segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pitaia

Nativa do México, pode render bons lucros ao produtor brasileiro, se cultivada com atenção
 
O produtor João Vinicius Della Vecchia mantém 1900 pés de pitaia em Pinheiral, SP
Quem vê a pitaia pela primeira vez pode achar que a fruta, de aparência rústica, é das mais resistentes e não precisa de maiores cuidados para ser produzida. Mas João Vinicius Salveti Della Vecchia sabe bem que isso não é verdade. Embora o caule da planta lembre um cacto digno do deserto e a fruta apresente uma casca que parece recoberta por escamas, a pitaia é bastante delicada.

Depois de muitas tentativas e erros, o engenheiro-agrônomo radicado em Pinheiral, SP, aprendeu que apenas com muita dedicação é possível ter uma boa colheita dessa fruta exótica. “Tem gente que planta três, quatro frutas por mourão [poste ou estaca grossa]. Aqui, plantamos apenas uma pitaia em cada, para individualizar a adubação. E adubamos três vezes mais do que a maior parte dos produtores”, afirma João Vinícius.
Até mesmo os mourões, que servem de apoio para a planta de galhos rebeldes, crescendo em diversas direções, foram feitos após muitos protótipos. Enfim chegou-se a um formato que garante o apoio ideal e facilita a colheita, por manter os ramos na altura média de uma pessoa.
A fruta, nativa do México e de algumas regiões da América do Sul, ainda não é amplamente conhecida no país. “Quando levei uma caixa pela primeira vez no Mercadão [Mercado Municipal de São Paulo, conhecido por vender todo tipo de alimentos], nem eles conheciam”, conta João Vinícius. A ideia de produzi-la veio depois que o agrônomo se formou em Viçosa, Minas Gerais. “Eu queria trabalhar em uma pequena propriedade, e após pesquisar conheci a pitaia, que já era plantada na cidade paulista de Socorro”.
Em 2005, João começou com 400 plantas, de modo experimental. Depois de algumas tentativas frustradas e muitos ajustes, hoje já são 1900 pés de pitaia, nas variações amarela, roxa e branca. A amarela (Selenicereus megalanthus) é a mais comercializada, pois tem doçura acentuada – seu grau brix, que indica a quantidade de açúcares, é 20, considerado bastante alto. A fruta desta coloração é menor, e, quando verde, é recoberta de espinhos. Após a maturação, eles são facilmente removidos com uma escovinha.
Pitaia amarela é a mais comercializada, por tem doçura acentuada
Já a pitaia roxa (Hylocereus polyrhizus) é intermediária quanto à doçura, tendo o brix em torno de 12, e atrai sobretudo pela cor viva da polpa. Alguns restaurantes servem a fruta apenas cortada ao meio, por seu aspecto exótico. Por fim, a pitaia branca (Hylocereus undatus), a menos doce de todas, tem grau brix em torno de 10, e é excelente para a produção de doces – e fica ótima numa caipirinha.
Cada caixa das frutas, com cerca de 4,5 quilos, é vendida por R$ 20 na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). “O nosso diferencial é que produzimos frutas grandes, que duram até mesmo duas semanas. É muito fácil gerar uma pitaia que irá apodrecer três dias depois que a pessoa a comprar”, afirma João Vinícius.
A localização da plantação em Pinheiral, a 306 quilômetros de São Paulo, ajuda na produção bem-sucedida de João Vinícius. O terreno está a 900 metros de altitude, o que garante noites frias, acentuando assim o sabor das frutas. Já a relativa proximidade com a capital do estado auxilia no escoamento da produção. Hoje, o agrônomo conta com dois funcionários, que fazem a manutenção e a colheita. A pitaia dá frutos de dezembro a maio, e costuma ter três floradas fortes.
Para se ocupar nos momento em que a pitaia não produz, João faz experimentos com diversas outras plantas exóticas. Atualmente, uma de suas preferidas é a groselha-do-ceilão, que apareceu em sua vida quase sem querer. A vizinha do sítio, dona Josenilda, havia dado um suposto pé de camu-camu para João Vinícius, que o plantou ao lado de uma outra muda, comprada recentemente de um produtor.
Conforme as plantas foram crescendo, o agrônomo notou padrões diferentes de folhagem, e frutas com sabores bastante distintos. Para tirar a dúvida, ele levou a planta a um biólogo, e descobriu assim que tinha um pé de groselha. Hoje, a planta já ocupa boa parcela do terreno, e embora ainda não seja comercializada, rende ótimas geleias e um licor de sabor especial, perfeito para brindar as conquistas da produção de João Vinícius.
Fonte: [ Globo Rural ]

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