 2; Juliana Cristina BORGUEZAM ROCHA 3; Emi Rainildes LORENZETTI 2; João Carlos PALAZZO DE MELLO
Longevidade de sementes de mutamba (Guazuma ulmifolia Lam. – Sterculiaceae) no solo em condições naturais - Scielo - Revista Brasileira de Sementes.
 
 
Mais informações sobre o cultivo:

sábado, 15 de junho de 2013

Plantas têm capacidade de criar microambientes e beneficiar áreas em recuperação

por Globo Rural On-line
Ibama/Divulgação
Orquídeas e bromélias realizam ciclagem de nutrientes e são indicadas para processos de restauração ecológicas
Estudo realizado por professores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Usp) indica que as bromélias e as orquídeas podem ser fundamentais em processos de recuperação e restauração ecológica.

Segundo a bióloga Marina Melo Duarte, pesquisadora no programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais da Esalq, a inserção dessas formas de vida em uma floresta é de grande importância para que ela recupere os processos ecológicos. “Além de serem capazes de fornecer microambientes e recursos como flores e frutos e armazenar água, as epífitas atuam na ciclagem de nutrientes. Contribuem para o aumento de heterogeneidade de um ecossistema.”
No cenário mundial atual, mesmo com crescente preocupação ambiental, é possível observar que desmatamentos ainda ocorrem em taxas elevadas, reduzindo a cobertura florestal. Ainda que possa ser diminuído por diversos mecanismos, esse problema tende a permanecer, já que ele é necessário para que ocorram obras de infraestrutura e de outros interesses.

A cada ano, mais de 500 hectares de florestas, em diferentes estágios de regeneração, são legalmente desmatados no Estado de São Paulo. “A supressão vegetal, dentro de certas limitações, é permitida por lei. Apesar de não fazer com que uma floresta retorne exatamente ao que era no passado, a restauração ecológica pode contribuir para reduzir a agravante perda de cobertura vegetal no planeta”, comenta a pesquisadora.
 Transplante viável
No Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF), a bióloga analisou duas florestas com 13 e 23 anos de processo de restauração, localizadas nas cidades paulistas Santa Bárbara D’Oeste e Iracemápolis. “Os transplantes de epífitas foram considerados viáveis, especialmente quando realizados em estação chuvosa e utilizando-se barbante de sisal junto a fibras de palmeiras para fixar essas plantas nos trocos das árvores (forófitos). As taxas de sobrevivência das seis diferentes espécies, um ano após o transplante, quando ele foi realizado em estação úmida, variaram entre 63% e 100% das epífitas transferidas”, conta a pesquisadora.

Segundo Marina, a restauração florestal é comumente realizada pela inserção apenas de unidades de árvores em uma área. O chamado “enriquecimento com diferentes formas de vida” é, na maioria das vezes, fundamental ao desenvolvimento de florestas durante o processo de restauração.
“Em paisagens fragmentadas devido às atividades humanas, existe uma perda considerável de diversidade biológica. Nesses locais, a dispersão natural é limitada, sendo necessárias intervenções para dar continuidade aos processos ecológicos fundamentais à permanência da floresta ao longo do tempo”, afirma.

O estudo avaliou a possibilidade de transferência de epífitas, com a proposta de aproveitar o material que pode ser retirado de florestas a serem suprimidas, a partir desse desmatamento inevitável, e empregá-lo no processo de restauração ecológica.
Foram analisados os transplantes de 360 unidades de seis espécies de epífitas, pertencentes às famílias Bromeliaceae, Cactaceae e Orchidaceae, para posições diferentes (tronco ou forquilha) de 60 unidades de forófitos que apresentavam distintos padrões de perda foliar e rugosidades de casca.

A pesquisadora afirma que há raríssimos trabalhos envolvendo transplantes de epífitas em florestas durante processo de restauração. “A inserção dessa forma de vida a uma floresta é de grande importância para que ela recupere processos ecológicos, sendo fundamental para que ela retorne à sua trajetória ecológica. É um dos trabalhos pioneiros no que se refere ao enriquecimento de florestas em restauração com diferentes formas de vida”, conclui.

Como plantar: Graviola

Com demanda de mercado crescente e possibilidade de cultivo em várias regiões do país, a fruteira vai bem até em pomares caseiros

por João Mathias | Consultores Marco Antonio Tecchio e José Emílio Bettiol Neto*
Shutterstock 
Apesar de estar aqui há muito tempo e ser popular nas regiões norte e nordeste do país, somente nos últimos anos tornou-se mais conhecida entre os brasileiros dos estados do Centro-Sul. Da família da Annonaceae, a mesma da fruta-do-conde, da cherimoia, da biribá, entre outras, a graviola (Annona muricata L.) foi trazida para cá pelos colonizadores portugueses no século XIV, embora deva ser dado aos exploradores espanhóis o crédito pela disseminação da planta pelas áreas tropicais do planeta.

Sua origem, no entanto, é a América Central e os vales peruanos, com destaque para a produção da Venezuela, a maior entre os países da América do Sul. Por aqui, Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Pará sobressaem no cultivo tradicional, tendo o oeste do estado de São Paulo como uma área que vem ganhando mais espaço no plantio da gravioleira na última década.

Fruta aromática, com polpa branca, de sabor suave e levemente ácido, a graviola pode ser consumida naturalmente, mas é muito usada para a fabricação de doces, sucos, sorvetes e geleias. Rica em vitamina A, C e do complexo B, também contém cálcio, ferro, magnésio, potássio e fósforo. Diurética, a graviola ainda é dotada de propriedades que evitam espasmos, disenterias e problemas de nevralgia.

O fruto pode chegar a dez quilos, como a variedade morada, que apresenta rendimento de 40 quilos de polpa por ano no auge da produção – aos seis anos de idade. Crioula, lisa e blanca são outras opções com bom desenvolvimento. Sítios e chácaras são locais onde a planta pode ser cultivada, como também em pomares caseiros.

Entre as principais pragas que atacam a gravioleira destacam-se a broca-do-fruto, a broca-do-tronco e a broca-da-semente. A antracnose é a doença fúngica que mais afeta a planta. Quando a fruteira estiver infectada por insetos ou doenças, o mais indicado é consultar um profissional habilitado para obter as orientações de controle necessárias.

*Marco Antonio Tecchio e José Emílio Bettiol Neto são pesquisadores do IAC-APTA – Centro de Fruticultura do Instituto Agronômico, Av. Luiz Pereira dos Santos, 1.500, Corrupira, CEP 13214-820, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, tecchio@iac.sp.gov.br, bettiolneto@iac.sp.gov.br
Onde comprar: Núcleo de Produção de Mudas de Itaberá (Cati), Rod. SP-249, km 109, Bairro Mestre Pedro, Caixa Postal 49, CEP 18440-000, Itaberá, SP, tel. (15) 3562-1642, npmitabera@ig.com.br
Mais informações: http://www.seagri.ba.gov.br/Graviola.htm; http://www.ceplac.gov.br/radar/graviola.htm; http://www.ebah.com.br/cultura-da-graviola-pdf-a55616.html; e http://www.seagri.ba.gov.br/revista/rev_1199/graviola.htm

      
 RAIO X
SOLO: com textura leve, profundo, bem drenado e arejado
CLIMA: temperaturas entre 21 ºC e 30 ºC
ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada em pomares caseiros
COLHEITA: 12 meses após a enxertia ou de cinco a seis meses depois da abertura floral
CUSTO: R$ 2 para mudas de pé-franco, obtidas de sementes, e R$ 5 para mudas enxertada
 
MÃOS À OBRA
INÍCIO: Mudas enxertadas de gravioleira dão um pomar mais homogêneo. Procure por um viveirista com referência, para assegurar a qualidade da planta. O melhor pegamento das mudas ocorre nos meses com maior incidência de chuva, o que ainda contribui para reduzir custos, tendo em vista a menor necessidade de irrigação.
AMBIENTE: Regiões tropicais e subtropicais, com temperaturas entre 21 e 30 graus célsius (oC) são adequadas para o bom desenvolvimento da gravioleira. A planta não tolera locais frios, mudanças bruscas de clima e muito menos geadas.
PLANTIO: Embora aceite qualquer tipo de solo, devido a seu sistema radicular desenvolvido, a planta prefere os de textura leve, profundos, bem drenados e arejados. Os melhores resultados no cultivo da graviola são obtidos em solos com elevados teores de materia orgânica e acidez corrigida.
ESPAÇAMENTO: Recomendam-se espaçamentos de 4 x 4 metros a 8 x 8 metros, o que depende de uma série de fatores, como solo, nível de tecnologia aplicada (mecanização, condução da planta, poda, por exemplo), topografia, condições climáticas, entre outros. Em geral, o tamanho das covas é de 60 x 60 x 60 centímetros. Elas devem ser feitas, no mínimo, 30 dias antes do plantio das mudas.
CONSÓRCIO: Até a produção plena, pode-se levar de quatro a cinco anos. Nesse período, no entanto, é possível cultivar outras plantas, em sistema intercalado, para garantir alguma renda na área. Algumas sugestões são hortaliças, feijão e frutas como maracujá, mamão e abacaxi.
PRODUÇÃO: Após 12 meses da enxertia, pode ser iniciada a florescência da gravioleira. Porém, a recomendação é que sejam eliminados os primeiros frutos, com o objetivo de preservar o vigor da muda por mais tempo. As graviolas podem ser colhidas manualmente, mas com cuidado. Se destacadas da planta ainda verdes, as frutas ficam ácidas e amargas. Quando muito maduras, podem ter sido bicadas por aves ou atacadas por insetos, além de ficarem mais vulneráveis a danos no manuseio e transporte. Uma dica é apanhar as graviolas na fase em que a cor da casca passa do verde-escuro para o verde-claro e as espículas (saliências da casca) quebram facilmente.