quarta-feira, 12 de junho de 2013

Casca de banana é usada para despoluir água

Restos da fruta são eficazes para retirar resíduos de atrazina e ametrina, pesticidas usados em lavouras, dos rios

por Globo Rural On-line
 Shutterstock
Casca da banana pode ser eficiente para despoluir águas contaminadas com pesticidas usados em lavouras

A casca de banana pode ter uma utilidade super ecológica. È o que aponta uma pesquisa do Centro de Energia Nuclear de Agricultura (Cena), da Usp de Piracicaba. Os cientistas chegaram à conclusão que a casca é eficiente na despoluição de águas contaminadas com resíduos dos pesticidas atrazina e ametrina, comumente usados em lavouras de cana-de-açúcar e de milho.

As experiências foram feitas nos rios Capivari e Piracicaba, onde as águas estavam contaminadas com estes dois produtos. Após os primeiros testes, comprovou-se que os resíduos haviam desaparecido com eficiência das águas analisadas.

O método utiliza casca de banana triturada e peneirada, secas em forno (60ºC). Depois, ela é misturada a uma quantidade determinada de água, agitada e filtrada.

De acordo com os cientistas, a casca de banana é mais vantajosa que as demais metodologias (como remediações térmicas, químicas, físicas e fitorremediação). “Os processos tradicionais de tratamento de água não são suficientes para remover totalmente os resíduos de agrotóxicos para atingir o padrão de potabilidade e evitar riscos à saúde humana. É necessário que se faça a adoção de técnicas mais competentes e de baixo custo”, explicam Claudinéia Silva e Graziela Moura, responsáveis pelo estudo.
 
Capacidade de absorção
A casca da banana corresponde a 30% e 40% de seu peso total e até agora, vem sendo utilizada como complemento na produção de adubos, ração animal e produção de proteínas, etanol, metano, pectina e enzimas. É constituída de celulose, hemicelulose, pectina, clorofila e outros compostos de baixo peso molecular. Por isso, tem uma grande capacidade de absorção de metais pesados e compostos orgânicos.

Segundo Sérgio Monteiro, um dos autores da pesquisa, o método pode ser usado para tratamento de água de abastecimento público em regiões com intensa prática agrícola, como é o caso das cidades da região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que são totalmente abastecidas pelo aqüífero Guarani. “Os estudos para aplicação em grande escala ainda serão realizados, mas acreditamos que este processo seja a melhor alternativa”, diz.

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