domingo, 27 de julho de 2014

Como plantar louro

A folha, que, além de aromática, proporciona sabor especial às refeições, é popular entre os brasileiros e tem demanda certa no mercado

POR JOÃO MATHIAS

como_plantar_louro (Foto: Amilton Vieira/Ed. Globo)
O segredo do sabor de uma receita culinária pode estar nos pequenos detalhes. Embora tidos como coadjuvantes em uma refeição, na qual são, em geral, usados em pouca quantidade, condimentos, temperos e especiarias são, muitas vezes, os responsáveis por dar aquele “toque” diferente na elaboração de um prato.
Além de ressaltar o paladar dos alimentos, esses ingredientes podem ser utilizados para outras finalidades. Popular entre os brasileiros e com demanda cotidiana em feiras, pequenos comércios, varejões e entrepostos atacadistas de hortifrutigranjeiros, o louro (Laurus nobilis L.) é uma planta que, segundo relatos, também pode ser aplicada em projetos paisagísticos e como fonte de madeira.
No entanto, desde milhares de anos a folha do loureiro, dotada de propriedades nutracêuticas e medicinais, é aproveitada como condimento importante pelos povos do Mediterrâneo, região na qual se originou. De importância econômica para muitos agricultores, o cultivo de louro contribui para aumentar a renda mensal de seus produtores.
De copa arredondada, a árvore adapta-se muito bem a regiões de clima temperado e subtropical, com temperatura na faixa de 10 º C a 18 º C. Embora seja considerada uma planta perene, é necessário realizar seu replantio quando o ressecamento leva-a à morte.
A região do município de São Roque, no interior do Estado de São Paulo, destaca-se como polo de produção de louro. A topografia local, onde existem serras e morros, oferece condições ideais para o cultivo do loureiro, que demanda solo de áreas de altitude, independentemente do tipo e do grau de fertilidade do terreno.
A colheita dos ramos com as folhas é anual, sendo que a primeira delas ocorre cerca de um ano após o início do plantio, o qual recomenda-se realizar na primavera, estação de clima mais ameno. Vistosas e com aroma característico, as folhas do loureiro chegam ao mercado consumidor por meio dos tradicionais canais de venda do varejo alimentício.
Mãos à obra
>>> INÍCIO O planejamento é o ponto de partida para qualquer atividade agrícola, inclusive o conhecimento dos custos e das receitas do plantio. Por isso, é indicado obter mais informações com profissionais que já possuem alguma experiência. Comprar mudas de loureiro de produtores idôneos também é um bom começo para o cultivo. Em São Roque, a unidade é vendida a R$ 5, porém, o preço pode cair até pela metade dependendo da quantidade adquirida.
>>> AMBIENTE O cultivo de louro tem boa adaptação em regiões com altitude entre 800 e 1.000 metros e onde a temperatura noturna é amena. A planta gosta de clima temperado e subtropical, sobretudo quando a temperatura mantém-se entre 10 ºC e 18 ºC.
>>> ALPORQUIA Método adotado para propagar o louro, a prática é comum em espécies que não apresentam bom resultado com o sistema de estacas, como lichia, azaleia, ciprestes e outros. Faça o enraizamento dos ramos aéreos com mais de 30 centímetros de comprimento e diâmetro entre 0,5 centímetro e 2 centímetros, utilizando um substrato úmido – um musgo chamado esfágno – no local e acima do anelamento, o qual deve ser realizado de 5 a 20 milímetros e ao redor da haste após a remoção das folhas. Em seguida, retire a casca. Proteja a área de ressecamento com um plástico transparente ou preto, amarrando firmemente suas duas extremidades.
>>> REPLANTE As raízes começam a aparecer em meio ao esfágno, em média, três meses após a realização da alporquia. Destaque o galho e corte-o com uma tesoura de poda e, então, retire o plástico, o fitilho e imediatamente replante a parte enraizada em um canteiro com solo preparado com adubo orgânico. Pode ser também em sacos plásticos com 3 a 5 litros de substrato. Quando se desenvolverem, as mudas estarão prontas para o transplante para o local definitivo.
>>> TRANSPLANTE É indicado, preferencialmente, a partir da primavera, início da estação das chuvas, ideal para o melhor desenvolvimento das mudas de louro. Ao redor das mudas transplantadas, realize a capina ou o coroamento para impedir o crescimento de plantas daninhas que possam prejudicar o crescimento do louro.
>>> COVA Deve ser aberta com 40 centímetros de largura e 40 centímetros de profundidade. Recomenda-se a adubação no plantio. Utilize somente adubo orgânico na dose de 5 litros, misturado com o solo retirado da cova. Em geral, na região de São Roque, é adotado espaçamento de 1,2 metro por 1,2 metro entre covas, devido ao plantio ocorrer em terreno com declive, impossibilitando o uso de tratores.
>>> CUIDADOS Mantenha o restante da área de plantio limpo, utilizando uma roçadeira. O objetivo é deixar uma cobertura vegetal ou um manto verde para proteger a superfície do solo contra a erosão. Tratos culturais, como controle de plantas invasoras, adubação orgânica em cobertura, podas de inverno, reposição de plantas nas falhas, entre outros, devem ser levados em consideração para a sustentabilidade do empreendimento.
>>> PRODUÇÃO Os ramos com folhas podem ser colhidos a partir de 12 meses do plantio e uma vez por ano, quando é realizada a poda drástica de inverno, a cerca de 20 centímetros de altura da superfície do solo. Ao longo dos anos, a produtividade aumenta de acordo com o crescimento da base do loureiro.

Raio x
Solo: localizado em região de altitude
Clima: de regiões com altitude entre 800 e 1.000 metros e noite com temperatura amena
Área mínima: pode ser plantado em canteiros
Colheita: a partir do primeiro ano de plantio
Custo: R$ 5 é o preço da muda


*Issáo Ishimura e Sebastião Wilson Tivelli são pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), issao@apta.sp.gov.br e tivelli@apta.sp.gov.br; e Waldemar Pires de Camargo Filho é pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), camargofilho@iea.sp.gov.br). As instituições são ligadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
Onde comprar: Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mas antes é necessário verificar a disponibilidade do material; e viveiristas e produtores instalados na região de São Roque (SP)

Mais informações: com técnicos da extensão rural da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Agricultura de São Roque, tel. (11) 4784-8527 e (11) 4784-9635

Nenhum comentário:

Postar um comentário